Arábia Saudita crucifica homem, elevando tensão sobre direitos humanos com Canadá

Na segunda-feira, Riad expulsou embaixador e chamou representante do país em Ottawa.

Da redação, Estadão Conteúdo,
EFE/MAST IRHAM
Peregrinos andam em volta da Kaaba, um dos passos da peregrinação a Meca, o lugar mais sagrado do Islã.

A Arábia Saudita executou e crucificou um homem de Mianmar condenado por matar uma mulher e por outros crimes. A pena deve acirrar as disputas com o Canadá, que criticou nos últimos dias Riad pelas violações de direitos humanos no reino. 

A agência estatal de notícias Saudi Press Agency noticiou nesta quarta-feira (8) que a execução foi conduzida na cidade sagrada de Meca. Ela afirmou que Elias Abulkalaam Jamaleddeen entrou na casa de uma mulher, também de Mianmar, e a esfaqueou até a morte. 

Ele foi condenado por roubar essa e outra casa, por tentativa de estupro e por roubo de armas e munição. A condenação foi confirmada por uma corte de apelações e sua execução apoiada pelo rei Salman. A Arábia Saudita é um dos países que mais executam prisioneiros, ainda que crucificações – que no país consistem em expor um corpo decapitado em cruz – sejam raras. 

Ainda hoje, o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, Adel al-Jubeir, disse que o Canadá sabe “o que tem de fazer” e o reino espera que o país “corrija” a sua postura, para que a crise diplomática aberta possa ser solucionada.

"Não há nada o que mediar. O Canadá sabe o que tem de fazer: tem de corrigir o que fez. Estamos à espera disso", destacou ele, em entrevista coletiva em Riad, ao falar sobre um possível processo de mediação entre os dois países para resolver a crise diplomática.

A ministra das Relações Exteriores do Canadá, Chrystia Freeland, pediu na semana passada, pelo Twitter, a libertação da ativista Samar Badawi, detida em 30 de julho, e a do irmão dela, Raif Badawi, condenado a 10 anos de prisão e a mil chibatadas por "insultar o Islã".

O governo saudita considerou a queixa canadense uma "ingerência". Na segunda-feira, expulsou o embaixador e chamou o representante do país em Ottawa para consultas. Além disso, suspendeu transações comerciais, investimentos, programas de cooperação em saúde e educação, e até os voos entre a capital saudita e Toronto.

Hoje, o Banco Central saudita ordenou a venda de todos os ativos canadenses que possui, segundo a imprensa do Canadá. A instituição deu ordens aos gerentes de fundos para se desfazer de todos os tipos de ações, bônus e outros ativos canadenses. 

"O Canadá tem de entender que o que fez é inaceitável para o reino e para os países árabes e as medidas adotadas até o momento por Riad servem para que o Canadá entenda isso", enfatizou Adel al-Jubeir.

O ministro reiterou que a Arábia Saudita não aceita ordens e ingerências de outros Estados em assuntos internos e indicou que para o reino "é difícil lidar com um país que se considera no direito de interferir no assunto dos outros".

Ele defendeu ainda a postura do reino com relação aos ativistas detidos, que estão sendo investigados por ordem judicial. "Isso não tem a ver com direitos humanos ou com defensores dos direitos humanos, mas com segurança do Estado", ressaltou o ministro, lembrando que quem provou não ter culpa já foi solto.

Segundo a ONG CGDH, com sede em Beirute (Líbano), 20 defensores dos direitos humanos, muitos deles ativistas em defesa dos direitos da mulher, foram detidos na Arábia Saudita desde meados de maio.

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