Wober diz não ser hora de discutir aliança partidária

Para o chefe da Casa Civil, a hora é de fortalecer os interesses do Rio Grande do Norte e as diferenças políticas são o menos importante nesse momento.

Marcos Alexandre e Fátima Elena Albuquerque,
O secretário-chefe da Casa Civil, Wober Júnior, afirma que não está na hora de o governo discutir aliança partidária, mas sim discutir o que se vai fazer a favor do Rio Grande do Norte. Ele admite que a luz amarela foi acesa no governo e que é preciso parar, caso contrário, o Estado irá ultrapassar o limite prudencial, sendo seriamente penalizado por isso."Não podemos gastar mais nada com o funcionário público, senão o Rio Grande do Norte será penalizado de forma drástica", afirmou. Na semana passada, a governadora Wilma de Faria esteve reunida com secretários de Estado e representantes dos poderes Legislativo e Judiciário e dos órgãos fiscalizadores para, juntos, adotarem medidas que possam mudar esse quadro. Em entrevista ao Nominuto.com o secretário tratou deste assunto e também dos planos do PPS em relação a alianças para as eleições do próximo ano. Wober também admite ter havido falhas no primeiro governo Wilma de Faria, e acredita que elas também ocorrerão neste segundo mandato, mas, na sua análise, a governadora acertou mais do que errou. O secretário fala pela primeira vez sobre as críticas que recebeu recentemente, as quais classifica como um “complô subterrâneo e uma articulação clandestina, sem rosto, sem inteligência, sem cara e sem nome”, mas garante que não irá respondê-las.. Quanto à sua provável candidatura à Prefeitura, em 2008, ele afirma que ela não está colocada e que o projeto do PPS é fazer uma chapa competitiva de vereadores, para fortalecer o partido para as eleições de 2010. Confira abaixo a entrevista.



Nominuto - Secretário Wober Júnior, o que o senhor está planejando em termos de alianças e também até eleitoralmente, com relação à chapa majoritária. Como será o posicionamento do PPS?

Wober Júnior - O PPS vai lutar para que a base de apoio ao governo Wilma, composta por vários partidos, com pensamentos políticos, ideológicos e programáticos diferentes, mas que insertaram um projeto de apoio à candidatura Wilma, liderada por ela, pelo PSB. A gente vai lutar para que essa base tenha um candidato único em Natal, consensualizado. Aqui e nas grandes cidades do interior. Vai ser a luta do PPS.


NM - Mas isso é possível aqui em Natal, já existindo quatro pré-candidatos da situaçãoes o PPS também podendo entrar na disputa?

WJ - Mas a gente vai lutar pelo consenso. Se essa chapa não for construída, aí cada partido, pela sua própria natureza, vai buscar a disputa do poder. Vai buscar as alianças possíveis ou as suas candidaturas próprias porque isso é extremamente legítimo numa democracia plural, como é a nossa do Brasil, conquistada a duras penas. Então, o PPS vai ter uma estratégia de fortalecer as chapas proporcionais, de participar do processo de construção de uma chapa majoritária --nós queremos intervir e participar do processo --, e vamos deixar que a política tome conta desse caminho.


NM - Então o plano "A" é fortalecer a chapa nessas alianças?

WJ - O plano A é fazer uma chapa competitiva de vereadores, para fortalecer o partido para as eleições de 2010, e fazer uma boa bancada em Natal. Dentro desse projeto, lutar para que se encontre um consenso na base de apoio da governadora Wilma aqui em Natal. E, no plano B, respeitar a adversidade partidária. Cada um saia com seu candidato, com seu programa e com sua idéia para disputar a Prefeitura.


NM - No plano B Wober sairia candidato a prefeito?

WJ - Isso não está aventado. No PPS, especificamente, nós queremos fazer uma chapa de vereadores que seja competitiva. Na questão majoritária, nós vamos intervir, vamos participar, mas a minha candidatura não está colocada.


NM - Secretário, dentro da busca por esse consenso na chapa majoritária, o PPS vai pleitear a candidatura a vice?

WJ - Pode pleitear. Nós temos candidatos com preparo, com história, com serviços prestados à cidade de Natal. Dentre o eles, o atual vereador Emilson Medeiros. É um bom quadro. Ele está preparado para ser prefeito de Natal, para ser vice-prefeito e para participar em qualquer aspecto da vida pública do Rio Grande do Norte como ponta de lança. Então, esse quadro, o PPS está preservando para possivelmente oferecer o seu nome para uma disputa majoritária.

