Alckmin diz que não há chance de o PSDB trocar nome ao Planalto: 'Isso não existe'

Pré-candidato tucano à Presidência está sob pressão de aliados devido ao desempenho ruim nas pesquisas de intenção de voto.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Minervino Júnior/CB/D.A Press
Pré-candidato à Presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin disse que, se eleito, pretende privatizar o máximo de empresas que puder.

O pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, disse nesta quarta-feira (6), que não há possibilidade de seu partido trocar o nome que vai disputar o Palácio do Planalto. "Isso não existe", afirmou ele. "Agora, claro que tudo está nas mãos de Deus e eu preciso estar vivo."

Sob pressão de aliados e sem conseguir crescer nas pesquisas de intenção de voto, Alckmin chegou a se irritar com correligionários do PSDB, em jantar na segunda-feira, perguntando se queriam mudar o candidato ao Palácio do Planalto. "Não tem estresse. Todo partido grande tem divergência. Isso é natural", respondeu ele, ao ser questionado sobre o assunto na sabatina do jornal Correio Braziliense.

Indagado se as investigações que atingem o senador Aécio Neves (PSDB), alvo da Lava Jato, não prejudicam ainda mais sua campanha, Alckmin disse que "o PSDB não passa a mão na cabeça de ninguém". Em seguida, partiu para a ofensiva contra o PT. "Quem cometeu erro paga por seu erro. Somos diferentes dos que fazem campanha à beira de penitenciária e querem eleger um imperador", afirmou, numa referência indireta ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba.

Ao ser perguntado se adotaria em relação ao ex-presidente Fernando Henrique o mesmo tratamento defendido para Aécio Neves sobre investigações, o ex-governador não titubeou. "Se precisar investigar, investigue-se. Todos estão submetidos à lei. Ninguém está acima da lei", respondeu ele, ao comentar a notícia de que Fernando Henrique recorreu ao empresário Marcelo Odebrecht com o objetivo de conseguir fundos para a campanha dos tucanos Antero Paes de Barros e Flexa Ribeiro ao Senado, em 2010.

Na sabatina, Alckmin também tentou se desvincular de Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa, acusado de ser operador do PSDB. Disse que o risco de seu nome ser citado em uma delação é "zero". Quando jornalistas lhe perguntaram sobre o impacto de Paulo Vieira em sua campanha, ele respondeu: "Nenhum. Ele mesmo já disse que nunca me cumprimentou na vida".

Presidente do PSDB, Alckmin disse que, se eleito, pretende privatizar o máximo de empresas que puder. "Mas  eu não vou privatizar o Banco do Brasil, não vou privatizar a prospecção de petróleo da Petrobras. Agora, a TV do Lula, o trem bala, que não tem trem... Temos de ter mais disputa de mercado e mais competitividade", argumentou.

O ex-governador ironizou comentários de que é preciso um outsider para ganhar a confiança do eleitor. "O que é o novo na política? É a idade? É ter 30 anos, não ter 60? Eu sou forjado com o povo. Não sou filho da fortuna pessoal nem da dinastia política." Com dificuldades para fechar alianças, Alckmin disse que está procurando firmar acordo com partidos que não têm candidatos.

Deputados do DEM chegaram a assinar, nesta terça-feira (5), o manifesto Por um Polo Democrático e Reformista, uma iniciativa do PSDB e do PPS para pregar a unidade do centro político, mas acabaram voltando atrás. Na tentativa de conter o mal estar, Alckmin elogiou o DEM e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), pré-candidato do partido. Em recente entrevista ao Estado, Maia admitiu que o casamento entre o PSDB e o DEM "está terminando".

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