Audiência discute alternativas para afastar maus torcedores dos estádios

Representantes de torcidas, federação, Ministério Público, Polícias Civil e Militar debateram sobre medidas para melhorar a segurança.

Da redação, Assembleia Legislativa,
João Gilberto/AL
Deputado estadual Ubaldo Fernandes relatou preocupação com o momento vivido no Rio Grande do Norte.

O futebol potiguar foi foco de discussão na tarde desta quinta-feira (5), na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Por iniciativa do deputado Ubaldo Fernandes (PL), representantes de torcidas, federação, Ministério Público, Polícia Civil e Polícia Militar debateram sobre alternativas para se melhorar a segurança no futebol do Rio Grande do Norte. Foi consenso entre os participantes que é preciso se incentivar a presença dos bons torcedores e buscar formas de punir os marginais que frequentam as praças esportivas.
 
Fazendo um breve histórico sobre o surgimento das torcidas organizadas no país, que existem desde 1929, Ubaldo Fernandes relatou preocupação com o momento vivido no Rio Grande do Norte. Os intensos e constantes confrontos entre grupos afastaram parte dos torcedores dos estádios e, no entendimento do parlamentar, precisam ser parados através de medidas eficientes conjuntas.
 
“Há mais de 700 grandes torcidas organizadas no país e 130 respondem pelos confrontos. É preciso que se faça o policiamento adequado, acompanhamento nas redes, cadastro e identificação dos torcedores, para impedir que os já punidos possam voltar aos jogos. Temos que nos preocupar com aquele torcedor reincidente, que passe não frequentar os estádios ou entorno para a prática de violência”, disse Ubaldo.
 
O promotor Luiz Eduardo Marinho representou o Ministério Público no debate. Torcedor declarado do América e frequentador de estádios desde criança, o promotor disse que o crime organizado se infiltrou nas torcidas organizadas do estado. Segundo ele, é tempo das instituições se unirem no objetivo de buscar uma solução ao problema, que afeta toda a sociedade, principalmente aqueles que querem ir ao estádio em segurança. Para isso, ele ressaltou a campanha para que os torcedores saibam que há punição em casos de transgressão.

“Esqueçam a cor da camisa. Estamos falando de segurança pública. O delegado, promotor, policial, jamais vai tomar uma decisão pensando em cor da camisa. Estamos imbuídos de uma missão e sempre abertos ao diálogo, com os clubes, dirigentes e as principais arenas”, relatou o promotor, que também anunciou que até abril deste ano espera que esteja elaborado um novo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) sobre as torcidas no estado.

Também participando do encontro, o representante da Polícia Militar, o comandante do BPChoque, Marlon de Góis, criticou a forma como os fatos de violência são relatados com relação à atuação da Polícia. Segundo ele, a PM deveria ser a última instituição a ser vista em um evento desses, mas, muitas vezes, é a única que aparece e, mais ainda, de forma negativa.

“É mais fácil se apontar o dedo para a PM do que para o criminoso. Queremos fazer com que o torcedor recreativo, verdadeiro, volte aos estádios. Para isso, precisamos trabalhar conjuntamente e punir os maus torcedores”, explicou.

Apesar de concordarem com as iniciativas de segurança, torcedores criticaram as restrições para que as torcidas organizadas de verdade façam a festa dentro dos estádios. Foi o fato relatado pelo presidente da Camisa 12, torcida do ABC, Idamylton Garcia. Segundo ele, apesar de ter ocorrido uma boa ação de segurança no mais recente clássico entre ABC e América, ele ficou triste pelo que viu nas arquibancadas.

“Até para fazer festas somos proibidos. Não conseguimos entrar com charanga, com papel picado por questões de segurança. Frequento os estádios desde pequenos e nunca vi alguém arremessar um instrumento. Esse tipo de situação afasta muito o torcedor. Tivemos uma final de turno com um público baixo, não tivemos nada na arquibancada além de nossas vozes.  E um dos motivos disso é que não promovemos um jogo, um clássico. Se falava em guerra, em desgraça”, disse o torcedor. Porém, a PM rebateu. “Foi o jogo mais feliz para o Batalhão de Choque, porque não tivemos nenhuma ocorrência grave e nenhum policial ou torcedor ferido”, rebateu o comandante do BPChoque.

Para mudar a realidade de medo nos estádios, o presidente da Federação Norte-Riograndense de Futebol, José Vanildo, cobrou rigor no cumprimento da lei contra os bandidos. Porém, ele quer que o futebol seja festejado.

“Temos que dar uma eficiência maior em divulgar a consequência da aplicação da lei. Tem que se publicar esses efeitos e avançar na educação da população. A maioria das pessoas é de gente de bem, aqueles que efetivamente amam o esporte. Não existe nada que se compare à ferramenta de futebol a se divulgar a imagem e qualquer meio. Aos maus, devemos tornar pública a aplicação da norma e da lei, mas sabemos que sem o MP e a PM não haveria futebol no Rio Grande do Norte”, disse Vanildo.

Após relatos de torcedores e dirigentes, o deputado Ubaldo Fernandes disse que o mandato estava à disposição e que acompanharia de perto a discussão acerca das medidas para que os maus torcedores sejam efetivamente impedidos de participar dos jogos.

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