Alberto Fernández assume presidência da Argentina com desafio de reativar economia

Previsão é que novo presidente faça seu juramento ante o Congresso e depois dê posse aos ministros na Casa Rosada.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Emmanuel Fernández
O presidente da Argentina, Alberto Fernández, recebe os atributos das mãos do antecessor, Mauricio Macri.

O líder peronista Alberto Fernández assume a presidência da Argentina nesta terça-feira (10), com a missão de acertar o rumo de uma economia em crise, o que o obrigará a encontrar um equilíbrio delicado para lidar com grandes exigências tanto da população como dos investidores.

Com a presença de líderes e autoridades de alguns dos principais parceiros da Argentina, Fernández fez seu juramento como presidente por volta do meio-dia ante o Congresso e depois dará posse aos ministros na Casa Rosada.

Na histórica Praça de Maio, uma multidão aguarda com música e festejos as palavras do novo presidente.

Segundo o jornal argentino Clarín, pouco antes de assumir, Fernández falou à rádio Con Vos que "o cenário que temos é muito feio. É uma situação muito difícil para qualquer lugar que se olhe. Pensar que 4 em cada 10 argentinos são pobres, nota-se a dimensão do problema".

Com uma inflação acima dos 50% anuais, uma economia em recessão e uma pobreza próxima dos 40%, a renegociação de uma dívida pública de cerca de US$ 100 bilhões - que parece impagável no curto prazo - será essencial para o futuro de seu governo.

“O desafio de Fernández passa por criar as condições de confiança com uma manobra rápida para que a economia se ponha em marcha novamente, e isso vai depender do que fará com a dívida”, disse o analista político Julio Burdman.

Muitos investidores têm se mostrado inquietos com a probabilidade de que Fernández penda para uma regulação maior da economia, como fez sua vice-presidente, Cristina Kirchner, quando governou o país entre 2007 e 2015.

Por outro lado, qualquer ajuste na economia poderia lhe dificultar manter a coesão da aliança heterogênea de centro-esquerda que o levou ao poder, e por isso se espera uma mudança no que diz respeito às políticas de austeridade impulsionadas por seu antecessor, Mauricio Macri.

Vizinho brasileiro

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, negou que foi um "recuo" do governo enviar o vice-presidente, Hamilton Mourão, à posse de Fernández. O governo havia desistido de enviar um nome do primeiro escalão, mas recuou da decisão na tarde de segunda-feira. Questionado sobre a mudança de decisão, Bolsonaro disse: (Foi) porque eu decidi".

"Vocês falam em recuo o tempo todo, como se o governo que dá cabeçada por aí. Às vezes você toma uma decisão antes de acontecer, né", disse ele.

O presidente comparou o caso a um jogo de futebol. "Você vê técnico de futebol, muitas vezes o cara tá ali para entrar em campo, o cara se machuca, não é que errou, aconteceu um imprevisto. E na política tem imprevisto a todo momento."

Bolsonaro disse também que o Brasil não deseja brigar com ninguém. "Queremos fazer comércio com o mundo todo."

O presidente voltou a afirmar, no entanto, que Fernández deve ter dificuldades para governar. "A Argentina também polarizou. Parecido aqui no Brasil. O partido do Macri fez uma bancada grande. Vão ter problemas para impor a sua política, no caso o Fernández. Estou torcendo para que a Argentina dê certo. Se bem que os números dizem que vão ter mais dificuldade do que nós", ressaltou.

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