O Judiciário e a visão sistêmica do conflito

Constelação familiar é utilizada em audiências conciliatórias, especialmente nas Varas de Família.

Glácia Marillac e Daniela de Medeiros,
Glácia Marillac
Juíza de Família, Virgínia Marques, conseguiu aumentar para 52.39% o índice de acordos, a partir da utilização de contelações familiares.

O Brasil está se tornando referencia mundial na utilização da constelação familiar em audiências conciliatórias, especialmente nas Varas de Família.  A prática já utilizada em 16 Estados e no Distrito Federal, é oferecida como tratamento adequado do conflito em conformidade com a Resolução nº 125/2010 do Conselho Nacional de Justiça.

No Rio Grande do Norte a juíza Virgínia Marques, da 6ª Vara da Família e Sucessões da Comarca de Natal, conseguiu aumentar para 52.39% o índice de acordos. Porcentagem expressiva tendo em vista que a média de conciliação nacional é de 12%, segundo últimos dados divulgados pelo CNJ.

"Observei que precisava investir em algo além dos recursos jurídicos para promover a aceitabilidade de conciliação entre as partes. Anos de estudo de Jurisdição e Psicanálise, aliado ao trabalho da constelação familiar promoveram esse aumento do índice de acordos. A nossa média, recentemente contabilizada agora no final de 2018, é de 1025 audiências e 537 acordos”.

Antenada com a importância da precisão dos dados, a magistrada Virgínia Marques ressaltou: “Ainda em meados de 2015, a resolutividade se apresentava promissora. Sem a informatização do Judiciário, já era possível estimar os resultados em 30% e 70%, media nacional e da vara, respectivamente.

Com os recursos tecnológicos, hoje os dados são precisos e o panorama se confirma havendo uma diferença maior da ordem de 0,34% a partir do comparativo e perspectiva inicial. O que considero outro dado importante é que até hoje não houve reincidência para estes casos". Relatou satisfeita a juíza potiguar que está conquistando importante destaque nacional pelas metas alcançadas.

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Em Maceió, o juiz da Vara Criminal Claudio Lopes, que veio recentemente ministrar um curso em Natal sobre o Constelação Familiar no Judiciário, já utilizou o pensamento sistêmico inclusive entre os presidiários. “ No nosso primeiro contato eles estavam meio cismados, mas logo começaram a participar das dinâmicas e deram depoimentos emocionantes. Diante do resultado, vamos ampliar o trabalho agora em 2019 dentro do processo de ressocialização”, concluiu o magistrado.

A constelação familiar é considerada como uma ciência das relações humanas criada pelo alemão Bert Hellinger na década de 80. Desde então, vem trazendo soluções para muitas pessoas ao redor do mundo e isso não acontece apenas na área do Direito.

Diante dos resultados incontestáveis, já está incluída oficialmente no SUS através da portaria 702, de 21/03/2018 do Ministério da Saúde como técnica integrativa e complementar. A constelação é também utilizada por terapeutas em relacionamentos, finanças e demais áreas da nossa vida.

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No Primeiro Congresso Internacional de Constelação Familiar realizado em São Paulo, o juiz Sami Storch, da Comarca de Itabuna- BA e precursor da utilização da Constelação Familiar no judiciário brasileiro, realizou durante o Congresso uma vivência em que o cliente lutava na justiça há mais de dez anos pela guarda do filho.

De acordo com o magistrado, a briga entre um casal, que um dia se amou, significa que algo não foi expresso no momento da separação. Ele também citou a possibilidade de existir algum emaranhamento que vem se estendendo a várias gerações e é revelado no conflito entre homem e mulher. “Os filhos têm o direito de amar ambos: pai e mãe, sem precisar escolher”, afirmou o juiz.


Confira o vídeo:


AMS

Tags: audiências conciliatórias Bert Hellinger constelação familiar pensamento sistêmico Virgínia Marques
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