Servidor público federal ganha no Brasil, em média, o dobro da iniciativa privada

Nos Estados, segundo estudo do Banco Mundial, salários são 36% mais altos.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Divulgação
Banco Mundial aponta que o gasto do setor público brasileiro com folha de salários é alto para os padrões internacionais.

Os servidores públicos federais ganham no Brasil em média quase o dobro (96%) dos trabalhadores que exercem função semelhante nas empresas do setor privado. O chamado “prêmio salarial” do funcionalismo do governo federal é o mais alto numa amostra de 53 países pesquisados pelo Banco Mundial (Bird).  

Nos Estados, os salários são 36% mais elevados. Nos municípios não há diferença salarial em relação à iniciativa privada.   

Em contrapartida aos salários inflados, o estudo do banco “Gestão de Pessoas e Folha de Pagamentos no Setor Público Brasileiro – O que dizem os dados?”, lançado nesta quarta-feira, 9, em conjunto com o Ministério da Economia, aponta que há alta dispersão salarial e desigualdade dentro das carreiras do funcionalismo público.   

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Para o banco, a política salarial dos próximos anos será decisiva para as finanças públicas no País. Em 2019, 44% dos servidores do Executivo recebem mais de R$ 10 mil por mês; 22% acima de R$ 15 mil; e 11% mais de R$ 20 mil. Há ainda 1% dos servidores que conseguem ganhar acima do teto salarial do funcionalismo de R$ 33,763, que é baseado nos salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

O banco aponta que o gasto do setor público brasileiro com folha de salários é alto para os padrões internacionais, embora o número de funcionários públicos no Brasil não seja extraordinariamente elevado na comparação internacional.

Na última década, o principal propulsor do crescimento da folha de pagamentos do setor público foi o aumento salarial muito superior à inflação. O Brasil gasta por ano 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para pagar os salários e vencimentos de 11,5 milhões de servidores ativos da União, Estados e municípios.

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Em 2017, os valores pagos pelas três esferas de governo (Executivo, Legislativo e Judiciário) somaram R$ 725 bilhões. Em 20 anos, o número de servidores aumentou 82,4%, passando de 6,26 milhões para 11,5 milhões. Entre 2007-2017, o gasto com servidores públicos teve expansão de  48% acima da inflação do período. No governo federal, o gasto com pessoal ativo cresceu 2,5% anualmente de 2008 a 2018.

Na comparação internacional, o estudo indica que o setor público brasileiro gasta mais do que o de países vizinhos: em 2013, enquanto o governo federal alocou cerca de 4,3% do PIB com salários,  México pagou 1,6%, Colômbia, 2,3% e Argentina, 2,5%.

Os reajustes concedidos, mesmo em períodos de queda da arrecadação, é que levaram aos elevados salários, sugere o relatório do Bird.  Realizado a pedido do Ministério da Economia, o estudo traz um diagnóstico recheado de problemas na folha de pessoal no Brasil, como altos salários iniciais, muitas carreiras, rápida ascensão e mecanismos de pagamentos por desempenho que não diferenciam funcionários e que desestimulam a busca por eficiência e maior produtividade.

Os reajustes também  não são iguais entre as diversas categorias, o que acentua as desigualdades. As diferenças persistem mesmo quando são comparados servidores de uma mesma carreira e com igual tempo de trabalho.

Tags: diferença salarial servidores públicos federais
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