Justiça, dessa vez, não mudou os rumos das eleições

Ao contrário de 2003, desta vez foram os indeferimentos dos pedidos que marcaram o dia da votação.

Karla Larissa,
Vlademir Alexandre
Azevedo foi reeleito por 22 a 5
A Justiça mais uma vez foi definitiva nas eleições da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern). Mas ao contrário de 2003, desta vez foram os indeferimentos dos pedidos que marcaram o dia da votação. Durante todo o dia, a chapa de oposição, encabeçada por Sílvio Bezerra tentou na Justiça do Trabalho cancelar as eleições ou pelo menos a participação de Flávio Azevedo. Mas, no fim da apuração, as previsões foram confirmadas: Azevedo venceu por 22 votos a 5.

A eleição, que começou às 10h, manteve durante todo o dia o clima de tranqüilidade, no local da votação. A maioria dos eleitores votou no período da manhã. O presidente reeleito, Flávio Azevedo, chegou ao auditório da Fiern antes da deflagração do processo, às 09h45, para acompanhar toda a votação.

O único momento de tensão foi durante a votação do secretário Estadual de Turismo, Fernando Fernandes, que representou o presidente do Sindicato das Indústrias Gráficas do Rio Grande do Norte, Alexandre Firmino, que está fora do país. A legitimidade do voto de Fernandes foi contestada pelo presidente da mesa eleitoral, Marcos Guedes, provocando um princípio de confusão, que foi desfeito com a apresentação de uma carta do Sindigraf dando legitimidade à representação do empresário. 

No entanto, nos bastidores, o clima de apreensão era maior, pois as chapas ainda aguardavam as decisões judiciais. Ainda pela manhã, a Justiça indeferiu os mandados de segurança das duas chapas, a de situação que pedia a manutenção das impugnações e conseqüentemente, a saída da chapa de Sílvio Bezerra do pleito; e a da chapa de oposição, que pedia a retirada da chapa 1 do processo eleitoral, alegando irregularidade pelas participações de Flávio e Sérgio Azevedo. 

Justiça

Descontentes com a decisão, os membros da chapa de oposição entraram com um novo pedido de cancelamento das eleições na 8ª vara do Trabalho, mas a juíza Fátima Cristiane, também indeferiu no início da tarde. Sem desistir, a chapa ainda tentou conseguir, por volta das 14h30, que a juíza julgasse o pedido de cancelamento da participação da chapa 1, antes do final da eleição. Mas, faltando uma hora e meia para o fim da votação não houve tempo suficiente para que a documentação fosse autenticada em cartório.

Às 15h48, sem decisões favoráveis na Justiça, Sílvio Bezerra acompanhado do presidente do Sindicato da Fiação e Tecelagem do RN, Marinho Herculano e do presidente do Sindicato dos Minerais não Metálicos do RN, Marcelo Porto, chegaram para a votação. 

Resultado

Após a votação dos três membros da chapa 2, foi dado início ao processo de contagem dos votos. Primeiro, foram contadas as células, depois contabilizada a votação. Um a um, foi confirmada a vitória da chapa 1.

Diante do resultado, Sílvio Bezerra reafirmou que em seu entendimento Azevedo não poderia participar das eleições. Mas, ainda não informou se irá entrar com novos recursos na Justiça. "Vou fazer um balanço e ver se cabe um recurso", disse.

Bezerra revelou ter sentido uma frustração pelos recursos que impetrou não terem sido julgados a tempo do final das eleições. 

Já na posição de reeleito, Azevedo, que ainda aguarda na Justiça o resultado que irá definir se será empossado, declarou esperar que a Justiça corrobore as decisões das urnas. "A Justiça tem que ser ouvida. Mas espero que corrobore as decisões democráticas", destacou Azevedo.

Flávio ainda reafirmou o compromisso de adequar o estatuto, permitindo a criação de novos cargos que podem ser úteis para o seu desejo de integrar a oposição. "Vou convocar a oposição para se integrar, freqüentar a Fiern e fazer uma crítica construtiva", disse.
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