"Sílvio tentou afastar um concorrente"

O presidente da Fiern, Flávio Azevedo,afirma que sua substitução na última eleição do Sinduscon, foi feita porque o presidente Silvio Bezerra queria afastá-lo por ser concorrente na eleição da Fiern.

Karla Larissa,
Vlademir Alexandre
Flávio Azevedo, que mesmo com a disputa na justiça, espera que a eleição seja pacífica.
O atual presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), Flávio Azevedo, foi eleito no último pleito como delegado do Sindicato das Indústria da Construção Civil, que agora tem o presidente Silvio Bezerra como candidato pela chapa da oposição. Na disputa pela reeleição, que acontecerá em setembro, Azevedo está como representante do Sindicato da Indústria dos Produtos de Cimento, cuja fundação tem sido contestada pela chapa adversária. Em entrevista ao Nominuto.com, Azevedo declara que sua divergência com o Sinduscon deu-se por uma substituição, na última eleição do sindicato, que teria sido feita por Sílvio, na intenção de afastar um concorrente. Ele também esclarece dúvidas sobre a criação do Sindicato e fala sobre o clima da eleição.

Nominuto- O senhor tem o maior número de representantes de sindicatos, isso significa também, uma provável maioria de votos?

Flávio Azevedo- Foram registradas duas chamadas. Na nossa chapa, existem 22 delegados titulares, representantes de um total de 27 sindicatos, enquanto a outra chapa tem cinco delegados titulares. Em função disso, eu acho que tenho o direito de imaginar que a gente tenha 22 votos e a outra chapa 5 votos. Eu não tenho o direito de duvidar da posição de nenhum desses 22 colegas, até porque essa decisão foi muito amadurecida, levamos três meses e meio de conversas e nós só decidimos quem seria o candidato a presidente recentemente. Eu nunca coloquei meu nome, coloquei que deveria ser um candidato que tivesse a unanimidade do grupo, então, alguns colegas colocaram seus nomes e, no final, eu fui escolhido por unanimidade.

NM- Na última eleição, o senhor disputou a presidência como delegado do Sinduscon, que agora faz oposição. Em que momento e por que houve essa separação?

FA- Eu fui surpreendido, às vésperas da eleição do Sinduscon, quando o único nome da chapa, que seria substituído era o meu. Eu era delegado do Sinducon junto à Federação nos últimos 18 anos, acho, ou 14. Essa notícia surpreendeu vários amigos que retiraram o nome da chapa. Eu soube da saída através do jornal, não recebi nenhum telefone do companheiro Sílvio, eu não sei quais foram os motivos. Mas, depois foi que eu vim entender que o companheiro Sílvio tentou afastar um concorrente. Ele sempre negou que era candidato à presidência da Fiern. Quando ele se revelou candidato à presidencia foi que eu entendi o motivo de eu ter sido afastado unilateralmente. É porque ele já vinha com a intenção de ser candidato.
Quero registrar que a intenção dele é absolutamente legítima, só não deveria ter feito dessa forma, dentro do Sinduscon, o que gerou reações. Vários candidatos acabaram tirando o nome da chapa, tanto que o resultado das eleições foi que dos 102 sindicalizados, votaram apenas 62, e desses o companheiro só obteve 52, o restante foram votos nulos, ou seja, teve mais de 50% de abstenção e votos nulos. Imagino eu que esse foi um sinal de protesto pela forma que a eleição foi conduzida. Por muito pouco, o companheiro não perdeu para ele mesmo, porque se ele tivesse tido menos de 51 votos, a eleição teria sido anulada.

NM- E a fundação do Sindicato da Indústria dos Produtos do Cimento, o qual o senhor representa agora, como se deu?

FA- Esse episódio não tem nada a ver com o sindicato ao qual pertenço. O sindicato foi fundado em 2005, muito antes da eleição do Sinduscon e da Fiern. O sindicato não foi fundado por mim, mas por um grupo de empresas de produto de cimento, que estava sem representação. As pessoas estão dizendo que eu estou nesse sindicato porque fui afastado do Sinduscon. Mas eu deixei de ser delegado do Sinduscon em 2007, sendo que desde 2005, eu já participava desse outro sindicato. Isto está provado nos documentos do registro de chapa, que estão no cartório de títulos e documentos desde o início de 2006, ou seja, mais de um ano antes do processo eleitoral e está lá para qualquer pessoa que quiser pegar uma certidão.

NM- E a alegação da outra chapa de que o setor de produtos de cimento seria uma sobreposição do Sinduscon e por isso não teria legitimidade?

FA- Não é verdade, as atividades da indústria do cimento e da indústria de cerâmica para construção faziam parte da atividade do Sinduscon na sua fundação há 40 anos, mas, desde 1972, que foi apostulado em sua carta sindical. Retirou-se da competência do sindicato essas duas atividades, ou seja, essas duas atividades, legalmente, desde 1972, não estão mais no âmbito do Sinduscon. A indústria de cerâmica, que é mais antiga, já tem o sindicato há algum tempo e o setor de produtos de cimento tem o sindicato que criamos em 2005.

NM- Com relação às impugnações das candidaturas que foram entregues esta semana, o que o senhor espera? E o que o senhor tem a declarar sobre as reclamações dos adversários de que o julgamento seria feito por um integrante de sua chapa?

