Acordo de livre comércio automotivo com Argentina dará previsibilidade ao setor, diz Guedes

Assinada na última sexta, negociação pretende melhorar acesso aos mercados nos próximos 10 anos.

Da redação, Agência Rádio,
Ministério da Economia
Guedes explicou que se trata do primeiro acordo automotivo entre as duas nações com vigência permanente.
Brasil e Argentina assinaram, na última sexta-feira (6), acordo que prevê livre comércio de carros entre os dois países a partir de 2029.  A nova negociação foi fechada no Rio de Janeiro, com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o ministro da Produção e Trabalho da Argentina, Dante Sica.

Guedes explicou que se trata do primeiro acordo automotivo entre as duas nações com vigência permanente. “É uma medida que dá mais estabilidade, transparência e previsibilidade para o comércio bilateral de produtos do setor”, pontuou o ministro.

O novo instrumento melhorará as condições de acesso a mercados nos próximos 10 anos, com aumentos graduais até 30 de junho de 2029, e estabelecerá o livre comércio de produtos automotivos a partir de 1º de julho de 2029.

Dessa forma, Brasil e Argentina atingirão o livre comércio de produtos automotivos entre si antes da entrada em vigor do livre comércio dos referidos produtos entre Mercosul e União Europeia.

O novo acordo deve começar a valer daqui um mês, mas, enquanto não vigora o livre comércio, ele manterá o chamado sistema flex do acordo atual, fechado em 2016.

O sistema flex prevê uma regra de comércio pela qual as exportações de carros e autopeças de um país para o outro não podem ultrapassar uma vez e meia o valor que esse país importa do vizinho. Ou seja, a cada US$ 1,5 exportado, é permitido importar US$ 1.

A nova negociação também reduz o percentual de peças locais exigidos dos carros que serão vendidos pelos dois países, o chamado índice de nacionalização ou conteúdo regional.

O país vizinho é o maior cliente da indústria brasileira nesse setor, mas as vendas têm caído com a crise econômica que o mercado argentino enfrenta nos últimos anos.

Isso tem impactado nos resultados das exportações de automóveis do Brasil, que caíram 41,5% no 1º semestre na comparação com o mesmo período de 2018, de acordo o Ministério da Economia.

Segundo o ministério da Economia, o setor automotivo brasileiro representa cerca de 22% do PIB industrial.

Tags: Economia
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