Corredores lotados: 59 pacientes esperam por atendimentos ortopédicos

Até a manhã desta sexta-feira (31), já são 59 pacientes esperando por transferência, no hospital Walfredo Gurgel .

Gabriela Duarte,
Gabriela Duarte
Pacientes aguardam transferência nos corredores do HWG
Desde a última quarta-feira (29) o Itorn, Hospital Médico Cirúrgico e Memorial paralisaram os atendimentos em ortopedia e traumatologia, devido ao impasse entre Secretaria Estadual de Saúde e os donos dos hospitais privados, onde a Prefeitura de Natal deve pagar 40% do valor dos atendimentos e os outros 60% são pagos pelo Estado.

Enquanto nada é resolvido, 59 pacientes esperam nos corredores lotados do Hospital Walfredo Gurgel. “O Walfredo realiza os primeiros-socorros, depois ficamos esperando a autorização da Secretaria Municipal de Saúde e os pacientes ficam esperando por cirurgia ou manutenção da fratura”, disse a assessoria de imprensa do HWG. A equipe do Nominuto.com procurou falar com os diretores, mas nenhum foi encontrado na unidade. 

Fotos: Gabriela Duarte
Josenaldo Francisco, agricultor, 37 anos
O agricultor Josenaldo Francisco, 37, de Macaíba, está internado desde a terça-feira (28), quando caiu da carroça a caminho do trabalho. “Vim para cá terça-feira. Fui atendido lá em Macaíba, quando eles fizeram um raio-x da minha perna. Quando cheguei aqui, eles enfaixaram minha perna, deram-me uma injeção de Voltarém e falaram que eu tinha que fazer uma cirurgia. Pronto, depois disso, não me falaram mais nada, nem medicação recebi mais. Essa situação é muito ruim, porque os políticos sabem pedir nosso voto, mas quando a gente precisa, cadê eles para cuidarem da gente? Estou sentindo dor e não tenho idéia de quando vou ser transferido, para ser operado”, reclamou Josenaldo, que ainda não avisou aos familiares da sua situação.

Outro paciente que se encontrava na maca, no chão, Sérgio Pereira, estudante de 19 anos, 
Sérgio Pereira, estudante, 19 anos
chegou ao HWG na noite desta quinta-feira (30), após se envolver em uma briga de rua. Ele fraturou a perna e também precisa de cirurgia. “Cheguei ao hospital nesta madrugada. Fui defender um amigo de uma briga e acabei apanhando; estou com a perna quebrada e sinto muita dor. Os médicos me medicaram, fizeram um raio-x e falaram que vou ter que esperar ser transferido para fazer a cirurgia".
O problema é que com essa falta de atendimento, não sei quando vou poder ser operado. Isso é um absurdo. Como cidadão, tenho direito a atendimento médico, não tenho condições de pagar um hospital particular; só me resta esperar, e essa espera me dá medo, medo de ser esquecido, de acabar me prejudicando e até de perder o movimento da perna. Mas, apenas me dizem que só me resta esperar. A saúde pública é uma palhaçada”, disse indignado. 

Petroneta Maria, aposentada, 91 anos


Já a aposentada Petroneta Maria, 91, sofreu uma queda na terça-feira (28), quando quebrou o fêmur. Conseguiu uma vaga no Hospital Memorial na manhã desta sexta-feira. “Estamos esperando desde terça-feira, mas, graças a Deus, conseguimos essa vaga; demorou muito. Ela é idosa, era para ter sido mais rápido, mas está bom, agora vamos resolver e ela vai ficar bem”, disse sua acompanhante, Maria Betânia.
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