Unidades do Samu ficam paradas no WG por falta de macas

Nesta segunda-feira (24), seis das oito unidades ficaram sem realizar atendimento. Diretor do hospital afirma que não há faltas de macas, mas excesso de pacientes.

Karla Larissa,
Karla Larissa
Ambulâncias ficam horas no estacionamento do hospital.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Natal está enfrentando uma grave situação: as unidades têm passado horas paradas no Hospital Walfredo Gurgel à espera da liberação de macas para que os pacientes sejam encaminhados.

Na manhã desta segunda-feira (24), seis das oito unidades que realizam o atendimento na capital ficaram horas no estacionamento do hospital, enquanto outras ocorrências deixaram de ser atendidas.

Segundo servidores do Samu, que preferiram não se identificar, a situação, tem se tornado uma rotina. Com a falta de macas devido à demanda, as macas das unidades ficam retidas até que outras em utilização do hospital sejam liberadas.

Com isso, enquanto as unidades ficam paradas, apenas as ocorrências mais graves são atendidas. “Hoje ficaram somente duas unidades na rua para cobrir toda a Natal. Teve ocorrência que ficou sem atendimento”, denuncia um dos servidores.

Para os profissionais do Samu, a situação é muito grave e acaba impedindo o serviço de realizar o trabalho adequado. Eles contam que a situação é ainda pior nas segunda-feiras, quando é maior o número de vítimas por acidentes.

Excesso de pacientes

O diretor geral do hospital Walfredo Gurgel, José Renato de Brito, esclarece que o problema não tem sido causado pela falta de macas, propriamente, mas pela falta de hospitais de urgência. “Em cidades grandes, como Natal que tem mais de 800 mil habitantes não ter portas abertas de urgência municipal é um absurdo”, critica.

Para o diretor, além de Natal, as grandes cidades do Estado deveriam ter pelo menos pronto-socorros para realizar atendimentos de urgência. “Nós estamos hoje com 371 pacientes e temos apenas 259 leitos cadastrados”, justifica.

José Renato acrescenta também que hospitais como o Onofre Lopes deveriam estar fazendo atendimento cardiológico e neurológico. “Isso está contratualizado desde 2005 e até agora não foi feito”, declara.

O chefe de cirurgia do hospital, Ariano José, confirma a teoria. Para ele, sobram macas para a quantidade de pacientes que o hospital deveria atender. “Falta é responsabilidade dos outros hospitais. Nós temos 80 pacientes nos corredores, quando não deveria ter nenhum. Os outros hospitais não fazem isso”, completa.
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