Meu Seridó volta ao palco da Casa da Ribeira nos dias 25 e 26 de maio

Espetáculo retorna em curta temporada e segue para apresentações no interior do Estado.

Da redação,
Brunno Martins
Meu Seridó estreou em novembro de 2017, realizando uma circulação por 8 bairros de Natal, além de uma temporada no Tecesol.

O sertão que vibra, pulsa e faz viver. O sertão das mulheres esquecidas e das mulheres que sonham. O não lugar, como escreveu Guimarães Rosa, o sertão que é seca e água, e é também o espaço da imensidão. Com fortes questões norteadoras, o espetáculo “Meu Seridó” traz a condição da mulher no sertão, a extinção do indígena em detrimento do boi e a desertificação, na luta diária pela sobrevivência como força bruta do ser. Como o próprio autor escreveu: “A nossa história acontece em algum lugar entre a realidade, o delírio e a nostalgia”.

Idealizado pela atriz Titina Medeiros, com direção de César Ferrario, texto de Filipe Miguez (autor da novela Cheias de Charme) e grande elenco, Meu Seridó estreou em novembro de 2017, realizando uma circulação por 8 bairros de Natal, além de uma temporada no Tecesol e sua estreia no palco no Fica (Festival Internacional da Casa da Ribeira).

Acompanhada pelos atores Nara Kelly, Igor Fortunato, Caio Padilha - assinando também a trilha sonora – e Marcílio Amorim, Titina fez ao lado da equipe uma árdua pesquisa histórica, conduzidos pela historiadora Leusa Araújo, através de imersões no próprio Seridó. Natural de Acari, Titina sonhou com esse espetáculo por anos, reunindo as suas vivências e coragem para retirar do próprio solo a história de vida de muitos sertanejos.

Para o diretor César Ferrario, a narrativa é constituída por uma linguagem de cunho popular para chegar em todas as pessoas e lugares, e tem uma estrutura que permite a montagem em ruas, fazendas, praças e diferentes paragens. “A nossa narrativa não tem um compromisso histórico. Ela tem seu início através de uma menção ao plano mítico do Seridó, onde o Sol e a Terra disputam o amor de Chuva, uma fábula muito coerente com as questões que atravessam toda a história de qualquer lugar sertanejo e seu imaginário. A partir disso, ela transita pela história do Seridó em seus espelhamentos terrenos, desde a chegada do homem andino até a vinda do vaqueiro e do português. O entrelaçamento dessas raças perpassa as histórias que vão sendo contadas ao longo do espetáculo”, conta César.

Personagens como José de Azevedo Dantas, Pajé Cuó, o português Rodrigo de Medeiros, a Maria Paraibana e Josefa Menina são as personificações da história que transpassa o imaginário da região.

Espetáculo-Meu-Seridó-2-H

O projeto de circulação Meu Seridó está aprovado nas leis de incentivo e segue na busca por patrocínio para levar o espetáculo a região do Seridó. “Frequentemente agentes culturais, secretários de cultura entram em contato conosco interessados em levar o Meu Seridó pra suas cidades, mas quando se deparam com todos os custos do espetáculo (arquibancada, gerador, transporte de cenário, iluminação, sonorização, cachês), percebem que ainda é uma realidade distante pra o orçamento de uma Prefeitura de uma cidade pequena do Seridó. Vontade e desejo não faltam, mas é fundamental o patrocínio de uma empresa que acredite no potencial do nosso projeto em percorrer as 24 cidades do Seridó. Com certeza, quando tivermos um patrocinador máster, todas essas cidades serão nossas parceiras”, revela Arlindo Bezerra, elaborador do projeto, junto com Titina Medeiros e Joao Paulo Isnard, que assumem a equipe de produção.

Além das três apresentações abertas ao público na Casa da Ribeira, sendo no dia 25 de maio às 20h, e no dia 26 de maio, duas sessões, às 18h e 20h. O espetáculo também será apresentado no dia 25 de maio às 16h, para a comunidade escolar, onde ainda restam algumas vagas.  “É o momento de romper as paredes da sala e invadir o teatro, podendo relacionar as disciplinas de história, sociologia, geografia, teatro, literatura, com o nosso espetáculo, além de uma conversa ao final da apresentação”, encerra Titina Medeiros. 

Tags: condição da mulher no sertão desertificação extinção do indígena Meu Seridó
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