Construindo um xilofone

De acordo com Daniel Rezende, construir um xilofone não é difícl, até uma criança pode fabricá-los. Mas é um trabalho minucioso.

Vinícius Menna,
Vlademir Alexandre
A educação ambiental é incentivada nos alunos devido ao trabalho com madeira.
Xilofone é um instrumento feito com teclas de madeira. Há ainda o metalofone, feito com teclas de metal. Podem ser soprano, contralto ou baixo. E mesmo com todos esses detalhes, no Projeto Xilofônica as crianças aprendem a construir estes instrumentos que facilitam o aprendizado de música.

"A construção do xilofone não leva tanto tempo. Nós fazemos instrumentos em série, até porque temos muitos alunos. Mas se a gente for se concentrar em uns cinco, dá para fazer em uma semana", diz Daniel Rezende.

O músico conta que o primeiro passo é aproveitar o gancho de que os alunos estão tendo contato com madeira e abordar a questão ambiental, revelando a preocupação em saber a procedência da madeira, se é legalizada e proveniente de reflorestamento.

"Vai que um deles aprende a construir o instrumento e vai tentar construir um xilofone em casa com madeira de pau-brasil, que é protegida por lei", brinca.

Daniel utiliza dois tipos de madeira na confecção dos xilofones. "Pinus é a madeira que é usada para fazer a caixa acústica. Serve para fazer papel, papelão – e isso eu explico aos alunos. É uma madeira muito leve", conta o músico.
Vlademir Alexandre
Madeiras como ipê, cumaru, sucupira e jacarandá são ideais para as teclas.

Depois, as teclas são feitas a partir de outros tipos de madeira, que sejam resistentes à água, ou, como Rezende lembra, "a chamada madeira que cupim não rói, do pernambucano Antônio Nóbrega".

"Se a gente usar a Pinus, que é a da caixa acústica, para afinar a tecla, ela vai sofrer muito com as mudanças climáticas e a afinação não vai ser estável. Se a gente faz uma viagem da Vila para o Centro e pegar sol, a afinação vai mudar", diz o músico.

Madeiras como ipê, cumaru, sucupira e jacarandá são ideais para as teclas. Ipê e cumaru são mais fáceis de encontrar no comércio e, por esse motivo, Rezende resolveu testá-las para fabricar os instrumentos.

Vlademir Alexandre
Existem três tipos de xilofones: o soprano, o contralto e o baixo.
"Eu e Romildo Félix, que é o luthier, ficamos bem satisfeitos com o cumaru e o ipê. O cumaru deixou os profissionais espantados com a qualidade do instrumento. Fazemos até encomendas para eles por um precinho camarada", acrescenta.

As teclas são feitas de madeira de lei escolhidas a dedo. Rezende vai à madeireira e escolhe o melhor corte, a disposição das fibras na tora que será escolhida para fazer o que ele chama de prancha.

Como existem três tipos de xilofones (soprano, contralto e o baixo), é preciso ir à serraria para fazer o corte pré-definido, respeitando os padrões para teclas mais graves e agudas.

"Deixamos sempre uma sobra pequena na medida porque depois nós lixamos as teclas com os alunos. Aí vêm os acabamentos, a afinação e onde vai ser o furo para o encaixe na caixa acústica", esclarece Daniel Rezende.

Uma vila cheia de vida
Ana Luísa Burlamaque da Penha é a coordenadora interdisciplinar do Vida na Vila. "O projeto é uma iniciativa do Sesc que está funcionando a mais de um ano e é destinado para aos meninos habitantes do bairro", explica a coordenadora.

Dentro da iniciativa, há projetos voltados para a música, com os xilofones, para o corpo, com a arte circense, matemática e português, além de atividades culturais e recreação. Segundo Ana Luísa Burlamaque, a intenção é ajudar a auto-estima das crianças da vila.

"São alunos da faixa etária de 10 a 14 anos, que estudam em escola pública e que os pais têm renda de um ou menos de um salário mínimo", afirma a coordenadora.

Vlademir Alexandre
Diego: "Se aparecer a oportunidade, talvez eu estude Música".
Para Rafael Batista de Araújo, de 14 anos, é bom tocar no Xilofônica. "A gente ajuda os meninos a construir os instrumentos", comenta timidamente o garoto. Ele já se apresentou no Sesc de Ponta Negra pelo projeto. Para ele, a construção do instrumento é muito difícil, principalmente na parte da afinação.

Diego da Silva, de 13, prefere tocar a construir os xilofones. "A parte das teclas é a mais chata, que tem que ficar afinando, comparando as teclas", comenta o garoto.

Ele demonstra mais gosto pela música clássica. "A música que eu mais gosto é a Sinfonia de Bethoven. Já estou quase tocando", diz. E confessa: "Se aparecer a oportunidade, talvez eu estude Música quando crescer".
A+ A-