Alimentação livre de corantes e conservantes

Sem agrotóxicos, produtos estão sendo cada vez mais consumidos pelos norte-rio-grandenses.

Zenaide Castro,
Fotos: Vlademir Alexandre
É possvel encontrar uma diversidade de alimentos orgânicos nas prateleiras.
Muito tem se falado em alimentação saudável e uma maior qualidade de vida. As receitas de saúde enchem as revistas semanais, com dicas de como viver melhor, tendo como base alimentos lights, diets, sem corantes, sem conservantes, sem agrotóxicos... Mas, até onde as pessoas estão conscientes do que querem ver em sua mesa na hora das refeições? E até onde elas conhecem as verdadeiras funções de cada alimento?
 
Diante de tantas inovações culinárias, os mais atentos chegam a alegar que, às vezes, adotam um tipo de alimento que beneficia o organismo por um lado, mas termina prejudicando por outro. A dona-de-casa Vanete Carmem Moreira não se cansa de pesquisar na internet e procurar nos supermercados alimentos que se adaptem ao estilo de vida mais saudável que adotou há alguns anos. "Estou preocupada com a minha saúde e tentando preservá-la através de uma boa alimentação", justifica.
 
Na geladeira da sua casa, as hortaliças e as verduras são orgânicas, ou seja, cultivadas sem agrotóxicos ou aditivos químicos. Vanete também já experimentou produtos como a geléia e, apesar de ter aprovado, faz uma ressalva: "Acho que faltam produzir alimentos orgânicos dietéticos para serem consumidos por uma maior parte da população que não quer engordar ou precisa emagrecer". E completa: "Eu mesma sinto que estou ganhando peso com alguns produtos que estou consumindo, como as geléias".
 
Os produtos orgânicos começam a ganhar espaço nas gôndolas dos supermercados. São produtos de origem animal ou vegetal, obtido sem a utilização de produtos químicos, adubos solúveis ou de hormônios artificiais para promover o crescimento. De acordo com o produtor rural Marcos Sena, para a pessoa comprovar se o produto é realmente orgânico, ela deve prestar atenção no selo que certifica a sua qualidade. 

A certificação envolve sérios procedimentos de inspeção dos processos de produção, exigindo uma série de cuidados, desde a desintoxicação do solo até o envolvimento com projetos sociais e de preservação do meio ambiente. Os produtos certificados exibem, em seu rótulo, um selo que garante a sua procedência e qualidade. "O alimento orgânico tem como principal característica o fato de ser extremamente natural, com a menor interferência possível da ação humana", disse. 

O consumidor já consegue encontrar uma grande variedade de produtos orgânicos, desde carne, frutas, verduras, legumes, processados, laticínios, camarão e leite, para citar alguns. "O mercado está atendendo a uma demanda formada por clientes mais conscientes da necessidade de uma alimentação mais saudável", falou Marcos Sena.
 
Apesar de a oferta estar aumentando, os preços desses alimentos ainda estão acima dos produtos convencionais. No caso das hortaliças, a diferença chega a 15% e nos processados o aumento nos preços pode atingir 50%. "Entretanto, é preferível gastar um pouco mais na alimentação e economizar no medicamento", brincou o produtor rural. 

Em Natal, alguns supermercados estão oferecendo os produtos e, aos sábados, das 6h às 10h, uma feira de produtos orgânicos é montada na Praça Cívica do Campus da UFRN. A Feira reúne produtores de Natal e de cidades do interior. É uma feira ecologicamente correta, com aproximadamente 15 barracas vendendo desde legumes, verduras, frutas e outros tipos de alimentos, até produtos de higiene pessoal, como sabonetes feitos à base de hortaliças, todos produzidos com materiais sem agrotóxicos.

Filosofia de vida e mudança de atitude 
 
Em Natal, alguns supermercados estão oferecendo os produtos.
A produção de orgânicos não se resume a uma mera prática agrícola. Trata-se de uma verdadeira filosofia de vida a adoção de atitudes mais naturais. O produtor orgânico tem que seguir regulamentos que mantêm a harmonia entre os setores social, ambiental e econômico, cumprir com a legislação sanitária, a correta disposição do lixo e o bem-estar dos animais. 

O solo deve ser enriquecido naturalmente, livre de agrotóxicos, pesticidas, adubos químicos ou sementes transgênicas. Os animais devem ser criados livres do confinamento - prática bastante utilizada nos meios convencionais de criação de gado - e sem ingerir hormônios de crescimento, anabolizantes ou outras drogas.
 
As entidades certificadoras ou os organismos participativos atestam que todas essas exigências foram seguidas e, só aí, emitem a certificação colocando um selo no rótulo do produto. No caso de venda direta ao consumidor, a partir de 28 de dezembro deste ano a certificação será facultativa, conforme a legislação já promulgada, mas isso também deve ser informado no rótulo do produto. 


* Reportagem publicada no Jornal Nasemana (edição 23 - 30 de agosto a 5 de setembro de 2008)
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