Gravidez desejada!

Os tortuosos e caros caminhos percorridos pelos casais que têm dificuldades para realizar o sonho de ter um filho.

Ana Paula Oliveira,
Brum
Muitas vezes, casais têm dificuldades para realizar o sonho de ter um filho.
O choro de um bebê às 13h27 do dia 15 de dezembro do ano passado anunciava o fim de uma luta de quase um ano: Lavynnya chegava ao mundo. Lavynnya nasceu na segunda vez em que sua mãe, a enfermeira e fonoaudióloga Enelúzia China, 32, apostou na técnica da fertilização in vitro (ela havia tentado pela primeira vez em março de 2006, sem sucesso).

Na segunda vez, tudo foi milimetricamente programado. Ela e o marido planejaram para que a filha nascesse no mesmo dia em que o casal faz aniversário de casamento. A enfermeira explica que procurou o método pelo fato de que o marido havia feito, ainda jovem, uma vasectomia, o que o impossibilitava de ter filhos pelos métodos naturais.

“Como fazer a reversão da cirurgia poderia ser mais complicado, optamos pela fertilização in vitro”, diz ela, lembrando o dia em que se deparou com o exame de gravidez. “Não tivemos (ela e o marido) coragem de abrir. Levamos para doutor Fábio Macêdo, da Bios, para ele abrir. E quando ele confirmou a gravidez foi um chororô só. Saímos ligando para todo mundo para contar a boa nova”. 

Ela conta que o fracasso com a primeira tentativa foi traumatizante. “Acredito que não fui suficientemente preparada para um possível fracasso. Não tive um apoio adequado. Mas, graças a Deus, ganhei a minha benção que é Lavynnya”, emociona-se a mãe. Aliás, falar de Lavynnya, que hoje tem menos de um ano, sempre gera muita emoção em Enelúzia. 

“Não tem explicação. É uma benção de Deus, até porque tudo que ele faz é perfeito. Sentir um ser crescendo dentro de você é simplesmente divino. Não tem valor, e, sim orgulho”, avalia. Por falar em valores, Enelúzia afirma que o tratamento é muito caro e mantém sempre o bom humor. “Dava para comprar um carro”, salienta ela, dizendo que ainda não sabe se contará a filha sobre a forma de sua concepção. 

Já o caso da recepcionista de uma gráfica de Natal, Carla Medeiros, 27 (nome fictício), é diferente. Há quase cinco anos ela tentava engravidar pelos métodos naturais, mas não lograva êxito. Resolveu então buscar ajuda em uma clínica de reprodução humana da capital, em outubro, do ano passado. 

Antes de buscar o método de fertilização in vitro, ela se utilizou de outros métodos mais simples, como indutores de ovulação, mas sem sucesso. Diagnósticos comprovaram que Carla não ovulava, mesmo com altas dosagens de medicamentos. 

“Nunca achei que fosse precisar fazer uma fertilização in vitro. Mas, acabei me consultando com a doutora Kyvia para fazer uma ultra-sonografia, e após o diagnóstico de que meu útero não reagia aos medicamentos, ela me apresentou o método”, relata. Sobre a possível conquista da maternidade, ela é categórica: “Estou há muito tempo nessa
luta. E creio em Deus que terei sucesso”. 

A recepcionista revela que além da medicina, sempre busca a Deus em suas orações. “Tem que ter fé. Às vezes a gente tem uma recaída, sobretudo quando vê um fracasso. Para mim, ainda é um sonho, que se Deus quiser eu realizarei”, constata. 

Ela acrescenta que: “O dia em que eu abrir um exame é der positivo será uma mistura de felicidade, emoção. E nesse dia, com certeza serei uma mulher completa”. Carla tem uma verdadeira coleção de exames de gravidezes negativos e parte ainda este ano para sua terceira tentativa.

Medicina
 A ginecologista e obstetra, Kyvia Bezerra Mota, afirma que nos últimos dez anos tem sentido um crescimento em casais norte-rio-grandenses que buscam métodos de reprodução assistida para engravidar. Segundo ela, um dos fatores para esse crescimento está relacionado ao fato de que atualmente as mulheres deixam para procriar mais tardiamente.

“Elas dão mais prioridades ao trabalho, aos estudos, e esperam para engravidar com uma idade mais avançada”, observa, alertando que o tratamento tem um índice relativamente alto de falhas e recomenda a suas pacientes uma preparação psicológica.

Em relação às dificuldades enfrentadas pelos casais para “engravidar”, ela destaca que em 40% dos casos elas estão ligadas ao parceiro, com diminuição na quantidade e qualidade de espermatozóide. 

A mulher responde, em média, por 50% das dificuldades. As mais comuns são ovário policístico, alteração na trompa e na qualidade dos ovos. Em outros 10% dos casos, as dificuldades vêm de ambos os lados.

A médica explica que mesmo com toda a evolução, o método mais utilizado em sua clínica ainda é o mais simples: o coito programado (prepara a mulher para ovular e orienta a relação sexual no período recomendável). 

Mas, a ginecologista ressalta que existe um crescimento do método de fertilização in vitro (prepara a mulher para ovular. Após esse procedimento, retira os óvulos e fecunda-os no laboratório. Em seguida transfere os embriões para dentro do útero da mãe). Além da
fertilização, a ginecologista cita o método de inseminação artificial (prepara a mulher para ovular e em seguida coloca-se o sêmen dentro do útero da paciente, próximo as trompas).

Para se fazer um procedimento como, por exemplo, a fertilização in vitro, o casal terá que desembolsar em torno de 10 mil reais, dependendo do caso. O que mais encarece o tratamento, que leva em média dois meses, são os medicamentos. “As medicações são caras”, frisa.
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