Gabinete de Flávio empregou mãe de PM suspeito de chefiar milícia

Raimunda Veras Magalhães foi contratada por indicação de Fabrício Queiroz.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Sergio Moraes
Em nota oficial, Flávio Bolsonaro afirmou que “continua sendo vítima de uma campanha difamatória com objetivo de atingir o governo de Jair Bolsonaro”.

O deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL) empregou em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) a mãe do capitão da Polícia Militar Adriano Magalhães da Nóbrega, alvo de um mandado de prisão acusado de comandar uma milícia no Estado.

Em nota, o filho do presidente Jair Bolsonaro disse que Raimunda Veras Magalhães, mãe do capitão da PM, foi contratada por indicação de Fabrício Queiroz, investigado criminalmente pelo Ministério Público Estadual após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificar movimentações atíticas do ex-assessor de Flávio. Raimunda aparece no relatório do Coaf por ter repassado R$ 4600,00 para a conta de Queiroz.

Uma força tarefa da Polícia Civil do Rio e do Ministério Público do Estado cumpre desde o início da manhã desta terça, 22, 13 mandados de prisão contra apontados por prática de milícia que atuam na zona oeste do Rio. Eles são acusados de grilagem, construção, venda e locação ilegais de imóveis, receptação de carga roubada e extorsão, dentre outros crimes.

O deputado estadual e agora senador eleito homenageou Nóbrega - que está foragido - e outro PM (o major Ronald Paulo Alves Pereira) que estão entre os 13 alvos da Operação Intocáveis

Eles receberam , em 2003 e 2004, na Assembleia Legislativa do Rio, por indicação de Flávio, respectivamente, a Medalha Tiradentes - maior honraria do Estado - e uma menção honrosa, com elogios à sua atuação como policiais.

Segundo o jornal O Globo, o gabinete de Flávio Bolsonaro empregou também Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, mulher do capitão da PM. A Assembléia do Rio informou que a mãe do capitão da PM trabalhou no gabinete de Flávio de 11 de maio de 2016 até 14 de maio de 2018. Danielle, por sua vez, foi nomeada em 6 de setembro de 2007 e exonerada e 14 de novembro de 2018. Ambas pertenciam à categoria CCDAL-5 (com salário de R$ 6.490,35).

Em nota oficial, Flávio Bolsonaro afirmou que “continua sendo vítima de uma campanha difamatória com objetivo de atingir o governo de Jair Bolsonaro” e responsabilizou o ex-assessor pela contratação de uma das funcionárias.

“A funcionária que aparece no relatório do Coaf foi contratada por indicação do ex-assessor Fabrício Queiroz, que era quem supervisionava seu trabalho", diz Flávio. "Não posso ser responsabilizado por atos que desconheço, só agora revelados com informações desse órgão. Tenho sido enfático para que tudo seja apurado e os responsáveis sejam julgados na forma da lei. Quanto ao parentesco constatado da funcionária, que é mãe de um foragido, já condenado pela Justiça, reafirmo que é mais uma ilação irresponsável daqueles que pretendem me difamar. Sobre as homenagens prestadas a militares, sempre atuei na defesa de agentes de segurança pública e já concedi centenas de outras homenagens. Aqueles que cometem erros devem responder por seus atos.”

Caso anterior

Esta é a segunda vez nos últimos meses que policiais denunciados pelo Ministério Público acusados de ligação com o agora senador eleito pelo PSL têm prisão decretada por suposta ligação com milícias. Em setembro do ano passado, foi revelado que outros dois PMs presos haviam trabalhado na campanha dele e foram para a prisão, sob a mesma suspeita. 

Na ação desta terça, os denunciados são apontados como integrantes de uma milícia que atua nas comunidades de Rio das Pedras, Muzema e adjacências, todas na zona oeste. Os agentes também estiveram em endereços dos denunciados e de algumas empresas relacionadas ao grupo criminoso.

Em dezembro passado, o general Richard Nunes, então secretário estadual de Segurança Pública do Rio, revelou  que milicianos ligados à grilagem de terras e que atuam na zona oeste da capital haviam ordenado a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL). No crime, ocorrido em março, morreu também o motorista Anderson Gomes.

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