NM - Ele não será mais candidato a vereador?

WJ - Provavelmente não.


NM - Por quê?

WJ - Ele acha que pode ajudar mais o partido colocando o seu nome para outras tarefas. Com a candidatura de Emilson a vereador, dificilmente nós faríamos uma chapa competitiva, já que a gente não tem cultura partidária. As pessoas se reúnem por afinidade pessoal, partidária, política e também por possibilidades reais de eleição. Com o processo amadurecido do aprofundamento da democracia no Brasil e o fortalecimento dos partidos, essa disputa pelo caráter individual vai diminuir. "Eu vencer, eu ganhar". E isso vai se transformar numa proposta mais democrática. "Nós, vamos chegar lá". É o partido, é o grupamento. Postulados que unificam todo mundo é o que vai prevalecer.


NM - Falta um pouco a articulação política, e o senhor está em um posto-chave nesse sentido. O que o senhor acha dessas críticas e o que pode ser feito para melhorar essa relação política, por exemplo, com a Assembléia, com os aliados, com dirigentes partidários?

WJ - Olhe, as críticas são naturais no processo democrático. Há contradições, há interesses contrariados, há entendimentos diversificados, esse é um processo natural. Agora, a relação do governo com os poderes Legislativo e Judiciário, com o Ministério Público, com o Tribunal de Contas, nunca esteve tão bem. O resultado disso foi uma reunião onde se consensualizou uma proposta de discutir o que o Estado pode fazer ou não. Saiu dessa agenda da picuinha, da coisa pequena, da política menor, e começou a se construir uma agenda a partir da do crescimento, para uma agenda político-institucional, onde os poderes compartilhassem as dores e as alegrias. É por aí que nós vamos caminhar no governo Wilma. O relacionamento do Gabinete Civil, em particular que cuida de uma parte dessa articulação com os outros dois poderes, idem, também está muito bem. Não há nenhum entrave.


NM - Com relação ao primeiro mandato, especificamente, você atribui essa falta de traquejo na articulação, até a perda do PFL da base aliada? O senhor, que foi líder do governo na Assembléia, no primeiro mandato, concorda que houve algumas falhas?

WJ - Houve falhas no primeiro governo, como vai haver falhas no segundo governo. Houve uma divergência política com o PFL, dentro de um processo eleitoral, e houve a eleição do candidato da governadora Wilma em Natal, e depois a reeleição da governadora para o governo do Rio Grande do Norte, Então o governo acertou mais do que errou. Se fosse o contrário, o candidato dela teria perdido aqui em Natal, e a governadora não teria sido reeleita para o seu segundo mandato. Então, no balanço de erros e acertos, o resultado prático, real, verdadeiro, é que o governo acertou mais do que errou.


NM - Recentemente, o senhor e foi alvo de duras críticas. Na ocasião, chegou a se falar que elas seriam um “fogo amigo”, que elas teriam partido de pessoas ligadas ao próprio governo. Como o senhor analisa essas críticas?

WJ - Não foram críticas, foi uma espécie de complô subterrâneo numa democracia. Foi uma articulação clandestina, sem rosto, sem inteligência, sem cara, sem nome. Isso é próprio dos porões da corrupções, da troca de influências, de favores, das dependências pessoais do Poder Público. Então, essa fábrica de intrigas não é para fazer a grande política, para desenvolver o Rio Grande do Norte, para discutir os grandes temas ou questionar os políticos pelo desafio da própria vida pública, pela sua história, pelo seu mandato, pelo exercício de seu cargo. Não foi nada disso. Não havia crítica a cargo nem ao desempenho das funções. Havia uma arrumação corrompida, com interesses subalternos de derrubar pessoas, de eleger outras pessoas. Isso é comum aqui no Rio Grande do Norte e no Brasil. Mas, nós do PPS, somos testados, passados na casca do alho. A gente inventou a ditadura e sobreviveu até hoje. Você imagine essas pessoas que vivem de favores do poder público. Esses grupos de intriga que só pensam em se locupletar da coisa pública e o PPS claro que vai ultrapassar isso. Essa é a primeira declaração que estou dando em relação a esse assunto. Mas isso é uma safadeza coletiva, em busca da promoção pessoal.


NM - Mas, de quem? De que setor partiu isso?

