Sem acordo, greve dos Correios continua e pode chegar à Justiça do Trabalho

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos de Brasília e Entorno, Moisés Leme, cobra compromisso que, segundo ele, o presidente Lula assumiu em 2002, durante campanha.

Agência Brasil,
Antonio Cruz/ABr
Servidores dos Correios estão em greve desde o dia 13.
Brasília - Os servidores dos Correios, que estão em greve desde quinta-feira (13), não chegaram a acordo nesta sexta-feira (14) com a empresa, em reunião do comando de negociação, para discutir o reajuste de salários.

Eles passaram o dia com o presidente da Empresa Brasileira de Correios (ECT), Carlos Henrique Custódio, que manteve a oferta de correção dos salários entre 13,28% e 4,36, conforme a faixa, priorizando com índices maiores os que ganham menos.

A ECT oferece também abono de 400 reais em duas parcelas (a segunda em janeiro de 2008), aumento linear de 50 reais e vale refeição extra de 391 reais em dezembro. Mas os grevistas querem reposição de perdas de 47%, que alegam estar tendo desde 1994, e acréscimo linear de 200 reais.

De acordo com José Rivaldo da Silva, do Sindicato dos Servidores da ECT (Sintect) de São Paulo, a classe estava havia 60 dias tentando manter entendimentos com a empresa e somente depois da deflagração da greve foram recebidos pelo presidente. Ele disse que a oferta de 50 reais "seria mais cabível para quem está iniciando no trabalho".

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos de Brasília e Entorno, Moisés Leme, cobra compromisso que, segundo ele, o presidente Lula assumiu em 2002 durante a campanha eleitoral, no qual prometera "que iria promover distribuição de renda nos Correios".

Segundo Leme, a ECT tem hoje 15 mil funcionários com cargos de confiança, "que significam 70% da folha de pagamentos”. “Os 30% da folha são distribuídos para os demais 95 mil trabalhadores", existindo, segundo comenta, “um verdadeiro abismo salarial”. Há casos de gratificações que chegam a até 12 mil reais, além de salários que vão até 24.800 reais, diz o sindicalista.

Moisés Leme informou que cerca de 2 mil trabalhadores entre os grevistas vão fazer manifestação segunda-feira pela manhã, em marcha na direção do Congresso Nacional. Vão ser convocados grevistas de outros estados e diversos ministros serão procurados para apoiar o movimento.

O assessor de Imprensa da ECT, Fausto Weiler informou que dos 52 mil carteiros 12 mil estão em greve. De 11 mil operadores de carga 1 mil estão parados e dos 3 mil motoristas de vans nas cidades 386 aderiram ao movimento. Ele computa que 20% do efetivo esteja parado, e diz que os efeitos da greve só se fazem notar aonde existe mobilização.

O sindicalista José Rivaldo da Silva, no entanto, diz que os números são ao contrário do que a ECT informa. Ele calcula adesão de 80% dos servidores da área operacional à greve. Moisés Lemos afirma que trabalham no Distrito Federal 1.100 carteiros e pelos menos mil deles estavam na marcha realizada hoje em Brasília.

O assessor Fausto Weiler defende que a empresa tem facilidade de aferir a frequência dos servidores, pois recebe informações das regionais que estão conferindo a assinatura de pontos para descontar os dias parados. A greve nos Correios contou com a adesão de parte de Minas Gerais e Rondônia, que estavam fora do movimento ontem, junto com Sergipe, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo.

Conforme Weiler, a ECT vai submeter a greve dos servidores ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) na segunda feira (17), para ajuizamento de dissídio coletivo, o que, segundo entende ele, "pode resultar em perdas para os grevistas, em relação ao que está sendo ofertado agora".
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