Ventanias fortes devem continuar no Rio Grande do Norte

Região de vales são mais atingidas pelas mudanças que ocorrem durante o início do outono.

Isabela Santos,
Foto: Vlademir Alexandre
A chegada do outono – sábado (20) – é o evento responsável pelas fortes ventanias que vêm ocorrendo no Estado, como as que assustaram Barra de Cunhaú no dia 15 de março e Angicos quatro dias depois, destelhando casas e arrancando árvores. De acordo com o meteorologista Gilmar Bistrot, da Empresa de Pesquisa e Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), é também neste período que ocorre a temporada de furacões no hemisfério norte e tornados no Sul do Brasil.

“Esse tipo de episódio ocorre com mudanças de estação, principalmente entre o final do verão e início do outono. As chuvas daqui acontecem no outono”, disse, explicando que nesta estação aumenta a umidade do ar, fator que somado à instabilidade e ao calor intenso das últimas semanas provocou a formação de nuvens Cumulus Nimbus.

“Essas torres grandes têm o desenvolvimento vertical intenso. No centro, de baixa pressão, a velocidade do vento aumenta. A nuvem suga o vento. Foi isso que formou as rajadas de ar de 40 a 50 Km/h em Barra de Cunhaú [no dia 15 de março]”.



A velocidade foi estimada de acordo com análise das fotografias do lugar. Os danos causados na região são característicos de uma ventania forte, não podendo ser chamada de tornado, segundo o especialista. Os tornados chegam a uma velocidade mínima de 250 Km/h.

“O monitoramento é difícil. Teríamos que ter radares meteorológicos por todo o Estado para maior precisão e fazer previsões a cada duas horas, porque nesse período o tempo já pode mudar muito”.

No Rio Grande do Norte, as ventanias devem persistir de forma pontual, assim como as chuvas, que têm feito a temperatura baixar na última semana.



“Está se desenvolvendo um sistema de nuvens sobre o Vale do Açu parecido com o que ocorreu em Barra de Cunhaú. Esse tipo de fenômeno deve continuar surgindo na faixa litorânea e em alguns vales, além da Chapada do Apodi”, disse.

Temperatura das águas preocupa
Desde 2006, as águas do Oceano Atlântico estão entre 1º e 1,5º C acima da média, o que pode ter provocado a morte das moréias – no último dia 8 –, segundo pesquisadores da Ong Oceânica. Bistrot aponta a mudança na temperatura como preocupante.

“O normal seria em torno de 25,5º C e está se mantendo a quase 27º C. Não é mais uma situação cíclica. Eu diria que é perigoso. E este ano está mais quente que em 2009”, alerta para que os profissionais da oceanografia deem atenção especial a esse fenômeno.
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