WJ - Eu não sei, não quero saber. O que existe é que isso foi notícia, foi manchete de jornal. A manchete de um jornal que não botou o rosto, que não botou a cara, que não botou o declarante. Quer dizer, é um negócio para servir a interesses subalternos. Não é uma coisa legítima, correta. É como se você chamasse qualquer pessoa de ladrão, sem botar nome, ou se eu desonrasse qualquer pessoa, em qualquer procedimento, e me escondesse. Quer dizer, não é uma coisa clara, transparente. É uma coisa suja, própria de pessoas que vivem enlameadas mesmo. Elas querem transformar a política numa pocilga muito grande, onde todos são iguais e o porco vive caminhando na mesma lama. Não tem nada disso, a gente quer fazer a grande política. E é por isso que eu não respondi, nem vou responder. Estou apenas analisando o fato. Não quero saber quem é, quem foi, por que, agora, o fato em si, eu analiso porque ele é verdadeiro.


NM - Existe realmente uma espécie de conflito interno no governo?

WJ - Todo governo tem crises, tem conflito interno, tem contradições. Não existe governo homogêneo. Porque são seres humanos, pessoas que pensam, que têm sentimentos e projetos, têm interesses. Claro, mas o que deve prevalecer é o interesse público, o interesse coletivo. E no estado republicano, com o presidencialismo, essas coisas são dirimidas muito rapidamente porque o governo é senhor, o governante é senhor de todas as suas ações. Ele diz com quem quer ficar e com quem não quer ficar; se está gostando do trabalho ou não. Então, o problema é do governante. O PPS vai ficar no governo, nesse ou em qualquer outro, até quando achar que deve ficar. Se houver alguma divergência ou discordância, a gente sai. Nós não temos projetos de ocupar cargos; nós temos projetos de poder, de transformar nossas idéias em realidade, de mudar a fisionomia do Rio Grande do Norte e do Brasil. Esse é o projeto da gente, não é ocupação de cargos, principalmente cargos de confiança. Pode até ser para cargo eletivo, mas cargo de confiança não. É fruto de uma aliança partidária, que se renovou na última eleição e eu espero que continue durante muito tempo. Mas, há os contratempos da política, que são normais.


NM - Voltando um pouco à questão das eleições de 2008. Já se cogitam vários nomes que possam disputar a Prefeitura de Natal e a maioria quer o apoio da governadora Wilma de Faria. Como o senhor analisa esse quadro?

WJ - A governadora, do ponto de vista pessoal, deve estar se sentindo muito bem porque na sua base de apoio têm três, quatro, cinco candidatos, e mais, os melhores apontados nas pesquisas. Todos querendo o apoio da governadora. Já pensou se ninguém quisesse o apoio da governadora? Era um negócio desastroso. Ela estava sem dormir, preocupada com o futuro dela. Ao contrário, todos, inclusive a oposição, desejam o apoio da governadora Wilma à sua candidatura.




NM - E como o senhor acredita que ela vai administrar essa situação, escolhendo um candidato e não comprometendo sua base aliada?

WJ - Isso faz parte do processo político. Já se ouviu alguma declaração oposição, dizendo que não queria o apoio da governadora Wilma? Nenhuma. A gente só vê nos jornais que não sei quem quer conversar com a governadora, que fulaninho conversou com a governadora não sei aonde, que cicraninho disse que a governadora está trabalhando para o Rio Grande do Norte. Quer dizer, eu acho que está todo mundo querendo o apoio da governadora. E mais, ela não está fazendo a política eleitoral ainda. Ela lançou a agenda do crescimento, dizendo o seguinte: o nosso adversário é o adversário do Rio Grande do Norte. Quem estiver, independentemente de partido político, engajado no projeto de fazer crescer o nosso Estado, de desenvolver nossas ações, de produzir uma política pública que seja capar de arrancar o Rio Grande do Norte dessa pobreza, que venha somar a nós. Não há nenhuma contradição nisso. Então, pode vir PMDB, pode vir PFL, já está o PT, o PPS, o PCdoB, todos. Porque o RN é a bandeira única de todos os políticos. Você diverge nas formas e até no conteúdo, mas nenhum diz que vai trabalhar e se eleger contra o Rio Grande do Norte. E a governadora é a governadora de todos. Se todos quiserem trabalhar para alocar recursos para o Estado, que venham. E a gente deseja isso.


NM - Não há um risco de a governadora, escolhendo um candidato A, o B, que foi preterido, migre para a oposição?

