Cresce número de mulheres que engravidam após os 40 anos

Planejar o filho é uma realidade cada vez mais presente. Por isso, o Nominuto.com conversou com um especialista para tirar as principais dúvidas sobre o assunto.

Carla Cruz,
Hoje em dia, a idade não é mais o impeditivo para a mulher ser mãe. Enquanto estiver ovulando, seu corpo tem condições de gerar um bebê. A medicina evoluiu, criou tecnologias que auxiliam a concepção e aumentou a expectativa de vida do homem.

Por outro lado, as pessoas começaram a se dedicar mais ao corpo e se preocupar com os excessos. E essa combinação vem surtindo efeitos. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de mulheres que engravidaram pela primeira vez após os 40 cresceu 27% em dez anos.

No entanto, apesar da demanda ter aumentado, ainda persistem muitas dúvidas sobre os riscos de se engravidar depois dos 40 anos. Por isso, a reportagem do  Nominuto.com conversou com um especialista no assunto para esclarecer essas questões, e auxiliar no planejamento da maternidade de quem pretende engravidar mais tarde.

Marcos Antonio Lacerda é ginecologista e obstetra. Atualmente, realiza pesquisas na área de menopausa.

- Nominuto: Qual a relação entre a idade e a possibilidade de uma gravidez tranqüila?

Dr. Marcos Antonio:
A idade não é o fator que impede a mulher de ter filhos. O histórico é o que determina se ela poderá ser mais aos 40 anos. A maior parte das que cuidam da alimentação, controlam o peso e que fazem acompanhamento ginecológico tem condições de ter filhos.

- Nominuto: Mas, do ponto de vista anatômico e funcional e da fisiologia do aparelho reprodutivo feminino, existe uma fase que poderia ser considerada ideal para a gravidez e o parto?

Dr. Marcos Antonio: Nós, médicos, geralmente consideramos ideal a faixa entre 20 e 29 anos. Antes, o aparelho reprodutor feminino não está totalmente desenvolvido e depois há uma regressão na fertilidade da mulher.



- Nominuto:
Existem riscos para o bebê?

Dr. Marcos Antonio: Nós trabalhamos para diminuir os riscos, mas de fato, eles existem. Depois dos 35 anos, a mulher tem menos óvulos e é menos fértil. A possibilidade de ter um filho com Síndrome de Down aumenta, e o pré-natal também deve ter um acompanhamento mais forte, isto porque é maior o risco de desenvolver hipertensão, diabetes ou de apresentar uma doença de base pré-existente, visto que muitas mulheres adultas só procuram o médico quando ficam grávidas. Mas, é importante enfatizar que isso não é uma regra. Volto a afirmar que é cada vez mais possível ter uma gravidez tranquila aos 40.

- Nominuto: Que cuidados deve tomar a mulher com mais de 35 anos que decidiu engravidar pela primeira vez?

Dr. Marcos Antonio: O ideal é que o pré-natal comece antes da concepção. Por isso, a mulher deve procurar o médico antes de engravidar. Nesse momento, é importante fazer exames laboratoriais de rotina (hemograma, tipagem sangüínea, sorologias, exame de urina) e uma avaliação clínica, uma vez que o ginecologista está virando o clínico geral da mulher. Se tudo estiver bem, recomenda-se que tome ácido fólico, uma vitamina do complexo B, para diminuir o risco de malformação do sistema nervoso central do bebê.

- Nominuto: E no caso da mulher não conseguir engravidar naturalmente?

Dr. Marcos Antonio: Neste caso, existe uma série de tratamentos que podem auxiliar nessa concepção. O que vai determinar qual é o método mais apropriado será a saúde e o corpo da mulher. Cabe ao médico, analisar todos os exames e escolher junto ao casal o tratamento a ser utilizado no processo. A fertilização in-vitro ainda é o mais utilizado.

- Nominuto: Qual é o índice de sucesso nas fertilizações in-vitro e na gravidez normal?

Dr. Marcos Antonio: Nos casais em idade fértil e sem nenhum problema, a chance de a mulher engravidar naturalmente é de 25% em cada ciclo menstrual. Nas fertilizações in-vitro, a taxa de sucesso esbarra nos 20%. Por isso, considera-se absolutamente normal a mulher com 25 anos, que está tentando há quatro meses, ainda não ter conseguido engravidar (em cada ciclo suas chances são de 25%).

- Nominuto: Gostaria de deixar alguma consideração final?

Dr. Marcos Antonio: É importante enfatizar que é a saúde da mulher que indica o melhor momento para a gravidez. Por isso, o acompanhamento ginecológico deve ser permanente. No mais, planejar o filho é um direito de todo casal. E trabalhamos para que a gravidez transcorra satisfatoriamente.

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