MEC vai aumentar nota de universidade privada que ceder espaço ao governo

Programa, que vai ser chamado de Educação em Prática, deve ser lançado hoje, às 15h.

Da redação, Estadão Conteúdo,
MEC/Divulgação
Programa "Educação em Prática", que será lançado pelo MEC, é uma tentativa do governo de fazer algo com relação à reforma do ensino médio.

O Ministério da Educação (MEC) deve lançar hoje um programa para aumentar a nota de universidades particulares que oferecerem seus espaços ociosos ao governo. A avaliação do ensino superior privado feita pelo MEC é hoje a principal maneira da sociedade verificar a qualidade dos cursos e um importante componente no mercado concorrido do ensino privado. Agora, vai se sair melhor a instituição particular que permitir que o governo use seu laboratório para receber alunos do ensino médio público.

O programa, que vai ser chamado de Educação em Prática, é uma tentativa do governo de fazer algo com relação à reforma do ensino médio, aprovada em 2017. Além disso, é uma justificativa para ter encerrado em agosto o programa de ensino integral.

Por meio da reforma do ensino médio, as escolas públicas precisam diversificar seus currículos e oferecer caminhos opcionais para os estudantes, além das disciplinas obrigatórias. Entre eles estão: Linguagens, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Sociais e Formação Técnica e Profissional.

Será aí que a universidade vai entrar para ganhar seus pontos a mais. Ela oferecerá espaço para esses chamados “itinerários formativos” acontecerem. Críticos da proposta dizem que a ideia até seria menos pior se não condicionasse essa ajuda a pontos no Sinaes, o sistema de avaliação do ensino superior do MEC.

A regulação das universidades privadas é uma das grandes moedas de troca do MEC e que mais sofre lobby. Fontes disseram que há alguns donos de instituições paulistas que exercem forte influência sobre o próprio ministro Abraham Weintraub.

No mês passado, o ministro demitiu o titular da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres), Ataíde Alves, que não estaria agradando dirigentes e donos de faculdades particulares por falta de agilidade na liberação de novos credenciamentos.

Outro motivo que teria levado à demissão de Ataíde seria justamente que ele dificultava o andamento do programa que vai ser lançado hoje. A proposta foi inicialmente apresentada, sem detalhes, em agosto.

Ele também teria travado as discussões para desburocratizar o processo de regulação, contrariando o que vem defendendo o ministro. Em eventos do setor, Weintraub defende uma autoregulação das faculdades privadas com a mínima interferência do Estado.

Tags: Educação em Prática lançamento de programa MEC
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