Escolas devem quebrar barreira e abordar depressão infantil com pais e estudantes

Aumento do problema deve-se às mudanças sociais, principalmente nas relações familiares e no excesso de atividades.

Da redação,
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 Apesar de a incidência ter aumentado nos últimos anos – até 3% da população de 0 a 17 anos –, a depressão infantil continua pouco discutida dentro do ambiente escolar em Natal. Muitas escolas da capital resistem em abordar o tema quando deveriam fortalecer o diálogo sobre essa e outras questões emocionais infanto-juvenis. É o que defende a psicóloga Íris Araújo, para que se quebre barreiras em favor da saúde emocional de crianças e adolescentes.

A especialista tem participado de projeto pioneiro em Natal, entitulado de “Estou aqui, olhem para mim!” e desenvolvido pelo Complexo Educacional Contemporâneo. Segundo ela, a iniciativa, que conta com a participação de pais e do diácono Mano, ajuda na prevenção e combate à depressão infantil por meio do diálogo e da informação, envolvendo ainda os próprios estudantes.

Íris explica que essas abordagens devem se repetir em outras instituições de ensino. O aumento da depressão infantil, de acordo com ela, deve-se às mudanças sociais que vem ocorrendo, principalmente nas relações familiares, na forma de educar, no imediatismo e no excesso de atividades. As redes sociais e a cobrança exagerada em relação ao desempenho escolar também estão entre as razões apontadas por ela.

“A adolescência é uma fase repleta de transformações, gerando diversas questões emocionais, entre as mais incidentes estão os conflitos relacionados ao corpo, à sexualidade, à construção de identidade e a aspectos ligados à autoestima. Essas questões, quando não cuidadas, podem evoluir para quadros mais complexos como a depressão e a ansiedade. O desenvolvimento pode ser acionado por qualquer gatilho, como separação dos pais, luto, bullying abandono e abuso físico ou psicológico”, explica a psicóloga durante os encontros do projeto.

Ela destaca ainda que, na infância, os sintomas de depressão e ansiedade podem ser confundidos com outros quadros como o TDAH, rebeldia e problemas de aprendizagem. Já na adolescência são confundidos com caraterísticas típicas dessa fase de desenvolvimento. Por isso, a especialista diz que os pais devem ficar atentos a sinais como queda de rendimento escolar, baixa autoestima, tristeza, isolamento, agressividade, problemas relacionados ao sono e queixas constantes de dores. Assim, o diagnóstico correto poderá ser feito e o estudante devidamente tratado.
Tags: Comportamento Educação
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