"Barreiras" enfrentadas pelos autistas norteiam audiência na Câmara Municipal

No Brasil, estima-se a existência de dois milhões de portadores do espectro.

Da redação, CMN,
Marcelo Barroso/CMN

A Câmara Municipal de Natal tratou na manhã de hoje (8), em audiência pública proposta pelo vereador Klaus Araújo (SD), sobre o fortalecimento de políticas de inclusão da pessoa com transtorno do espectro autista, que geralmente aparece nos três primeiros anos de vida e compromete as habilidades de comunicação e interação social.

O vereador Klaus relembrou que destinou emenda de R$ 250 mil no orçamento do município para a capacitação dos servidores municipais, no sentido de melhor atender a população autista, identificando e oferecendo tratamento diferenciado. "Precisamos definir como implementar essa emenda na capacitação porque é inadimissível que os profissionais da saúde, da educação e da assistência não consigam identificar e nem atender da forma correta a pessoa com espectro autista. As políticas públicas não estão sendo levadas às famílias", destacou o parlamentar.

Participaram do debate representantes da Saúde e Educação Estadual e Municipal, Associação dos Pais e Amigos dos Autistas do RN (Apaarn), Movimento Independente Pró Autismo do RN (MovipAutismo), autistas, familiares e apoiadores da causa. Os vereadores Fúlvio (SD) e Dinarte Torres (PMB) também colaboraram com as discussões. 

Durante a audiência foi defendido o fortalecimento da articulação em rede, envolvendo, além das áreas de saúde e educação, ações na área de esporte, lazer, cultura e assistência social, por exemplo. Após a audiência, os vereadores presentes se comprometeram a levar as demandas aos secretários de saúde, educação e assistência social para que indiquem representantes para manter um grupo de trabalho.

Liliane Monteiro, do MovipAutismo, e Adriana Gomes, presidente da Apaarn falaram das dificuldades que os pais e os autistas enfrentam para conviver em sociedade e cobraram efetividade nas ações. "Precisamos tirar as coisas do papel. Desde 2014 esperamos a efetivação das ações e serviços que o município não oferece. Não sabemos onde e nem com quem buscar os serviços que precisamos", disse Liliane. Atualmente a Apaarn atende 56 pessoas com autismo, entre 5 a 38 anos, mas a presidente da entidade ressaltou que há uma grande procura e que existe uma demanda reprimida com pessoas aguardando em lista de espera.

Em todo o mundo, cerca de 70 milhões de pessoas de todas as classes sociais e etnias são afetadas pelo autismo. No Brasil, estima-se a existência de dois milhões de portadores do espectro.

Tags: Câmara Municipal
A+ A-