Augusto Severo: ampliação do aeroporto não atenderá a demanda que já existe

Obra contemplará um movimento de 1,5 milhão de passageiros por ano, mas o terminal já fechou esse ano com 1,6 milhão de pessoas embarcando e desembarcando.

Elaine Vládia,
Elaine Vládia
Área de check-in é uma das que apresenta maior problema com o calor
“Vai minimizar o desconforto atual. Vamos tentar sobreviver dentro do mínimo de conforto necessário até a chegada de São Gonçalo, porque primamos pelo serviço ofertado”. A declaração do superintendente em exercício do Aeroporto Internacional Augusto Severo, Paulo China, e dá o indício de que a obra que será feita para a ampliação em 2008 está longe de atender a, já, grande demanda.

Concluído em 2000 para ter um movimento de 1,2 milhão de passageiros, o que deveria suprir a necessidade de pelo menos 10 anos, o terminal já está com sua capacidade ultrapassada há cerca de três anos e deve fechar com um fluxo de passageiros embarcados e desembarcados em torno 1,6 milhão. E a obra que será realizada atenderá uma demanda de apenas 1,5 milhão.

Enquanto o Aeroporto Internacional de São Gonçalo não fica pronto, o jeito vai ser se contentar com algumas medidas que estão sendo tomadas para evitar transtornos. A Infraero já está tentando junto ao Ministério da Defesa equacionar os vôos de forma a haver mais espaçamento entre eles – uma vez que atualmente são concentrados no início da tarde e madrugada, ficando os demais horários com o terminal ocioso.

Mesmo que já receba 1,6 milhão de passageiros, se isso ocorrer, explica China, os transtornos serão menores. Questionado sobre uma obra que será feita para uma quantidade menor de passageiros do que já recebe atualmente, ele disse que era uma resposta difícil. Mas enfatiza que o projeto era para ter sido executado há dois anos. Pesa ainda o fato do governo federal não querer investir muito em um terminal, tendo outro em construção em São Gonçalo.



Conta ainda como defesa da Infraero o fato do crescimento vertiginoso do fluxo de passageiros. Em 2000, quando foi concluído, o aeroporto de Parnamirim teve um movimento de 913.898 passageiros. A capacidade de 1,2 milhão foi ultrapassada em 2005 – na metade do tempo previsto – quando atingiu 1.299.144 passageiros. No ano passado o movimento chegou a 1.393.161 e até novembro passado, já foram registrados os embarques e desembarques de 1.425.973 pessoas.

A ampliação
A licitação para a obra deve aconteceu no início do primeiro semestre de 2008 – era para ter saído em julho deste ano. “Houve atraso devido a adequações nas planilhas do processo licitatório”, explicou o superintendente. O valor previsto para essa ampliação é de R$ 6,5 milhões.



Mesmo assim, ele garante que, pelo menos, uma etapa da reforma, ficará pronta na alta estação 2008/2009. Serão contempladas as áreas mais críticas, como setor de check-in, ganhando mais um setor, e sala de desembarque doméstico – que terá mais uma sala.




Junto com a obra, o terminal deverá ganhar um novo sistema de refrigeração – o atual não atende a demanda e vive quebrando. Os recursos já estão assegurados, garante Paulo China, e o aparelho de ar condicionado atual ficará de reserva.

O fluxo
Segundo o superintendente, o aeroporto deve fechar o ano com cerca 1 milhão 620 mil passageiros, algo em torno de 4% acima do verificado em 2006 – até novembro o percentual já estava em 2,36% de crescimento com relação ao mesmo período do ano anterior. Somente em novembro de 2007 registrou-se um aumento de 31,33% no número de passageiros que embarcaram e desembarcaram no Augusto Severo em comparação a novembro de 2006.

Mesmo com a queda de passageiros internacionais, Paulo China observa que o desembarque doméstico está suprindo a situação ocasionada pela queda do dólar, principalmente. Com promoções atrativas das companhias aéreas e uma política de estímulo ao turismo por parte dos governos, disse, a situação foi contornada, tanto que haverá um crescimento com relação ao ano anterior.


São Gonçalo
O aeroporto Intermodal de São Gonçalo, previsto para ser o maior da América Latina, terá, numa primeira etapa, capacidade para receber cerca de 5 milhões de passageiros, chegando ao final a 35 milhões. “nem Guarulhos, que é o maior da América Latina hoje, tem a metade disso”, enfatiza Paulo China.
A+ A-