Bolsa fecha em alta de 4,57%, maior valorização desde março de 2016

Após primeiro turno das eleições, dólar fechou abaixo de R$ 3,77 pela primeira vez em dois meses.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Marcos Alves/Agência O Globo
Ações de estatais e bancos sustentaram a alta do Ibovespa, que terminou a segunda-feira acima dos 86 mil pontos.

Após o resultado do 1º turno das eleições presidenciais,  o mercado à vista de ações brasileiro já havia negociado R$ 25,8 bilhões até as 17h desta segunda-feira (8). A projeção para o fim do pregão é de R$ 27,8 bilhões, a maior da história da Bolsa, se confirmada. O Ibovespa, principal índice de ações do País, subiu 4,57%, aos 86.083,91 pontos. O índice não terminava acima dos 86 mil pontos desde 16 de maio.

O dólar, por sua vez, fechou o dia a R$ 3,7635 , em queda de 2,40%. É o quinto pregão consecutivo em que o dólar opera apenas abaixo de R$ 4. A moeda americana não terminava abaixo de R$ 3,77 desde 8 de agosto, quando a divisa fechou a R$ 3,7642.

Essa foi a maior alta diária registrada na Bolsa de Valores em dois anos e meio. Em 17 de março de 2016, o Ibovespa subiu 6,6%, em reação à suspensão da posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro da Casa Civil.

A Bolsa chegou a testar o patamar dos 87 mil pontos pela manhã. A grande vantagem do candidato de direita Jair Bolsonaro (PSL) em relação ao petista Fernando Haddad (PT) e o crescimento do PSL no Congresso, sustentaram o otimismo dos investidores. A realidade de um segundo turno com Fernando Haddad (PT), porém, deve conter ganhos e provocar volatilidade ao longo do dia.

As ações de estatais como Cemig, Eletrobras, Petrobras e o Banco do Brasil, conhecido no jargão do mercado como 'kit eleições', lideraram mais um rali no mercado. As ações da fabricante de armas de fogo Forjas Taurus também registraram forte alta.

As ações Eletrobras PNB fecharam em alta de 18,31%, a R$ 26,75, enquanto ad ON subiram 17,33%, a R$ 22. A Cemig PN teve alta de 17,80%, a R$ 10,19. Petrobras PN fechou em alta de 11,02%, a R$ 26,60, e ON subiu 9,49%, a R$ 29,19. No setor financeiro, destaque para BB ON, com alta de 9,68%.

Repercussão

O desempenho de Jair Bolsonaro (PSL) na votação de primeiro turno das eleições presidenciais, com 46,03% dos votos válidos, surpreendeu. A avaliação é do economista Alexandre Póvoa, sócio da Canepa Asset. "O mercado não esperava uma votação tao expressiva a Bolsonaro. A expectativa era algo perto de 40% ou 41% dos votos válidos, foi surpreendente, acima do que o mercado esperava", disse o economista.

Na avaliação de Póvoa, a preferência do mercado por Bolsonaro reflete mais o afastamento do PT do poder do que empolgação com as propostas do candidato do PSL. O otimismo com uma eventual presidência de Bolsonaro poderá provocar um rali no mercado, comentou. "Vai ser proporcional ao que for anunciado. Se for na linha de Paulo Guedes, o rali continua, a Bolsa pode chegar próxima aos 100 mil pontos e o dólar entre R$ 3,70 e R$ 3,80", disse. "A grande preocupação é que essa união não é muito estável, sabemos que esta sujeita a chuvas e trovoadas e o mercado pode se decepcionar la na frente se não der certo", ponderou o sócio da Canepa Asset.

Nesta manhã, os índices referenciados em papéis brasileiros (ETFs) disparavam mais de 6% nas bolsas europeias. Mas um ajuste depois não está descartado, diante da perspectiva de uma disputa acirrada e agressiva, e após os mercados locais terem fechado eufóricos na sexta-feira, esperando um desfecho em primeiro turno. Na semana passada, o dólar caiu 4,81% ante o real e a Bovespa subiu 3,75% em meio ao fortalecimento de Bolsonaro nas pesquisas.

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