Diabetes: 20 perguntas

No Brasil, aproximadamente 6 milhões de pessoas acima de 18 anos têm a doença. Junto com a hipertensão, o diabetes é a doença que mais mata no país.

Itaércio Porpino,

O diabetes é considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) uma epidemia mundial. No mundo, há cerca de 180 milhões de pessoas com diabetes. No Brasil, aproximadamente 6 milhões de pessoas acima de 18 anos têm a doença. Junto com a hipertensão, o diabetes é a doença que mais mata no país. É também a principal causa de internações por complicações cardiovasculares, diálise por insuficiência renal crônica e amputações de membros inferiores. O diabetes já é responsável por 15% dos investimentos nacionais em saúde. 

1. O que é diabetes?
Diabetes é uma doença que resulta da diminuição ou falta de insulina no organismo, hormônio cuja função é fazer com que os músculos e outros tecidos absorvam a glicose (açúcar) do sangue, que em níveis elevados pode levar a sérias complicações, inclusive à morte.

2. O que é hiperglicemia?
É o aumento da glicose no sangue. A Sociedade Brasileira de Diabetes considera que valores acima de 126 mg em jejum são suspeitos de diabetes. Valores acima de 200 mg em qualquer ocasião fazem o diagnóstico.

3. O que é hipoglicemia?
Baixo nível de glicose no sangue. Quando a glicemia está abaixo de 60 mg, com grandes variações de pessoa a pessoa, podem ocorrer sintomas de uma reação hipoglicêmica: sensação de fome aguda, dificuldade para raciocinar, sensação de fraqueza com um cansaço muito grande, sudorese exagerada, tremores finos ou grosseiros de extremidades, bocejamento, sonolência, visão dupla e confusão que pode caminhar para a perda total da consciência, ou seja, coma.

4. Quais os tipos de diabetes?
São conhecidos alguns tipos de diabetes, mas os principais são o tipo 1 e o tipo 2. O primeiro é causado por uma reação auto-imune em que o sistema de defesa do organismo ataca as células produtoras de insulina, que por isso produzem muito pouca ou nenhuma insulina. Pode afetar pessoas de qualquer idade, mas geralmente ocorre em crianças ou adultos jovens. O diabetes tipo 2 é o mais comum, respondendo por 90-95% de todos os diabetes. Costuma se desenvolver em pessoas com idade superior a 45 anos que apresentam excesso de peso. No entanto, como consequência do aumento da obesidade entre os jovens, é cada vez mais comum em crianças e adultos jovens.

5. Quais as principais complicações do diabetes?
Quando não tratada adequadamente, causa doenças tais como infarto, derrame cerebral, insuficiência renal, amputação dos membros inferiores, problemas visuais e lesões de difícil cicatrização, dentre outras complicações.

6. O diabetes também pode causar impotência sexual?
A impotência é uma complicação que pode ocorrer. A melhor forma de tentar evitá-la é através do controle da glicemia. Ou seja, cuidar bem do diabetes, mantendo uma vida saudável.

7. Quais os sinais do diabetes?
Pessoas com níveis altos ou mal controlados de glicose no sangue podem apresentar muita sede, vontade de urinar diversas vezes, perda de peso (mesmo sentindo mais fome e comendo mais do que o habitual), fome exagerada, visão embaçada, infecções repetidas na pele ou mucosas, machucados que demoram a cicatrizar; fadiga (cansaço inexplicável) e dores nas pernas por causa da má circulação. Em alguns casos não há sintomas. Isto ocorre com maior freqüência no diabetes tipo 2. Neste caso, a pessoa pode passar muitos meses, às vezes anos, para descobrir a doença. Os sintomas muitas vezes são vagos, como formigamento nas mãos e pés.

8. Como diagnosticar o diabetes?
O diagnóstico do diabetes inicialmente è feito através dos sintomas descritos pelo paciente ao médico, depois pelo exame clínico e, por fim, são feitos exames laboratoriais. Quando já se possui histórico de diabetes na família, se faz alguns exames de forma rotineira como meio de prevenir o aparecimento da doença.

9. Onde é possível fazer os exames?
Os exames podem ser feitos nas unidades da rede básica de saúde, que também disponibilizam insulina humana NPH/100UI e regular, e os medicamentos metformina e glibenclamida. Esses remédios são adquiridos pelas secretarias estaduais e municipais de saúde, por meio do repasse de recursos financeiros do Ministério da Saúde.

