“Reforma se propõe a retirar direitos dos trabalhadores”, diz Natália Bonavides

Deputada federal do PT destaca que é o desemprego que está contribuindo para ruína da Previdência.

Rafael Araújo,
Gustavo Bezerra/PT
Deputada Natália Bonavides criticou o texto da reforma e disse que a solução é a retomada da geração de empregos.
Contra o texto da Reforma da Previdência em tramitação pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados, a deputada federal pelo Rio Grande do Norte, Natália Bonavides (PT) destacou que a matéria vai atingir principalmente os trabalhadores que ganham menos.

“Sou contra a reforma porque ela tem como fundamento principal a retirada de direito dos trabalhadores, daqueles que ganham menos, inclusive. Além disso, a bancada do governo na Casa está tendo buscar de volta a capitalização”, destaca a petista.

Questionada sobre a necessidade da reforma, tão questionada pela bancada do Governo Federal no Congresso Nacional, a parlamentar disse que o maior problema do país hoje é o desemprego e que a aprovação a aprovação do Projeto de Emenda a Constituição (06/2019) que trata da Previdência agravaria o desemprego no Brasil.

“Existe um debate muito grande sobre a necessidade da aprovação dessa reforma. A gente estudou isso tudo com muita cautela e com base nos relatórios da Previdência Social e vimos que ela não é deficitária. O que está tornando-a deficitária é o alto índice de desemprego. Aumentou o grupo de pessoas que deixaram de contribuir para a Previdência. Este tem sido o maior problema hoje – precisamos de uma retomada na geração de empregos”, argumentou Natália Bonavides.

Bonavides disse ainda que o Governo Federal deveria estar concentrando esforços na retomada de empregos e de desenvolvimento econômico. “O texto atual da reforma não é a solução, pelo contrário, ele vai prejudicar a economia. Vai trazer um impacto muito forte na diminuição do consumo”,  relata a parlamentar.

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Com exclusão de Estados e Municípios da Reforma da Previdência no texto apresentado pelo relator da reforma na Comissão Especial da Câmara, Samuel Moreira (PSDB), na última terça-feira (2), a expectativa é de que os entes federativos tenham que propor a reforma previdenciária nas Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais.

Apesar desta necessidade, apontada pela bancada governista, a deputada federal Natália Bonavides acredita que antes de se tentar uma reforma da Previdência é preciso buscar o aumento de receitas e otimização de gastos públicos.

“A situação de cada Estado é único, mas eu acredito que antes de se tentar fazer uma reforma no sentido de retirada de direitos do trabalhador, todas as medidas têm que ser exaurida antes. Medidas que busquem o aumento de receitas e a otimização de gastos devem ser estudadas antes de fazer uma reforma da Previdência no nosso Estado, por exemplo”, comenta Bonavides.

Diante do texto apresentado na última terça-feira na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, a petista disse que esta versão tem coisas ‘melhores’ que a anterior, mas lamentou que haja uma proposta muito ruim para as mulheres.

“Mantiveram o aumento da idade mínima para aposentadoria das mulheres e isso é muito ruim, pois as mulheres geralmente trabalham muito mais horas que os homens nos afazeres domésticos – e este não é uma atividade remunerada – e que muitas vezes tira elas dos trabalhos formais”, lamenta Natália Bonavides.  

A parlamentar do PT foi questionada também sobre a possibilidade de mudança de voto acerca da matéria da PEC da Previdência. Contudo, a deputada foi taxativa em dizer que jamais mudaria o posicionamento.

“O meu voto contrário à reforma é uma posição minha e da bancada do PT. Não podemos ser a favor de algo que vai deixar a população mais pobre. É uma proposta que prejudica o povo e que pode criar um colapso para muitos municípios, inclusive no Rio Grande do Norte. Então, é uma responsabilidade minha com o povo potiguar ser contra esta reforma”, concluiu a deputada. 

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