Qualidade de vida na Terceira Idade: “O importante é não deixar a solidão bater na sua porta”

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a qualidade de vida na Terceira Idade pode ser definida como a manutenção da saúde.

Gabriela Duarte,
Gabriela Duarte
Os idosos têm agora mais tempo disponível
Os idosos são hoje cerca de 14,5 milhões de pessoas, 8,6% da população total do País, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo 2000. O instituto considera idosas as pessoas com 60 anos ou mais, mesmo limite de idade considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para os países em desenvolvimento.

Em uma década, o número de idosos no Brasil cresceu 17%, em 1991, ele correspondia a 7,3% da população. O envelhecimento da população brasileira é reflexo do aumento da expectativa de vida, devido ao avanço no campo da saúde e à redução da taxa de natalidade.

Prova disso é a participação dos idosos com 75 anos ou mais no total da população ativa. Em 1991, eles eram 2,4 milhões, em 2000, 3,6 milhões. A população brasileira vive, hoje, em média, 68,6 anos, 2,5 anos a mais do que no início da década de 90. Estima-se que em 2020 a população com mais de 60 anos no País deva chegar a 30 milhões de pessoas e a esperança de vida, a 70,3 anos.

A chegada à Terceira Idade traz consigo limitações sobre um corpo já muito vivido. Já não se tem a mesma vitalidade, a rapidez dos movimentos e do raciocínio, a mesma coordenação motora da época da juventude. Os idosos têm agora mais tempo disponível, porém alguns não sabem como aproveitá-lo.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a qualidade de vida na Terceira Idade pode ser definida como a manutenção da saúde, em seu maior nível possível, em todos aspectos da vida humana: físico, social, psíquico e espiritual.

Saúde
Do ponto de vista físico, o fator mais importante na manutenção da saúde é o cuidado com a alimentação. Uma alimentação saudável traz ao organismo todos os nutrientes de que ele necessita para o seu bom funcionamento e para a conservação de um peso estável, fatores importantes na prevenção de várias doenças. Visitas regulares ao médico são fundamentais para prevenir, diagnosticar e tratar possíveis doenças que possam diminuir a qualidade de vida.
Outro fator importante é a prática regular de atividades aeróbicas e exercícios, sempre de acordo com as limitações físicas e com orientação especializada, contribui para a conservação da saúde.

A depressão, uma das principais doenças mentais na população idosa, é de difícil reconhecimento e diagnóstico, uma vez que a sociedade, de um modo geral, a encara como um fato normal à velhice. O que não é!

As causas da depressão ainda são desconhecidas, mas acredita-se que vários fatores, como biológicos, psicológicos e sociais, atuando juntos, desencadeiem a doença. O acompanhamento psicoterápico como complemento ao tratamento com remédios, ajuda na recuperação da qualidade de vida do idoso.

Saber usufruir de todos os momentos de lazer, a interação social e o desenvolvimento de atividades e interesses diversos colaboram para que a mente mantenha-se ativa e saudável.

É importante que o idoso seja respeitado como ser humano que é, com todas as limitações da sua idade!

Se já não possui a vitalidade da juventude, por outro lado tem o conhecimento adquirido através das experiências ao longo de toda uma vida. A partilha desses conhecimentos com as novas gerações proporciona ao idoso a possibilidade de manter-se integrado à sociedade.

Esta integração é de suma importância para o idoso, uma vez que um de seus maiores prazeres consiste em relatar fatos acontecidos em sua vida e perceber que as pessoas que o cercam dão-lhe a atenção devida.

A coordenadora Faculdade Aberta para a Terceira Idade (FATI), Tânia Padilha, explica que o idoso deve estar de bem com a vida, além de cuidarem da sua alto estima, “na Fati realizamos várias atividades que tragam satisfação ao idoso, além de oferecermos atividades físicas apropriadas para essa faze da vida. Não é aconselhável um idoso praticar exercícios físicos em uma academia, uma vez que elas não dispõem de acompanhamento específico para eles”, disse.

A FATI é um programa de extensão da Faculdade de Natal (FAL) que tem uma programação toda voltada para a terceira idade. Criada a cerca de três anos o faculdade oferece cursos como de informática, inglês, espanhol, italiano, e cursos de música, além de hidroginástica dança, entre outros. Para participar da Fati, o único requisito é ter mais de 40 anos de idade, os cursos variam de R$ 35,00 a 40,00.

Tânia Padilha ressalta a importância de praticar atividades na Terceira Idade, “hoje com o aumento da expectativa de vida da população, os idosos devem procurar realizar atividade que gostam e que preencham seu tempo, hoje em dia as famílias não querem mais aquela vovó que só fica em casa bordando, os netos querem vovós ativas. O idoso tem que se libertar da responsabilidade que tem com a família e passar a cuidar um pouco de si mesmo”, ressalta. 

Gabriela Duarte
Carmen Maria reressalta a importância de ocupar o tempo com atividades prazerosas
Aluna da Fati há três anos, Carmen Maria Negreto, 58 anos ressalta a importância de o idoso ocupar o seu tempo, “é muito importante, temos que realizar atividade que gostamos e com pessoas especializadas. Na Fati, além de aprender várias coisas, a gente também faz muitas amizades, e como é todo mundo na mesma faixa etária, sempre temos assuntos, trocamos experiência, além de nos motivar, e o mais importante, não deixar a solidão bater na nossa porta”.

“Minha vida mudou muito depois que entre na Fati, fiz amizades, mantenho minha mente ativa, uma vez que estamos sempre participando de cursos, palestras, é bem interessante. Já terminei meu curso de computação, agora estou fazendo hidroginástica, inglês, dança e ioga”, acrescentou Carmen Negreto.

Já Almerinda de Lima Santos, 60 anos, aproveita para trazer a neta, Amanda Hislly, 8 anos, para fazer hidroginástica, “lá em casa não tem com quem ela brincar, aí aproveito para trazê-la comigo para a aula, é uma maneira da gente se exercitar, nos divertirmos e ficarmos juntas”, explica.

“Gosto de vim com a vovó, me divirto, gosto da animação da turma”, diz Amanda.

“É muito importante fazer alguma atividade para ocuparmos nosso tempo, no dia que não venho fico mal, a hidroginástica me deixa leve, a turma é bem animada e unida. Eu me sinto uma criança dentro da piscina, quero fazer sempre mais. Não é bom ficar dentro de casa, se pararmos envelhecemos”, acrescenta Almerinda Santos.

Qualidade de vida é, portanto, a soma de todos esses fatores acima citados, mas, principalmente, a preservação do prazer em todos os seus aspectos.
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