Pesquisa da UFRN estuda efeitos do sedentarismo sobre a saúde

Segundo dados o Pnad de 2015, cerca de 60% dos brasileiros são fisicamente inativos.

Da redação, UFRN,
Anastácia Vaz
Segundo Eduardo Caldas, estudos apontam que quanto maior for o tempo sentado, maior o risco de desenvolver doenças cardiovasculares.

De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgados em 2015, cerca de 60% dos brasileiros são fisicamente inativos. Isso significa que essa parcela da população não tem o hábito de praticar esportes ou atividades físicas diversas, como caminhada e corrida, por exemplo.

Além disso, na sociedade contemporânea, é muito comum o comportamento sedentário prolongado, que são atividades em posição sentada, deitada ou reclinada,  com baixíssimo gasto de energia. Por exemplo, usar o computador ou celular sentado por longos períodos. Portanto, entender exatamente como o comportamento sedentário prolongado pode ser prejudicial para as pessoas é um combustível para o desenvolvimento de pesquisas na área. Saber que faz mal é uma coisa, entender como isso acontece é algo mais complexo e que exige trabalhos aprofundados.

O Grupo de Pesquisa sobre os Efeitos Agudos e Crônicos do Exercício (GPEACE) do Departamento de Educação Física (DEF) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) está engajado em um estudo que busca analisar como o comportamento sedentário prolongado pode afetar a saúde de adultos jovens.

Esse trabalho de Iniciação Científica está sendo realizado pelo graduando em Educação Física Geovani Macêdo, sob coordenação do professor Eduardo Caldas Costa, do DEF. O objetivo é avaliar de que forma algumas características individuais, como nível de atividade física, aptidão cardiorrespiratória e composição corporal (isto é, percentual de gordura e massa muscular), podem influenciar algumas variáveis cardiovasculares e metabólicas durante um dia de comportamento sedentário prolongado.

Analisando especificamente três parâmetros cardiometabólicos (isto é, pressão arterial, glicemia e triglicerídeos) o estudo pretende identificar pessoas que, eventualmente, podem ter maior vulnerabilidade ao surgimento de doenças cardiovasculares e metabólicas em decorrência do comportamento sedentário prolongado, uma vez que cada pessoa reage de maneira diferente a essa condição. “Queremos verificar se o nível de atividade física que a pessoa tem, o nível de capacidade cardiorrespiratória dela e a sua composição corporal interferem nos níveis de glicose, triglicerídeos e pressão arterial quando essa pessoa passa um dia em comportamento sedentário prolongado”, explica o professor Eduardo Caldas.

Essa fase da pesquisa é, na verdade, uma sub análise de um estudo inicial feito pelo GPEACE, referente à dissertação de Mestrado em Educação Física do estudante Yuri Freire, em que foi feito um experimento para analisar a pressão arterial, glicose e triglicerídeos de adultos jovens em três diferentes condições de comportamento sedentário prolongado.

Na primeira situação os voluntários ficaram em comportamento sedentário, isto é, sentados durante 10 horas, sem fazer qualquer exercício. Na segunda situação, foram submetidos a uma sessão de exercícios físicos pela manhã e, em seguida, passaram o restante do dia sentados. Por fim, na terceira situação, foram submetidos a atividades e comportamentos sedentários de forma alternada ao longo do dia, fazendo caminhadas leves de 5 minutos a cada 20 minutos sentados,  até atingir 10.000 passos num intervalo de 10 horas.

Para a surpresa dos pesquisadores, na situação 3, em que faziam 5 minutos de caminhadas leves a cada 20 minutos sentados, os voluntários apresentaram menor concentração de glicose em comparação à situação 1, quando ficaram sentados sem exercício. E registraram menores índices na pressão arterial em comparação às duas outras situações.

PESQUISA-H

Segundo os pesquisadores, esse resultado aponta que a interrupção do comportamento sedentário prolongado com atividades físicas leves feitas durante o dia podem ser interessantes para controle dos níveis de glicose e pressão arterial. Como explica o professor Eduardo, baseado em estudos feitos ao longo dos últimos anos, “quanto mais tempo sentado você passa na sua vida, maior o risco do desenvolvimento de doenças cardiovasculares, metabólicas e de mortalidade. E isso parecer ser, independentemente do nível de atividade física que você pratica. Portanto, uma mensagem importante seria: sente menos, ande mais e exercite-se”.

Agora, para aprofundar a pesquisa e obter dados mais claros sobre como comportamento sedentário prolongado pode prejudicar a saúde de adultos jovens, os pesquisadores estão analisando pessoas com diferentes padrões físicos e estilos de vida diversificados para ver como que a aptidão cardiorrespiratória, a composição física e nível de atividade física podem “proteger” essas pessoas ou deixá-las mais expostas aos malefícios do comportamento sedentário prolongado.

A pesquisa

Na prática o estudo é dividido em três partes. Na primeira, os voluntários respondem alguns questionários para que seja traçado um perfil quanto ao tipo de alimentação, nível de atividade física, etc. Após isso eles passam por avaliações específicas da composição corporal, capacidade cardiorrespiratória e nível de atividade física.

Isso acontece por meio do uso de equipamentos, como o pedômetro (que serve para medir a quantidade de passos que o indivíduo dá durante o dia), e o Dexa, usado para “escanear” o corpo dos participantes e detectar a quantidade de gordura e massa magra, além do teste de ergoespirométrico, para avaliar a capacidade cardiorrespiratória.

Por fim, no terceiro momento da pesquisa, os participantes são submetidos a um dia de “alto comportamento sedentário”, onde eles passam 10 horas sentados sem fazer atividades físicas, com possibilidade de uso de computador, celular e leitura. Refeições padronizadas também são oferecidas durante o dia. Essa parte do trabalho é feita no laboratório do GPEACE, dentro das dependências do Departamento de Educação Física.

Os voluntários ficam de 7h as 17h ou, se preferirem, das 8h as 18h dentro do laboratório, em condição de comportamento sedentário. Na ocasião, periodicamente, são feitas medições nos participantes para detectar a pressão arterial, glicemia e triglicerídeos.

Podem se inscrever como voluntários quaisquer pessoas com idade entre 18 e 40 anos, desde que não tenham doenças crônicas, não façam uso de medicamentos e de cigarro, sem quaisquer comprometimento ósseo, muscular ou articular que limite a caminhada ou corrida e, por fim, que não possuam restrições alimentares, como intolerância a lactose, por exemplo. As refeições oferecidas aos participantes durante o experimento são fornecidas pelo Restaurante Universitário da UFRN.

Os interessados em fazer parte do estudo e que se enquadram nas condições acima podem entrar em contato com o estudante Geovani Macêdo, através do e-mail [email protected] Além de contribuir com a pesquisa, os participantes ganharão também uma avaliação completa do condicionamento físico.

Tags: GPEACE pesquisa sedentarismo UFRN
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