WJ – Há, mas é o risco natural da política. Pode haver divergências e convergências as mais absurdas possíveis no ano que vem e as mais normais também. Quer dizer, o processo político, as forças políticas que estão em permanente movimento, elas vão se ajustar no ano que vem porque isso tem prazo. Tem o dia da convenção e tem o dia da eleição. E nesse ínterim, tem a formação da chapa e a campanha propriamente dita. O governo vai trabalhar para se fortalecer e aia a estratégia nós vamos ter que definir no ano que vem - se vai ser estratégia de dividir todo mundo, de enfrentar todo mundo ou se vai ser uma tese de consensualizar todo mundo - e Natal tem uma característica muito boa: são dois turnos. Não vai se dar num só turno. Vai ser difícil para a governadora tomar uma posição se saírem vários candidatos da base e, no segundo turno, forem dois candidatos da base. Mas, já pensou os dois candidatos apoiando o governo Wilma? Deve ser um negócio maravilhoso. Se eu fosse governador, queria isso.


NM – E quais são os critérios que o senhor acha que devem nortear essa decisão?

WJ – Os critérios são os partidários. Quem vai estabelecer os critérios do PPS é o PPS, quem vai estabelecer os do PSB é o PSB, os do PT é o PT e assim por diante. Agora, há uma líder nesse processo, que é a governadora Wilma. Ela vai tentar, nessas contradições e nessas diferenças, juntar o máximo que puder e ela pode conseguir porque ela conseguiu para a candidatura dela. Claro que uma eleição municipal tem suas peculiaridades próprias e interesses próprios. Vai depender da postura de cada um, do projeto coletivo. E eu volto a dizer que Natal tem uma característica diferente, a única do Estado – ela tem dois turnos. Nessa eleição do ano que vem, dificilmente alguém vai ganhar no primeiro turno.


NM - Nessas conversas e diálogos com setores da oposição, qual a opinião do secretário Wober Júnior, falando agora na condição de dirigente partidário? O senhor acha mais viável uma reaproximação com o DEM ou com o PMDB?

WJ – Depende. Não está na hora de discutir essa aliança partidária. Está na hora de discutir o que se vai fazer a favor do Rio Grande do Norte. Por exemplo, como a bancada federal do Rio Grande do Norte, junto com o governo, vai alocar mais recursos para o terminal pesqueiro, para o Porto de Natal, para a construção do aeroporto de cargas, que vai fazer um diferencial na nossa economia; como é que a bancada do Rio Grande do Norte, junto com o Governo vai pressionar o governo federal para fazer uma reforma tributária de vergonha, que fortaleça o desenvolvimento das regiões menos desenvolvidas do país. Como o governo vai fazer a relação com os estados. Agora, no Fundeb, os estados levaram uma paulada do governo Lula porque vão perder mais recursos ainda. Então, a gente quer discutir essas questões. Isso está na pauta e as diferenças partidárias são o menos importante. Essa questão eleitoral tem que ser abordada no ano que vem. Claro, que todos os partidos têm interesse, todos estão pensando na eleição, porque é da natureza do partido político, mas, agora, do ponto de vista administrativo, o que a governadora Wilma de Faria quer é fortalecer os interesses do Rio Grande do Norte, que todos querem também. O senador José Agripino quer, o deputado Henrique Eduardo quer, o senador Garibaldi e a senadora Rosalba querem, o ex-senador Fernando Bezerra, o vice-governador Iberê Ferreira, o deputado Robinson Faria. Todo mundo está interessado em ajudar o Rio Grande do Norte.Eu não vejo uma declaração sequer de um desses líderes dizendo que o interesse principal não seja a defesa do Estado.


NM - Nesta semana, a governadora Wilma de Faria e alguns secretários estiveram reunidos com representantes do Tribunal de Contas do Estado, do Tribunal de Justiça e da Assembléia Legislativa, para tratar da questão do limite prudencial. O que ficou decidido?

WJ – Primeiro, o governo está assumindo a liderança da coordenação desse processo de negociação com os poderes e os órgãos fiscalizadores. Todos concordaram que a luz amarela foi acesa. Nós temos que parar. Não podemos gastar mais nada com o funcionário público, senão o Rio Grande do Norte será penalizado de forma drástica. Não poderá fazer convênio, não vai poder obter crédito nem não vai poder fazer empréstimos. Segundo, o governo, cortando na sua própria pele, não vai implantar os cargos que foram votados pela Assembléia Legislativa na reforma administrativa. Não vai conceder mais nenhuma gratificação. Todas serão suspensas daqui para frente. Só vai ceder funcionários se for com ônus para o órgão cessionário. Então, certas medidas preventivas devem ser tomadas para que o RN não ultrapasse o limite prudencial, além do aumento da arrecadação. Tem que tentar produzir mais, crescer mais e desejar que a economia do Brasil também deslanche.
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