Planos com co-participação surgem como alternativa das operadoras

Além de manter a cartela dos conveniados, no formato da co-participação os planos recebem adesão de clientes de todas as classes.

Marília Rocha,
Marília Rocha/Nominuto.com
José Gurgel, diretor técnico da Unimed.
O quadro da assistência à saúde em todo o Brasil vem travando desafios, tanto no setor público, quanto no setor privado. Para tentar minimizar os efeitos dos gastos mensais em relação aos investimentos em infraestrutura e pesquisa, os planos têm usado a co-participação como ferramenta para atrair novos clientes.

A co-participação significa que o cliente e o plano de saúde participam do pagamento dos procedimentos médicos, como a consulta, por exemplo. Conversamos com o diretor técnico da Unimed, José Gurgel sobre esses e outros assuntos. Confira a entrevista.


Nominuto - Os planos com co-participação hoje funcionam como uma alternativa para quem não pode pagar o valor completo dos planos de saúde. Como a operadora avalia o crescimento da co-participação?
José Gurgel - A co-participação é uma modalidade que existe, é uma opção a mais para o usuário. É interessante para aquele usuário que usa pouco o plano, vai pagar menos e quando precisa usar em uma consulta, vai pagar um valor pequeno. Para a empresa é uma ferramenta a mais para atingir um usuário que usa pouco o plano e tem possibilidade de pagar menos na mensalidade e investir em outra coisa, como uma previdência privada. Em caso de emergência, no hospital, todas as necessidades são cobertas e esse modelo é seguido por todas as operadoras e o usuário paga uma tarifa para usar o hospital.

Nominuto - Hoje em dia a saúde em todo o Brasil sofre com a “judicialização” que onera os setores públicos e privados, onerando, principalmente as empresa. A Unimed também sofre com os processos dos clientes?
José Gurgel - Com a regulamentação dos planos de saúde em 1999 pela Agência Nacional de Saúde, a ANS, os processos têrm diminuído, mas ainda há distorções para quem tem os planos feitos antes desse período. Em meados de 2011, saiu uma resolução normativa da ANS estimulando os clientes a regulamentar seus planos de saúde. Então, o que há ainda é uma falta de entendimento para os planos feitos antes de 1999, mas 70% dos usuários estão regulamentados.

Nominuto - Para as operadoras de saúde, qual o perfil do “bom” usuário?
José Gurgel - A finalidade dos planos de saúde é cuidar dos usuários. Não existe um perfil do usuário bom ou ruim. Hoje, os planos de saúde no Brasil atendem 47 milhões de vidas, dos 190 milhões de brasileiros. Então, o que queremos cuidar é da vida de cada um deles.

Nominuto - Em relação ao aumento das tarifas dos planos de saúde para os clientes. Qual o percentual aplicado pelos planos?
José Gurgel - O índice de reajuste fica em 7,69%, percentual parecido com o da inflação que hoje é de 6,5%. De acordo com o reajuste que a ANS impõe é pequeno para a avalanche de gastos que a medicina moderna tem.

Nominuto - Quais são as novidades na operadora para este ano?
José Gurgel - A Unimed investe na verticalização, serviços próprios como unidades de atendimento, hospitais próprios, serviços de diagnósticos e unidades de pediatria e consultórios. Hoje somos 372 unidades independentes no Brasil e mais de 100 hospitais acreditados.

Nominuto - Quais os dados da Unimed em relação a quantidade de usuários e médicos cadastrados no Rio Grande do Norte?
José Gurgel - A Unimed é a líder em número de médicos fazendo atendimento aos planos de saúde e dos mais de 300 mil médicos no Brasil, 110 mil médicos são cooperados na Unimed. Dos mais de 5 mil médicos atuantes no Rio Grande do Norte, 1.500 são cooperados da Unimed, atendendo em clínicas e hospitais.
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