Apagão paralisa Venezuela e Maduro acusa EUA de sabotagem

Quedas de energia são comuns no país, sendo crônicos na região ocidental, embora venham se espalhando para outras áreas.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Manaure Quintero/Reuters

Um extenso apagão deixou Caracas e grandes regiões da Venezuela no escuro nesta quinta-feira (7), e o governo de Nicolás Maduro denunciou uma "sabotagem" contra a principal barragem de geração de energia elétrica no país.

De acordo com a imprensa, o apagão afeta a Venezuela toda, com cortes em 23 dos 24 estados, incluindo Zulia, Táchira, Mérida e Lara (oeste), Miranda, Vargas, Aragua e Carabobo (centro-norte), Cojedes (centro), Monagas e Anzoátegui (leste) e Bolívar (sul).

"Sabotaram a geração na (central hidrelétrica de) Guri... Isso faz parte da guerra elétrica contra o Estado. Não permitiremos", publicou no Twitter a estatal Corporação Elétrica Nacional (Corpoelec).

Guri, em Bolívar, é uma das maiores represas geradoras de energia da América Latina, atrás apenas da de Itaipu, entre Brasil e Paraguai.

A luz foi cortada em Caracas às 16H50 local (17H50 de Brasília), afetando amplas zonas da cidade e serviços como o metrô. O apagão afetou ainda o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, segundo o relato de passageiros nas redes sociais. Linhas telefônicas e internet têm serviços intermitentes.

A partida entre Deportivo Lara e Emelec do Equador pelo Grupo B da Copa Libertadores - prevista para esta noite em Barquisimeto - foi adiada para a tarde de sexta-feira.

Seis horas após o início do apagão, vários bairros de Caracas permaneciam sem energia, em meio a panelaços de protesto. Na capital, com altos índices de criminalidade, a população voltou para casa na luz do dia e quase não há atividade noturna.

"Já estamos cansados, esgotados", declarou à AFP Estefanía Pacheco, mãe de duas crianças, obrigada a andar 12 km entre seu trabalho como executiva de vendas, no oeste da capital, até sua casa, no oeste.

Os apagões são comuns na Venezuela, sendo crônicos na região ocidental, embora venham se espalhando para outras áreas.

Especialistas responsabilizam o governo socialista pela falta de investimentos na infraestrutura elétrica devido à grave crise econômica.

Horas após o início do apagão, o ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, afirmou que trata-se de uma "sabotagem criminosa, brutal", que busca deixar o país sem eletricidade por vários dias.

Segundo Rodríguez, a eletricidade já voltou a zona leste da Venezuela e nas próximas horas deverá ser restabelecida nas demais regiões.

No Twitter, o ditador Nicolás Maduro acusou os Estados Unidos: "A guerra elétrica anunciada e dirigida pelo imperialismo americano contra nosso povo será derrotada. Nada nem ninguém poderá vencer o povo de Bolívar e Chávez. Máxima união dos patriotas".

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