Guedes diz que gasto com correção da tabela do IR é muito grande e não faz sentido

'Estamos no meio de uma batalha [da Previdência], não adianta me distrair com outra [tabela de IR]', disse o ministro.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o governo pode rever deduções e reduzir alíquotas do Imposto de Renda.

A correção da tabela do Imposto de Renda e a elaboração de uma política para o reajuste do salário mínimo não devem ser endereçados antes da aprovação da reforma da Previdência. O ministro Paulo Guedes disse que não faria sentido corrigir a tabela do Imposto de Renda no momento que o governo tenta aprovar a reforma justamente para cortar gastos. Segundo o ministro, a correção da tabela do Imposto de Renda poderia custar entre R$ 50 bilhões e R$ 60 bilhões.

“O presidente (Jair Bolsonaro) que falou que atualizaria a tabela de IR pela inflação. Eu não disse nada. Estamos no meio de uma batalha (da Previdência). Não adianta me distrair com outra”, afirmou Guedes, em audiência na Comissão Mista de Orçamento (CMO).

Sobre o reajuste do salário mínimo, o ministro condicionou a definição de uma política de reajuste à aprovação de reformas fiscais. Ele lembrou ainda que o governo tem até dezembro para tomar uma decisão. “Não definimos ainda a política de três anos para o salário mínimo. Isso passa pelas reformas. Podemos seguir ano a ano observando ou, com reformas, anunciar algo mais audacioso”.

Guedes atentou para o impacto “devastador” do reajuste sobre as contas de Estados e municípios e afirmou que qualquer aumento no salário mínimo é “pouco para quem recebe, muito para quem paga e desastroso para a política fiscal”.

Para depois

Outro tema que será tocado no “devido tempo” – não antes da Previdência – são as isenções a determinados setores e empresas. Saúde e educação, conforme Guedes, estão entre os segmentos que passarão por novo crivo. “Os mais favorecidos se tratam no (hospital Albert) Einstein, que é isento. A classe média frequenta escolas que são isentas, enquanto a filha da doméstica estuda em escola privada que paga imposto.”

Também deve ficar para depois uma eventual tributação sobre dividendos. “Não vou cuidar do imposto em dividendos agora porque daí a Previdência já explodiu. É preciso desarmar essa bomba”, afirmou.

Guedes destacou que mudanças em impostos somente têm impacto no ano seguinte e, por isso, pode ser tratada depois.

Tags: Economia Paulo Guedes
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