Psiquiatra alerta para as conseqüências do uso indevido de remédios

A especialista explica que as chamadas ‘doenças urbanas’ têm sido as principais responsáveis pela banalização dos remédios de controle especial.

Ellen Paes,
Fotos: Vlademir Alexandre
A maior conseqüência do uso indevido desses remédios é a dependência química.
A banalização do uso desses medicamentos está diretamente ligada ao crescimento constante da ocorrência das chamadas doenças urbanas, como o estresse, a ansiedade e o medo – que por vezes, chegam a causar um quadro de depressão.

De acordo com a psiquiatra Ana Lígia da Silva, a estimativa é que em 2020, a depressão seja a segunda causa de incapacidade de trabalho, perdendo apenas para as doenças cardiológicas.

“Além disso, as pessoas têm preconceito de admitir que precisam de um profissional para tratar essas doenças emocionais e acabam preferindo se automedicar. E isso sim é bastante perigoso.”

Outro fator que também tem contribuído para o aumento do uso desses medicamentos é o uso de drogas estimulantes, como cocaína, crack e anfetaminas (os populares remédios para emagrecer).

“As pessoas utilizam esses remédios para atenuar os efeitos da agitação.” A produtora Alice Alcântara* confirma.

“A coisa mais comum hoje em dia são as pessoas tomarem esses medicamentos para controlar a adrenalina causada por drogas da moda, como a cocaína e o ácido. Na Europa, a última tendência nas noites é o pessoal consumir álcool com esses remédios.”

A maior conseqüência do uso de medicamentos de controle especial está relacionada à dependência.

“A pessoa começa a não saber mais viver sem aquele remédio. Se está triste, recorre ao remédio, se está feliz, também. Ela começa a fazer isso freqüentemente, independente dos sintomas.”

De acordo com os estudos da psiquiatra, a proporção de prevalência de dependência medicamentosa é de 3% na população geral e de três casos em mulheres para um caso em homem. 

A dependência medicamentosa acaba aumentando a tolerância do organismo àquele princípio ativo.
Na avaliação dela, isso acontece porque os homens costumam buscar refúgio mais nas bebidas alcoólicas – apesar de estar crescente o alcoolismo também entre mulheres.

Conforme explica a médica, um problema acaba levando a outro. A dependência medicamentosa acaba aumentando a tolerância do organismo àquele princípio ativo, fazendo com que a pessoa necessite cada vez mais de uma dose maior para obter o efeito desejado.

E as conseqüências não param por aí. Ela alerta para outros tantos problemas que podem ser causados com o uso desses remédios sem acompanhamento de um especialista.

Dentre eles, a perda da concentração, a sonolência diurna (hipersônia) e, a longo prazo, a ocorrência de problemas hepáticos, em razão da metabolização das substâncias.
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