Walter Alves: "Meu intuito é permanecer na Assembléia Legislativa"

O deputado peemedebista diz não ter intenção de se candidatar em 2008, mas ressalva que não se furtará a uma convocação partidária.

Marcos Alexandre,
Fotos: Gabriela Duarte
Walter Alves reitera ser contra uma reaproximação política com o PSB de Wilma de Faria
Vez por outra, o nome do deputado estadual Walter Alves (PMDB) é apontado como possível candidato a prefeito. Isto em Natal e, mais recentemente, em Parnamirim.

Quando questionado sobre o assunto, "Waltinho" procura não estimular notícias nessa direção. Ele afirma que seu objetivo é exercer todo o seu primeiro mandato na Assembléia Legislativa.

Por outro lado, o parlamentar não descarta totalmente nenhuma dessas hipóteses, embora admita concorrer a uma campanha majoritária apenas se receber uma "convocação" do partido.
A julgar pelas declarações que dá nesta entrevista, parece não se referir a Parnamirim. Tanto que assegura que não vai transferir seu título eleitoral para o município, o que teria que fazer até 5 de outubro para disputar o pleito local em 2008.

Filho do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB), Waltinho afirma nesta entrevista que respeitará a posição do prefeito Agnelo Alves (sem partido), a quem atribui o pleno comando da sucessão municipal. Agnelo declarou ser o deputado "devedor" de Parnamirim e que essa "dívida" precisa ser paga com o seu trabalho parlamentar em favor do município.

Este e outros assuntos são abordados por Walter Alves na entrevista que segue.

Nominuto.com — Afinal, o senhor pretende ser candidato em Parnamirim?

Walter Alves — Não, o meu intuito é permanecer na Assembléia Legislativa. Quem é que não gostaria de ser prefeito de Parnamirim? Seria uma honra. Mas o meu objetivo é continuar ajudando Parnamirim na Assembléia Legislativa. Sobre a sucessão municipal, tenho certeza de que o nome que o prefeito Agnelo Alves escolher dará continuidade ao grande trabalho que ele vem fazendo em Parnamirim, reconhecido por toda a população.

NM — Dentre esses nomes, ele descartou o seu. Como o senhor recebeu esse posicionamento?

WA — Vejo com naturalidade, até porque meu título eleitoral é de Natal. Vi até com muita honra, já que ele disse que tenho muita estrada pela frente. Deus permita que eu possa percorrer todos esses caminhos (que Agnelo apontou).

NM — O senhor recebeu essa posição do prefeito como um veto ao seu nome?

WA — Não, não vi como veto. Vi mais como um conselho. E, com a experiência que ele tem e com a admiração que tenho em relação a ele, devo segui-lo. Eu disse e reitero que só seria candidato em Parnamirim se houvesse uma convocação do partido, mas acho que o prefeito tem bons nomes prontos a dar continuidade ao seu trabalho.

NM — O senador Garibaldi Filho chegou a aventar publicamente a possibilidade de que o senhor viesse a transferir seu título eleitoral para Parnamirim. Isso está descartado?

WA — É, porque quem vai comandar o processo sucessório em Parnamirim é o prefeito Agnelo Alves. E ele deixou bem claro que pretende indicar um nome de Parnamirim e eu, como sou um eterno devedor de Parnamirim, juntamente com o senador Garibaldi, que foi quem mais ajudou o município quando foi governador, iremos ajudar o candidato do prefeito Agnelo Alves. Então, descarto essa transferência de título, mas ressaltando que seria uma honra (poder ser candidato).

NM — O prefeito Agnelo Alves também nos disse que o PMDB está disputando com o DEM uma corrida para ver quem se reaproxima mais rápido da base da governadora Wilma de Faria. Essa corrida existe mesmo?

