Sobe para dez o número de tripulantes com malária em navio no Porto de Recife

A embarcação está atracada no Porto de Recife desde sexta-feira (16) e os três estrangeiros – um egípcio e dois sírios – internados há quatro dias no Hospital Oswaldo Cruz não correm risco de morte.

Agência Brasil,
Recife - Com a constatação de mais dois casos de marinheiros que sentiram mal estar, subiu para dez o número de tripulantes do navio de bandeira caribenha infectados por malária.

A embarcação está atracada no Porto de Recife desde sexta-feira (16) e os três estrangeiros – um egípcio e dois sírios – internados há quatro dias no Hospital Oswaldo Cruz não correm risco de morte.

O navio – que veio do Egito, passou pela cidade de Malabo, na Guiné (África), e deveria ter saído de Pernambuco com uma carga de açúcar para a Síria – ficou retido por causa da identificação de um surto de malária entre a tripulação.

A doença atinge inclusive o comandante do navio, que tem 22 tripulantes. Com febre, dor de cabeça, fadiga muscular e outros sintomas, os que não foram internados em unidades de saúde são acompanhados, no navio, por dois especialistas e recebem medicação oral.

Segundo o supervisor de malária da Secretaria de Saúde do estado, José Renato da Silva, não está descartada a possibilidade de surgirem novos casos entre os tripulantes.

Ele explicou que o parasita encontrado é o falciparum, que pode comprometer o baço e os rins, causando hemorragias, mas informou que de acordo com a última avaliação, "o grau da infecção já foi reduzido em 40%”.

O supervisor disse ainda que embora a malária tenha sido erradicada de Pernambuco há 15 anos, desde o início deste ano foram contabilizados 35 casos da doença no estado, todos em pessoas que vieram de fora do país.

“Cerca de 30 mil pernambucanos trabalham em três ou quatro construtoras na região da África onde a doença ainda é prevalente e, uma vez por ano, visitam parentes ou precisam vir ao estado para renovação de visto de permanência”, lembrou.

A coordenadora estadual da Vigilância Sanitária, Vera Barone, informou que a empresa marítima responsável pelo navio foi autuada e que o comandante descumpriu legislação internacional.

“Ele tentou esconder os sintomas de malária na tripulação, declarando em questionário que não havia casos de doença”, disse. E acrescentou que até quinta-feira (22) será feito novo controle laboratorial dos que ficaram no navio.
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