Loló não é brincadeira, é um risco neste carnaval

Especialista em farmacologia alerta para os perigos do produto, que variam desde uma simples alucinação até parada cardíaca.

Victor Lyra,
Foto: Ricardo Júnior
Nilton Bezerra do Vale, especialista em farmacologia.
Em tempos de festas e micaretas em que reúnem grande quantidade de pessoas, quase sempre é percebido alguns produtos alucinógenos, sobretudo os solventes. Mas no carnaval, a presença dos tradicionais inalantes “loló” e “lança perfume” aumenta consideravelmente, devido a sensação de euforia instantânea que estas combinações de substâncias químicas proporcionam.

Nos carnavais do início do século XX, o “cheirinho da loló” era utilizado como brincadeira para perfumar os ambientes, inclusive por crianças. Mas quando descoberto o seu poder entorpecendo começou a ser utilizado para meios “nada inocentes”.

O uso indiscriminado pode trazer sérios riscos à saúde. No mês de janeiro, Francineide Josimário dos Santos, de 32 anos morreu de tanto cheirar loló no bairro do Planalto. O fácil acesso, a dificuldade de fiscalização policial e a falsa impressão de que são inofensivos banalizam o produto e permitem o grande consumo.

O especialista em farmacologia e anestesiologista da Maternidade Escola Januário Cicco, Nilton Bezerra do Vale, alerta para os perigos da substância. “A curto prazo, quando inalado em quantidades abusivas pode causar parada cardíaca. O consumo freqüente desta substância traz problemas ao fígado, perigando ao de hepatite.

De acordo com o médico, idosos, hipertensos, cardiopatas, doentes renais crônicos e portadores de hipertireoidismo devem passar longe da droga. Quando potencializados sob adição de bebidas alcoólicas, o efeito no organismo é ainda mais devastador. “Como é consumido na maioria das vezes por jovens, que não se impõem limites, o usuário de solvente e bebida alcoólica pode se embriagar com mais facilidade e se machucar em uma queda, por exemplo”, alerta o médico.

Outro agravante é o fato dos traficantes por muitas vezes venderem o entorpecente trocam um dos dois componentes químicos. Eles misturam qualquer outra coisa em substituição, o que traz complicações quando se tem casos de intoxicação aguda por esta mistura.

O que é loló?
O loló é um solvente e por ser extremamente volátil pode ser inalado. É composto por dois compostos químicos: clorofórmio e éter (adicionado de álcool e essência perfumada). É a versão caseira do lança-perfume, que por sua vez, tem como composto químico de cloreto de etila e é vendido em larga escala.
Fotos: Reprodução
O loló é composto por dois compostos químicos: clorofórmio e éter.

De acordo com o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, o loló é uma droga legal, porém o uso com fins de abuso é proibido e a comercialização é considerada tráfico.

Efeitos
Inicialmente a inalação de loló provoca excitação, alegria e aceleração da freqüência cardíaca. Os efeitos da droga podem variar conforme a quantidade inalada pelo usuário, desde um pequeno zumbido até fortes alucinações.

Também é característica o formigamento das extremidades, no caso, mãos e pés e da face. Após o efeito da droga, segue náuseas, depressão, dores de cabeça e mal estar.
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