WA — Vivemos hoje na política do Rio Grande do Norte, o que é bom para o próprio Rio Grande do Norte, o fim do radicalismo. Eu mesmo, na Assembléia, não pretendo, nem irei criticar por criticar ou bater por bater. Tenho feito críticas construtivas ao governo, e continuarei fazendo. Tenho criticado, por exemplo, a questão da saúde, que está um caos. E também tenho feito sugestões, pedindo que a governadora cumpra o que prometeu na campanha, para que ela possa construir e reformar hospitais regionais para melhorar a saúde, descentralizando os serviços de saúde no Estado. A educação também não está bem. Acho o governo bem acanhado nessa área. O Rio Grande do Norte nunca teve uma arrecadação com tem tido ultimamente, com recordes seguidos. E graças à tão combatida privatização da Cosern, que no primeiro governo da governadora Wilma de Faria deixou nos cofres públicos R$ 530 milhões, somente com ICMS. Agora em 2007, a expectativa é de R$ 180 milhões. O total do governo dela, no primeiro e segundo ano (mandato), ela terá mais de R$ 1 bilhão só com (a arrecadação de) ICMS (oriunda da privatização) da Cosern. É muito dinheiro. Quantas pontes não seriam construídas? Quer dizer, acho que não é um governo de obras, é um governo de marketing. Então, eu tenho criticado e tenho sugerido, dizendo que há dinheiro no governo.

NM — E sobre a corrida apontada por Agnelo?

WA — Não, o senador Garibaldi declarou nos jornais, inclusive, que não pretende fazer aliança política com o PSB. O que ele tem feito é ajudado o Rio Grande do Norte. Como o PMDB hoje faz parte da base do presidente Lula, isso tem sido importante para o Rio Grande do Norte e o deputado Henrique Eduardo também tem ajudado nesse sentido. Tanto que o (ex) deputado Elias Fernandes está no DNOCS, ajudando a viabilizar recursos e obras para o Estado. Então, o que existe é uma parceria em favor do Rio Grande do Norte e não uma parceria política.

NM — O que se sabe é que, de fato, o senador Garibaldi Filho seria contrário a uma reaproximação com o PSB, mas, por outro lado, fala-se que o deputado Henrique Eduardo Alves veria isso com bons olhos. Esse tema já chegou a ser discutido no partido?

WA — Eu desconheço. Não houve nenhuma discussão e, pelas suas entrevistas, o deputado Henrique Eduardo não tem demonstrado esse interesse, somente em ajudar o Rio Grande do Norte. Como líder do PMDB na Câmara, o deputado Henrique é hoje muito influente e tem dito que, naturalmente, vai usar essa influência em favor do Rio Grande do Norte.

NM — O senhor descarta essa possibilidade de reaproximação entre PMDB e PSB?

WA — Não posso falar em nome do partido, mas como um simples deputado estadual sou favorável à permanência da aliança com o DEM, o PDT e com os outros partidos que já são nossos aliados.

NM — Sobre a sucessão em Natal, seu nome chegou inicialmente a ser cogitado como uma opção de candidatura do PMDB, antes mesmo de se aventar a possibilidade de ser candidato em Parnamirim. Hoje, o partido tem a situação um pouco indefinida nesse aspecto. Para onde deve caminhar o PMDB em Natal? Para a candidatura própria mesmo?

WA — Eu defendo a candidatura própria. Acho o PMDB um partido forte, não apenas em Natal, mas também no interior. A prova concreta e absoluta disso foi a última campanha eleitoral. Em Natal, no segundo turno das eleições, perdemos por apenas 3%, o que mostra que o candidato do PMDB é um candidato com chances reais de vitória.

NM — Mas o candidato, na época, era o senador Garibaldi Filho. E em 2008, ele já avisou que não pretende ser candidato. Diante disso, o que se vê é o PMDB, por enquanto, sem um candidato competitivo. E como o senador defende que não vale a pena lançar um candidato próprio apenas para cumprir tabela, que opções restariam ao PMDB?