FA- A eleição se dá em função do regulamento eleitoral e de um estatuto social que existe da mesma forma desde 1998 até hoje e que não fui eu quem fiz. Nós temos que seguir o regulamento eleitoral que são feitos à imagem e semelhança do da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que estabelece que o processo eleitoral é comandado pelo diretor-secretário. Isto está estabelecido pelo regulamento e eu não posso fugir disso. Se o diretor-secretário pertence ou não à minha chapa, é irrelevante, porque o julgamento não é dele, é do conselho de representantes. O secretário vai analisar burocraticamente e é disso que o companheiro Silvio está esquecido. Ele apenas verifica o processo eleitoral e emite uma opinião, o julgamento quem faz é o Conselho de Representantes, formado pelos delegados titulares de todos os sindicatos. Não tem por que o companheiro Silvio está reclamando.

NM- Tem se veiculado na imprensa que a disputa está sendo acirrada, principalmente, em razão da outra chapa estar recorrendo à justiça. O que o senhor acha disso?

FA- Eu acho que se alguém se sentir prejudicado, a justiça é para isso. A justiça é feita para dirimir dúvidas de quem se achar prejudicado em qualquer situação, então, se eles acham que houve alguma coisa no processo eleitoral que os prejudicou, é um direito que eles têm. Eu não pretendo ir à justiça, eu pretendo seguir as decisões do Conselho de Representante. Mas, se o companheiro Silvio se achar prejudido, é um direito lícito. Eu acho absolutamente normal, a justiça é a forma civilizada de se resolver pendências. Se eu me sentir prejudicado, eu recorrerei; eles já recorreram e perderam duas vezes, significa que o processo está ocorrendo normalmente, até a justiça acha.

NM- E o senhor acredita que essa eleição vai ser mais pacífica?

FA- Eu torço por isso. Essa eleição está sendo uma eleição de conceitos. Por exemplo, o companheiro Silvio entendeu que eu não podia ser candidato, a nossa Casa entendeu que sim, ele recorreu à justiça e perdeu. Então, esse não será um processo acirrado; é um processo normal, acho que vai ser conceitual, que cada um vai resolver no âmbito que será mais adequado, administrativo ou judicial, e não tem por que se julgar que isso é um acirramento de ânimos.

NM- Com relação ao seu relacionamento com Silvio Bezerra? Como é?

FA- É normal. Um dia desse, durante o período de registro das chapas, um jornal noticiou que houve um bate-boca. Eu liguei para ele e perguntei se havia acontecido alguma coisa, ele disse que não e desmentimos conjuntamente.

NM- Quais foram suas principais ações nesses quatro anos?

FA- Na eleição passada, tínhamos um pilar básico: a Federação das Indústrias para os Industriais, ou seja, entedemos que essa Casa tem que cuidar da assistência, no sentido mais amplo da palavra, para os industriais e industriários. Tivemos a preocupação de colocar essa casa e os serviços do Sesi e o IEL, saúde, lazer, qualificação profissional aos industriários, que no fundo se reflete em benefício da empresa, em virtude do aumento da produtividade e da qualidade de seus produtos. É isso que a indústria precisa, qualificar-se ela própria e seus dirigentes e profissionais. Tentamos também dar um foco grande nas cadeias produtivas, que são muito importantes para indústria porque 95% das indústrias do RN são micro, pequenas e médias empresas, e essas empresas ganham um enorme aumento da sua competitividade quando se organizam em cadeias produtivas, quando compram juntas suas matérias primas e discutem problemas. Outro ponto da nossa administração foi buscar recursos sem estar se limitando à CNI. Ampliamos esse leque de parcerias, tirando desse isolamento, buscando outros financiamentos, no Ministério de Tecnologia, Ministério das Telecomunicações, Caixa Econômica. Além disso, fizemos várias parcerias com o Governo do Estado.

NM- E quais suas propostas para o novo mandato?

FA - Agora pretendemos o aprofundamento e o desdobramento dessas ações. Nós entedemos que trabalhar em projetos de infra-estrutura não é função da gente é do Estado. Então, dentro desse processo de aprofundamento, temos três grandes caminhos, que são três grandes oportunidades que o RN tem de dar um salto quantitativo e qualitativo, que são o Aeroporto de São Gonçalo, a zona de livre comércio e a autonomia energética do Estado. Nós temos aqui duas grandes fontes energéticas, primeiro a eólica - o Estado do RN tem a maior área, em termos absolutos, onde existe a ocorrência de ventos com velocidade e constância ideais para implantação de um parque eólico, ou seja, é um Estado privilegiado. Nós temos também as térmicas com a produção do gás. Não podemos pensar em hidrelétrica ou biomassa, temos que utilizar nosso potencial natural. Faremos um trabalho junto ao governo, com todos os industriais envolvidos, porque sabemos que se o Brasil crescer, como vem crescendo 5% ao ano, nós não teremos energia suficiente para sustentar esse crescimento, e o RN é um dos poucos Estados do Brasil que tem condições de dizer que é auto suficente.

NM- E aual a sua avaliação sobre o relacionamento com os sindicatos. O senhor acha que conseguiu dar atenção a todos?

FA- A avaliação está no fato de ter conseguido o apoio de 22 sindicatos, de um total de 27, ou seja, a esmagadora maioria do segmento econômico do Estado do RN entendeu dessa forma. Acho que isso é o julgamento.
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