10. Quais as pessoas com fatores de risco?
São consideradas pessoas com fatores de risco aquelas com mais de 40 anos e que apresentam sobrepeso, hipertensão, antecedente familiar, histórico de diabetes gestacional, colesterol alto e que mantém hábitos sedentários e dieta alimentar pouco saudável.

11. Qual a relação entre diabetes e obesidade?
Mais de 80% das pessoas com diabetes tipo 2 - a mais comum - apresentam excesso de peso. Quanto mais obesa é a pessoa, maior é o risco dela desenvolver a doença.

12. Como prevenir o diabetes?
Mantendo hábitos alimentares saudáveis e perdendo peso caso necessário. Exercitando-se regularmente, evitando cigarro, cuidando da pressão e do colesterol e monitorando, por meio de exames, a taxa de glicose no sangue.

13. O consumo do açúcar mascavo é mais benéfico que o açúcar refinado?
O açúcar de mesa passa por um processo de refinamento. O açúcar mascavo, por não passar pelo mesmo processo, mantém as vitaminas e sais minerais da cana-de-açúcar. Apesar disso, a diferença calórica e de grama de carboidratos não são tão significativas. Pessoas com diabetes podem consumir o açúcar mascavo, desde que sua quantidade seja computada como valor calórico e gramas de carboidrato, pois é igualmente absorvido e eleva a glicemia a patamares similares ao açúcar comum.

14. Como tratar a doença?
O diabetes é uma doença crônica, sem cura, mas o portador pode levar uma vida saudável e duradoura evitando/administrando problemas possivelmente relacionados a diabetes a longo ou curto prazo. O tratamento é baseado em cinco conceitos: conscientização e educação do paciente; alimentação e dieta adequada para cada tipo de diabetes e para o perfil do paciente; vida ativa, mais do que simplesmente exercícios; medicação (hipoglicemiantes orais e insulina) e monitoramento dos níveis de glicose e hemoglobina glicada.

15. A acupuntura pode ser usada como tratamento?
Para as pessoas com diabetes, pode ser útil apenas no alívio das dores, nas neuropatias e para determinados casos, sob orientação médica. No entanto, se for usado como substituto do tratamento usual (dieta, insulina comprimidos hipoglicemiantes, exercício físico e etc.), pode ser perigosa.

16. Qual a população de diabéticos?
No mundo, há cerca de 180 milhões de pessoas portadoras de diabetes. No Brasil, aproximadamente 6 milhões de pessoas acima de 18 anos têm a doença, considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) uma epidemia mundial. Junto com a hipertensão, é a doença que mais mata no país. É também a principal causa de internações por complicações como doenças cardiovasculares, diálise por insuficiência renal crônica e amputações de membros inferiores. O diabetes já é responsável por 15% dos investimentos nacionais em saúde.

17.Por que se diz que a população de diabéticos pode ser bem maior?
Porque se estima que metade dos portadores de diabetes tenham a doença e não saibam. Muitas vezes ela só é diagnosticada quando se manifestam as complicações.

18. Há uma previsão de que em 2025 a população mundial de diabéticos dobre. Em que a estimativa se baseia?
O envelhecimento da população, a urbanização crescente e a adoção de estilos de vida pouco saudáveis como sedentarismo, dieta inadequada e obesidade são os grandes responsáveis pelo aumento da incidência e prevalência do diabetes.

19. A conscientização e prevenção são as melhores formas de combater a doença?
Estima-se que até 80% dos casos de diabetes tipo 2, o mais freqüente, poderiam ser evitados, o que reforça a necessidade de conscientização e educação sobre prevenção em pessoas de risco e abordagens para ajudar a retardar ou evitar as complicações da doença.

20. O que o Governo tem feito nesse sentido?
O Governo Federal criou em 2007 o Programa Nacional de Atenção a Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus (Hiperdia), que compreende um conjunto de ações de promoção à saúde, prevenção, diagnóstico, tratamento e capacitação de profissionais, além de assistência farmacêutica aos portadores da doença.


O Nasemana consultou o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Diabetes


* Matéria publicada no Jornal Nasemana (edição 25 - 13 a 19 de setembro de 2008)
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