WA — Concordo que o melhor nome é o do senador Garibaldi, pelo nome que tem e pela pessoa que é. Mas não podemos esquecer o interior e os amigos que o ajudaram. Graças ao trabalho e ao empenho dele, ele é hoje um nome estadual e, assim, precisa ajudar os amigos no interior, para fortalecer ainda mais o partido. Agora, acho que em Natal o PMDB tem outros nomes, o do próprio deputado Henrique Eduardo, dos vereadores Hermano Morais e Renato Dantas, da deputada Gesane (Marinho).

NM — Pessoalmente, o senhor já se posicionou a favor de Gesane...

WA — Acho que é uma boa opção. Ela foi uma deputada bem votada em Natal e é um nome que pode ser apresentado à população de Natal.

NM — E Walter Alves?

WA — É o que tenho dito: meu intuito é de continuar na Assembléia Legislativa, mas nunca me furtarei a um pedido do partido.

NM — E o que tem sido discutido no partido até agora? Já se pode apontar uma tendência ou uma estratégia concreta?

WA — Os nomes que estamos apresentando a Natal são esses que citei. Mas está cedo para discutir isso. A minha opinião é que devemos apresentar uma candidatura própria, juntamente com DEM, PDT e outros partidos que possam vir a somar conosco. Agora, se na hora da coisa afunilar, nenhum desses nomes possa ter chances reais de vitória, poderemos nos coligar com outra candidatura.

NM — Nos primeiros meses de seu mandato, o senhor se destacou por cobrar do governo uma maior transparência na sua prestação de contas. O governo tem melhorado sua atuação nesse campo?

WA — Como assumi a Comissão de Finanças, tenho por obrigação me debruçar sobre as finanças do Estado. E, como já disse, o Rio Grande do Norte nunca teve uma oportunidade como a que está tendo. A estimativa orçamentária para 2007, em termos de arrecadação, é de quase R$ 6 bilhões. Paradoxalmente, a capacidade de investimento do Estado tem diminuído nos últimos anos. O Estado está arrecadando, mas gastando menos. E, no custeio da máquina, está gastando mal, com muita mordomia, com carros alugados, gasolina, telefone e diárias. Eu defendo que a governadora reduza o custeio e possa aumentar a capacidade de investimento. Como a gente está vendo, a saúde não está bem e a educação é a pior do Brasil, segundo o MEC. Há também a questão de grandes investimentos do Estado – nós perdemos a refinaria de petróleo. A governadora disse que queria uma compensação e a Petrobras veio ao Rio Grande do Norte, mas disse que a refinaria era inviável. A governadora tem que lutar pelo pólo petroquímico, trazer indústrias para cá, para que possa comprar matéria-prima, para gerar emprego, para gerar desenvolvimento. Tem que lutar pelo aeroporto de São Gonçalo, que é um pleito para a redenção da região metropolitana do Rio Grande do Norte e que pode gerar 30 mil empregos atrelados à ZPE (Zona de Processamento de Exportação). Tudo isso e você não vê o governo se mobilizar, só faz falar, falar, falar e não concretizar. É bom ressaltar que o Estado, graças a Deus, tem caminhado com o apoio da iniciativa privada. A Termoaçu, por exemplo, só está sendo viabilizada graças à privatização da Cosern, que vai gerar energia elétrica e que vai trazer mais investimentos para o Rio Grande do Norte. Agora, eu não vejo, sinceramente, uma grande obra do governo. Pode-se dizer: tem a ponte Forte-Redinha. Mas é o que eu disse: só com o ICMS da Cosern, por ano, tem-se o dinheiro da obra, e a ponte Forte-Redinha tem até financiamento do BNDES. Ressaltando também a boa capacidade de endividamento do Estado, que sempre existiu, o Estado tem boa capacidade de ganhar dinheiro através desses bancos e você vê um Estado acanhado, um Estado que fala muito e faz pouco.
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