Argentinos fazem fila para vacina contra febre amarela

Segundo os funcionários da Direção de Saúde das Fronteiras e Pontos de Transportes, onde ocorre a vacinação, a maioria dos argentinos que querem ser vacinados tem viagem marcada para o Brasil.

BBC Brasil,
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A vacina demora dez dias para fazer efeito e dura dez anos.
Cerca de três mil argentinos passaram mais de sete horas em uma fila na quinta-feira, em Buenos Aires, para tomar a vacina contra a febre amarela.

Segundo os funcionários da Direção de Saúde das Fronteiras e Pontos de Transportes, onde ocorre a vacinação, a maioria dos argentinos que querem ser vacinados tem viagem marcada para o Brasil.

Policiais e soldados da Marinha, que trabalham próximo ao centro de vacinação, foram chamados para organizar a fila.

"É a primeira vez que faço esse trabalho aqui. Nunca vi tanta gente querendo ser vacinada", disse um dos soldados.

Muitas das pessoas que esperavam para ser vacinadas argumentavam que, apesar de não estarem embarcando para regiões de risco da doença no Brasil, preferiam ser vacinados.

Diante do aumento da procura pela vacina contra a doença, o ministério da Saúde argentino divulgou comunicado, em sua página na internet, nesta sexta-feira, informando sobre a habilitação de mais dois locais de vacinação na capital do país.

Turistas

No anúncio, o ministério esclarece que os turistas que embarcarem para o litoral brasileiro não precisam ser imunizados contra a febre amarela.

"Recomenda-se a vacinação de todas as pessoas que tenham como destino turístico cidades nas áreas de 'risco de transmissão': Acre, Rondônia, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Tocantins, Pará, Amazonas, Roraima, Amapá e Maranhão", diz o texto.

No alerta do ministério da Saúde argentino, o Estado do Piauí também foi incluído, com a ressalva de que oferece "risco esporádico de transmissão".

O comunicado ressalta ainda que "não há perigo nas áreas da costa do sul do país (Brasil)".

Governo brasileiro

O ministério da Saúde do Brasil confirmou na quinta-feira o primeiro caso de morte por febre amarela desde o início da crise, em dezembro passado.

Em uma entrevista coletiva na quarta-feira, o ministro José Gomes Temporão afirmou que "não há risco de epidemia urbana da doença".

Apesar disso, Temporão pediu ao ministério do Turismo para informar as agências de viagens sobre a necessidade da vacina contra febre amarela a todos aqueles que planejam viajar para as áreas de risco.

O ministro informou ainda quem pretende seguir para essas regiões devem tomar a vacina dez dias antes da viagem, tempo necessário para o organismo criar anticorpos de defesa conta o vírus amarílico. A vacina tem duração de dez anos.

Segundo dados do ministério, as áreas de risco no Brasil são a região Norte e Centro-Oeste, Maranhão e Minas Gerais. Além delas, há as regiões de transição (oeste dos estados da Bahia, Piauí, São Paulo, Paraná e Santa Catarina) e a de potencial risco (sul da Bahia e norte o Espírito Santo).

Imprensa

Nos últimos dias, as principais emissoras de televisão da Argentina, como America24h, divulgaram a necessidade de vacinação para todos os que embarquem para o Brasil.

Os argentinos, tradicionalmente, viajam para o território brasileiro – principalmente para as praias de Santa Catarina – nesta época do ano.

Segundo dados oficiais, este é o primeiro verão, desde a crise argentina de 2001, que registra quantidade recorde de turistas argentinos viajando para o Brasil.

O recorde foi registrado apesar da valorização do real frente ao dólar e ao peso.
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