Codern tem scanner parado e busca recursos para adquirir novo equipamento

Companhia disse que aparelho do porto não atende as especificações da Receita Federal.

Rafael Araújo e Fátima Elena Albuquerque,
Canindé Soares
Falhas na segurança do Porto de Natal estão tornando a capital potiguar como rota do tráfico internacional de drogas.

A Polícia Federal decidiu intensificar, juntamente com a Receita Federal, as ações de combate ao tráfico de drogas no Porto de Natal, onde, no período de três meses, já foram apreendidas 4,4 toneladas de cocaína em meio a carregamentos de frutas que seriam exportadas para a Europa.

Natal tem virado rota do tráfico de drogas devido a falhas de segurança – principalmente por causa da falta de um scanner, equipamento que seria necessário para checar a existência de drogas e materiais ilícitos em meio ao carregamento de frutas que saem do porto da capital.

Sobre a falha de segurança e consequentemente as descobertas de drogas em meio a cargas que partem do terminal marítimo de Natal, a Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), responsável pela administração do Porto de Natal, disse que até possui um escâner, mas revelou que este equipamento é antigo e para ser utilizado precisaria de manutenção.

Diante disso, a companhia tenta viabilizar através de parcerias, a compra de um novo scanner para operar no terminal de cargas, que custa aproximadamente R$ 11 milhões. 

A direção da Codern falou também que está aguardando a posição de uma empresa especializada para saber se o equipamento que possui atualmente tem condições de ser colocado em funcionamento com atualização de software e manutenção.

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Inteligência marítima

Para o chefe da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, delegado Agostinho Cascardo, as fiscalizações são feitas com base em dados de inteligência marítima. “Com isso, estamos conseguindo apreender mais cocaína no Porto de Natal”, afirmou.

De acordo com o delegado, há uma mudança na conjuntura internacional e doméstica, pois a cocaína produzida na América do Sul aumentou muito nos últimos anos. Em alguns países, ressalta o delegado, há uma produção três vezes maior que há três anos.

“Essa expansão na produção fez com que os traficantes tivessem que mudar o escoamento da droga para o modal marítimo, pois não dá para enviar essas grandes quantidades por avião”, explicou Carscardo.

Como nos portos do sul e sudeste as exportações são mais volumosas e diante desse aumento de produção de drogas, argumentou o delegado da PF, eles passaram a investir mais em equipamentos de detecção. “Como qualquer outro comércio, o tráfico busca facilidade e o Porto de Natal tem uma logística boa – a carga fica pouco tempo, pois chega e sai rápido. E isso funciona como um atrativo para os criminosos”.

Scanner

Quanto ao scanner, apontado pelo Porto de Natal como uma alternativa para melhorar o combate ao tráfico de drogas, o delegado afirmou que ele é apenas uma ferramenta de fiscalização. “O scanner não impede que a droga saia do porto, mas torna o trabalho de fiscalização mais fácil. Comparando a quantidade de carga nos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), em relação a Natal, vê-se uma desproporção da cocaína encontrada”, destacou.

De acordo com o delegado, a ferramenta não vem sendo utilizada no Porto de Natal, isso também desperta o interesse dos traficantes, que começam a fazer a diluição do risco – uma regra de negócio. “Como em Recife tem scanner e no Ceará também, eles vêm para cá”, que não tem a ferramenta. Para Agostinho Cascardo, Natal está entre as principais rotas do tráfico de drogas marítimo no Brasil.Codern explica avanços na segurança do Porto

Acerca das sucessivas apreensões de drogas no porto, a companhia destacou que está estabelecendo um ‘diálogo permanente’ com a Polícia Federal e Receita Federal para um trabalho conjunto, que, para a direção da Codern, já está surtindo resultados como a última apreensão dos entorpecentes antes do embarque para ser exportado.

A companhia revelou que aprimorou os controles aos acessos ao Porto de Natal, sejam de pessoas, veículos ou mercadorias, além de ampliar o sistema de videomonitoramento, dentre outras medidas que vamos tomar até novembro, quando esperamos recuperar a certificação do Código Internacional para Proteção de Navios e Instalações Portuárias (ISPS CODE). Além do trabalho que vem sendo realizado para viabilizar a aquisição de um scanner.

Tags: Drogas Natal Porto de Natal
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