Henrique Alves presta depoimento à Justiça Federal

Ex-deputado foi ouvido pelo juiz Francisco Eduardo Guimarães, em processo da Operação Manus.

Da redação, Justiça Federal,

O ex-deputado e ex-ministro Henrique Eduardo Alves (MDB) prestou hoje (9) novo depoimento à Justiça Federal. Ele foi ouvido pelo juiz da 14ª Vara Federal, Francisco Eduardo Guimarães e negou todas as acusações atribuídas a ele durante a Operação Manus, deflagrada em junho de 2017 e que investiga desvios nas obras de construção da Arena das Dunas, sede da Copa do Mundo de 2014 na capital potiguar. As fraudes somam 77 milhões de reais, segundo os investigadores.

“Acredito que o Ministério Público não agiu por má-fé, e sim por desinformação. Em toda a minha vida pública, nunca pratiquei esses atos que constam na denúncia”, declarou Henrique Alves, que responde pelos crimes crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

A apuração da Operação Manus é consequência da análise de provas colhidas em várias etapas da Operação Lava Jato, principalmente a partir da quebra dos sigilos bancário e fiscal de Henrique Alves e dos depoimentos de delatores da empreiteira Odebrecht, homologados em janeiro pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Durante a oitiva, o juiz federal Francisco Guimarães questionou ao ex-deputado se ele e Eduardo Cunha teriam recebido em 2012, da OAS, R$ 700 mil em doações, para que atuassem em favor da empresa na aprovação da Lei Complementar 283/2013, que trata da privatização dos Aeroportos do Galeão (RJ) e Cofins (MG).

Henrique Alves alegou não ser responsável, enquanto presidente da Câmara Federal que era, na época, por negociar emendas. "Não cabia a mim nessa função negociar emendas nem p andamento dos projetos, mas apenas colocá-los em pauta. E assim eu fiz", afirmou. Ele também destacou que o presidente da Câmara não vota os projetos.

Também durante o depoimento, Henrique Alves admitiu ter recebido dinheiro para a campanha eleitoral de 2014 através de caixa 2, enviado pela empreiteira Odebrecht. “A empresa teria chegado ao limite legal. As doações podem sim ter vindo de fontes não oficiais. Mas é incrível que em nosso país, haja a criminalização da política. A generalização é ruim”, disse.

A doação da Odebrecht foi R$ 2 milhões, segundo a investigação. Na denúncia contra Henrique Alves, o pagamento teria sido feito para que, em troca, o ex-ministro, que na época tentava se eleger governador do Estado, privatizasse a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern). Quanto a isso, o ex-deputadoafirmou que a acusação não procede.

De acordo com o juiz federal, como o caixa 2 trata-se de crime eleitoral, que não consta na denúncia da Operação Manus, as declarações de Henrique Alves sobre esse assunto não seriam levadas em consideração no depoimento.

Os depoimentos serão retomados na próxima sexta-feira (13), quando vai depor à Justiça Federal o ex-deputado federal Eduardo Cunha, última pessoa envolvida no processo. Ele falará por intermédio de videoconferência.

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