Bragantino aproveita parceria com a Red Bull e renasce no futebol nacional

Com acesso à Série A, time de Bragança procura resgatar o prestígio dos anos 1990.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Twitter/Bragantino
Clube passou a ser chamado de Red Bull Bragantino e recebe investimento da marca austríaca de bebidas energéticas.

Com a classificação à Série A do Campeonato Brasileiro garantida para 2020, o Red Bull Bragantino dá mais um passo para resgatar o espaço que já ocupou no futebol nacional. O Massa Bruta, como é conhecido, viveu seu auge no início da década de 1990.

O time foi campeão brasileiro da Série B (1989), conquistou o título paulista (1990) e foi vice-campeão brasileiro (1991). A volta à elite no ano que vem recoloca, portanto, a cidade de Bragança Paulista no mapa do futebol brasileiro.

O Bragantino começou a se projetar no cenário nacional em 1990. A cidade, distante 90 km da capital paulista e com 168 mil habitantes, deixou de ser conhecida apenas pelas belezas naturais e pela linguiça.

Com um time recheado de bons jogadores e um treinador em ascensão (Vanderlei Luxemburgo), o time protagonizou uma final caipira com o Novorizontino para decidir o Campeonato Paulista daquele ano.

Foi uma das raras vezes da história do Paulista na qual o título foi decidido entre clubes do interior, sem contar o Santos. A outra foi em 2002, quando nenhum dos quatro grandes participou. Diante de um estádio Marcelo Stéfani lotado, as equipes empataram por 1 a 1, resultado que deu ao Bragantino seu primeiro e único título estadual. A boa campanha revelou ao Brasil ídolos como Vanderlei Luxemburgo, técnico na conquista, e os volantes Pintado e Mauro Silva.

Depois da decisão, as equipes seguiram caminhos diferentes. O Bragantino se manteve como potência e chegou à final do Campeonato Brasileiro de 1991, sendo derrotado pelo São Paulo. Os anos de 1993 e 1994 foram de campanhas regulares.

Nos Campeonatos Brasileiros, o time termina em 19º em 1993, fruto do confuso regulamento desta edição, e em oitavo, no ano de 1994. E acaba sendo desclassificado novamente na primeira fase da Copa Conmebol, pelo Botafogo.

Depois de vários anos de disputa da Série B, inclusive com uma queda para a Série C, o time começou a se reerguer a partir de 2005. O Bragantino disputa a Série A-1 do Campeonato Paulista desde 2016. Hoje, o departamento de futebol é gerido pela Red Bull em um modelo de co-gestão. O primeiro objetivo era retornar à elite. Os próximos – e ambiciosos – passos são a conquista de uma vaga na Libertadores dentro de cinco anos.

Luxemburgo e Parreira

O time começou a se estruturar graças ao apoio da família Abi Chedid, especialmente Nabi Abi Chedid, deputado estadual influente no meio esportivo que realizou contratações importantes, como Ivair, Nei, Luis Müller e Victor. O time conseguiu o título da segunda divisão do Campeonato Paulista de 1988. No ano seguinte, ele foi buscar um novo treinador na Arábia Saudita chamado Vanderlei Luxemburgo, antigo lateral-esquerdo do Flamengo e do Internacional. O time contratou vários jogadores do Guarani, como Gil Baiano, Mauro Silva, Júnior, Mário e Zé Rubens.

Vanderlei Luxemburgo teve passagem marcante pelo time de Bragança. Depois do título de 90, Luxemburgo foi treinar o Flamengo. A partir daí, passou pelos principais clubes do país, como Palmeiras, Corinthians, Flamengo, Santos e Cruzeiro. Em sua lista de títulos, acumula cinco campeonatos brasileiros. Também teve passagens pela seleção brasileira e chegou a treinar o Real Madrid.

Com Parreira, que assumiu o time em 1991, o time manteve a pegada competitiva e se mostrou letal nos contra-ataques. O elenco foi preservado e esse planejamento deu resultado: após terminar em segundo lugar na primeira fase do Brasileirão de 1991 o time se classifica para as semifinais do campeonato nacional daquele ano, enfrentando o Fluminense. O Massa Bruta enfrentou e eliminou o Tricolor Carioca no Maracanã perante mais de 70.000 pessoas e se classificou para a grande final, ficando frente a frente com o São Paulo.

Destaques

Mauro Silva
Em três anos no clube, o volante conseguiu o acesso no campeonato nacional em 1989, venceu o inédito Campeonato Paulista em 1990 e o vice Brasileiro de 1991. Nesta época, o Braga era treinado por Carlos Alberto Parreira, que levou Mauro para a seleção como seu homem de confiança. O volante foi vendido pelo Bragantino ao La Coruña, da Espanha, em 1992, onde ficou até 2005. Atualmente é um dos dirigentes da Federação Paulista de Futebol.

Pintado
O volante estava desacreditado quando chegou ao Bragantino em 1989. Já tinha passado pelo São Paulo, mas o desempenho não tinha agradado. Chegou ao Massa Bruta e ganhou posição. No jogo do título da final caipira não entrou em campo. Seguiu no Braga até 1991, quando o São Paulo lhe ofereceu um novo contrato a pedido de Telê Santana. A partir daí, foi fundamental nas conquistas das Libertadores de 1992 e 1993, além do Mundial de Clubes de 1992. Chegou a ser técnico interino do São Paulo.

Estrutura

Bragantino possuía estrutura de dar inveja a muito time da primeira divisão. A diretoria investiu em grandes nomes da fisioterapia (Luiz Rosan), preparação física (Luis Carlos Prima), nutrição e medicina (Marco Aurélio Cunha). O estádio Marcelo Stefani, hoje Nabi Abi Chedid, recebeu novas arquibancadas.

O Bragantino de hoje

O clube passou a ser chamado de Red Bull Bragantino e recebe investimento da marca austríaca de bebidas energéticas. O negócio traz benefícios para os dois lados. A partir da parceria, os dois times disputam a Série B e aceleraram a chegada à Primeira Divisão com um aporte financeiro da ordem de R$ 40 milhões. O escudo do Bragantino foi mantido, com uma grande logomarca da parceira. O presidente da equipe é Marquinho Chedid, do Bragantino, mas a gestão técnica e operacional do futebol pertence à Red Bull.

O time treina no CT da Red Bull, na cidade de Jarinu, próximo a Campinas, mas manda todas suas partidas no estádio Nabi Abi Chedid, em Bragança Paulista. Atualmente, tem a quarta melhor média de público da Série B, com pouco mais de 6.000 torcedores por jogo.

O grande desafio de 2020 é se manter na elite

“Acompanhando um pouco a Série A, vejo que temos uma base muito forte para disputar o campeonato no ano que vem. É um campeonato diferente, com pelo menos dez grandes equipes, é superdifícil. Temos uma base forte para o ano que vem, mas vejo que o primeiro objetivo é permanecer na Série A, fugir do rebaixamento. E é importante que todos estão cientes disso aqui no clube, então é um bom caminho andado para que ano que vem possa ter tranquilidade para trabalhar caso realmente a gente confirme o acesso”, disse o técnico Antônio Carlos Zago.


Tags: Futebol
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