Bush anuncia medidas para atenuar crise imobiliária

Presidente americano afirmou que governo não pretende ajudar bancos credores.

BBC Brasil,
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Bush prometeu trabalhar junto com o Congresso para reformar o sistema tributário.
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou nesta sexta-feira (31) um pacote de medidas destinado a ajudar compradores de imóveis com dificuldades para quitar suas dívidas.

Segundo analistas, o aumento do risco de inadimplência no mercado de hipotecas é a raiz da instabilidade que atinge as bolsas de valores de todo o mundo desde o mês passado.

Uma das propostas de Bush para ajudar os endividados é permitir que aqueles que tenham um bom histórico de crédito obtenham um refinanciamento do saldo devedor em uma agência federal de habitação.

"Adotei como prioridade ajudar os proprietários de casas a atravessar esses desafios financeiros para que o máximo de famílias possa permanecer em suas casas", disse o presidente.

Bush também prometeu trabalhar junto com o Congresso para reformar o sistema tributário e disse que não pretende intervir para ajudar os bancos que cederam os financiamentos aos compradores.

"Uma ajuda federal aos credores apenas iria incentivar o problema a ocorrer de novo", avaliou.

Fed

Sobre a crise que atinge as bolsas, o presidente americano disse que "os mercados estão em um período de transição em que os participantes estão reavaliando e atribuindo novos valores aos riscos", disse Bush.

O presidente ressaltou que o processo ainda deve demorar para ser concluído, mas que, enquanto continuar, "a economia americana como um todo vai permanecer forte o suficiente para dispersar qualquer turbulência".

Pouco antes de Bush anunciar o novo pacote, o presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano), Ben Bernanke, disse que a instituição vai intervir "quando for preciso" para amenizar os efeitos da crise. Bernanke não revelou qual pode ser a próxima medida adotada pelo Fed.

Analistas avaliam que o Banco Central americano vai acabar reduzindo a taxa básica de juros, atualmente em 5,25%, em pelo menos 0,25 ponto percentual na sua próxima reunião, em 18 de setembro, ou mesmo antes disso.

"Não é responsabilidade do Federal Reserve, nem é apropriado, proteger credores e investidores das conseqüências de suas decisões financeiras", disse Bernanke.

"Mas desdobramentos nos mercados financeiros podem fazer com que amplos efeitos econômicos sejam sentidos por muitos fora dos mercados, e o Federal Reserve precisa levar esses efeitos em consideração", acrescentou.
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