Aeroporto Augusto Severo: calor e desconforto só terminam no final de janeiro

Sistema de refrigeração atual está sendo revitalizado, mas Infraero fará licitação para a aquisição de um novo.

Elaine Vládia,
Elaine Vládia
Em horários de pico, como a tarde, o calor é insuportável.
Vale comprar água mineral, pegar um folheto ou uma pasta para se abanar e, principalmente, reclamar. Diante do calor da estação e do mau funcionamento do aparelho de ar condicionado do Aeroporto Internacional Augusto Severo, em Parnamirim, passageiros, funcionários, guias de turistas e demais pessoas que trabalham indo ao aeroporto, como taxistas, estão descontentes com a situação de um terminal de um estado turístico como o Rio Grande do Norte.


Estando atualmente com cerca de 35% da capacidade apenas, como informa o superintendente em exercício da Infraero, Paulo China, o aparelho só deve estar em pleno vapor no final de janeiro. Porém, ressalva, na primeira quinzena estará com 80% de seu funcionamento.





E enquanto a revitalização do aparelho não chega, o que resta é se abanar e reclamar, e há quem consiga alguma melhoria. Como o dono de uma das lojas, que conseguiu direcionar a corrente de ventos do ar condicionado em sua direção, o que é comemorado por suas vendedoras nesta semana.




Segundo comenta uma delas, que prefere não se identificar, os passageiros ficam indignados. Alguns reclamam que pagam taxa de embarque – de quase R$ 20 – para terem conforto, o que não está sendo proporcionado no terminal de Parnamirim. “Nós também reclamamos. Todo dia a gente fala com todo mundo da Infraero para tentar resolver”, diz.

A situação é pior nos horários de pico – início da tarde e pela madrugada – mas como durante o dia o clima é mais quente – das 11h30 às 15h30 onde há grande concentração de embarques e desembarques – é quando os passageiros e funcionários que trabalham no aeroporto mais sofrem.


A guia de turismo Silvia Pinheiro e colegas consideram a falta de providências imediatas um absurdo – o aparelho apresenta problema há pelo menos cinco meses. “Para ser uma cidade turística, não era para o turista chegar e encontrar falhas como esta. Esse é um ponto negativo para Natal”, critica. Outro profissional que faz o receptivo de passageiros ressalta que diante dos atrasos nos vôos – que acontecem em todo o país e por conseqüência atingem o estado – as pessoas ficam expostas ao desconforto por mais tempo.




A turista Raquel Brumatti, professora, que mora em São Paulo, recorreu à água mineral. Pela primeira vez em Natal, ela aguardava familiares que vinham em outro vôo e não tinha uma primeira impressão positiva, apesar de estar ansiosa para conhecer a cidade e, principalmente, Pipa, diante de relatos de parentes e amigos que já estiveram no estado. “Não era para estar acontecendo isso (calor e desconforto). É preciso uma atuação maior dos responsáveis. Isso depõe um pouco contra a cidade”, admite.



A recepcionista Natália Lucena chega a esbravejar: “Está insuportável, principalmente devido ao clima. Os passageiros dizem para a gente que isso é uma falta de respeito. Nenhuma providência é tomada. Só recebemos promessas”.


Explicações
O superintendente em exercício, Paulo China, explica que o sistema está sendo revitalizado e uma parte está funcionando. Ele esclarece ainda que com a ampliação prevista para o ano que vem, o terminal também será contemplado com a aquisição de um novo aparelho para atender bem o grande público, o que já teria recursos assegurados. “Ainda no exercício de 2008 essas administração licitará um novo sistema de refrigeração para o aeroporto, ficando o atual de reserva. Isso é fato. Já temos dinheiro”.

O atual sistema, mesmo que funcionando na sua totalidade, tem capacidade para atender 1,2 milhão de passageiros e o terminal já recebe bem mais do que isso – mais de 1,5 milhão. O novo terá capacidade para um público maior.

Outras críticas
Funcionários também reclamam da quebra constante das escadas rolantes e elevadores, o que prejudica, sobretudo, portadores de deficiência. A situação seria tão comum que praticamente todas as semanas os problemas estariam acontecendo. Na tarde desta sexta-feira (28), quando a reportagem do Nominuto.com esteve no saguão, no entanto, estava tudo funcionando plenamente.














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