Enrico Fermi: “Este ano será para redirecionar a política de captação do turismo”

Amargando uma ocupação de 75% em plena alta estação, hoteleiros já pensam em como evitar esse quadro em 2009.

Karla Larissa,
Fátima Elena
Enrico Fermi acreita que a classe C é a alternativa para sair das sucessivas baixas.
O mar parece não estar mesmo para peixe para os hoteleiros do Rio Grande do Norte. Depois de enfrentarem dois anos difíceis, 2008 já começa com uma fraca alta estação, ao invés dos habituais 95% nesse período, os hotéis estão apenas com 75% da ocupação.

Para evitar que esse quadro se repita em 2009, os empresários do setor já começam a pensar em outro nicho de mercado. O presidente da Associação Brasileira da Indústria dos Hotéis (ABIH), Enrico Fermi, declara que 2008 será um ano para redirecionar a política de captação do turismo.

De acordo com Fermi, os problemas que provocaram a baixa ocupação este ano foram os mesmos que já vinham assombrando o setor: crise aérea e dólar desvalorizado. Com isso, a classe média do centro-sul e sudeste, principal pólo emissor de turistas do Estado debandou para destinos internacionais. “Por 15 anos, trabalhamos a classe média, agora teremos que reaprender o que fizemos antes”, disse.

E o novo foco do mercado turístico do Estado deverá ser as classes D e E, que ascenderam para a classe C, a nova classe média. “São 20 milhões de brasileiros nessa nova situação”, declara.

Para atrair esse novo nicho, de acordo com o presidente da ABIH, será necessário adequar o mercado à realidade desses consumidores. “Se já temos pacotes divididos em 10 vezes, agora teremos que dividir em 18 ou mais. Iremos vender o que pode atender ao bolso deles”, explica.

Cruzeiros

Além da captação de novos turistas e eventos, os hoteleiros terão um difícil trabalho pela frente: competir com os cruzeiros, que cada vez mais têm ganhado uma fatia maior do mercado.

“Iremos lutar para termos isonomia com relação aos cruzeiros. Já que eles têm cassino, comércio livre e não pagam impostos, queremos esses mesmos direitos ou pelo menos que eles tenham uma penalização tributária. Porque eles vêm para o nosso litoral justamente no período da nossa alta, que é a baixa deles, na Europa. Seria o mesmo que eu levar o meu hotel para lá em maio”, destaca.
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