Parentes das vítimas do acidente com vôo da TAM discutem criação de associação

Neste domingo (16) à tarde, os familiares realizam ato no Aeroporto de Congonhas para marcar os dois meses do acidente no qual morreram 199 pessoas, das quais 186 estavam no avião.

Agência Brasil,
Os parentes das vítimas do vôo 3054 da TAM, que saiu da pista do Aeroporto de Congonhas e explodiu após bater em um prédio da própria empresa, no dia 17 de julho, discutiram neste sábado (15), durante reunião em um hotel da capital, a possível criação de uma associação para representá-los. Neste domingo (16) à tarde, os familiares realizam ato no Aeroporto de Congonhas para marcar os dois meses do acidente no qual morreram 199 pessoas, das quais 186 estavam no avião. Acriação da associação também deve ser definida hoje.

Segundo o pai de uma das vítimas, Maurício Pereira, a associação servirá para que os familiares acompanhem mais de perto as investigações que, de acordo com ele, além de morosas, não estão sendo conduzidas com transparência. “Nós temos percebido a demora. São dois meses, e as informações sobre as investigações são muito pequenas”.

De acordo com Pereira, o delegado responsável pelo caso, Antonio Carlos Menezes Barbosa, que participou da reunião, teria afirmado que há dificuldade para acesso às informações sobre o estado da pista. “A gente fica preocupado com as coisas que aconteceram, e agora a pista já diminuiu de tamanho. Será que, se isso tivesse sido feito antes, nós não teríamos poupado essas vítimas?”, indagou Pereira.

Os familiares tentam ainda fechar um acordo com a TAM para assinar um termo de compromisso entre a empresa, o Ministério Público, a Defensoria Pública e o Procon de São Paulo, para que a companhia garanta o pagamento de todas as despesas médicas, psicológicas e com viagens (passagens e hospedagem) necessárias para o acompanhamento das investigações e indenizações.

“O acordo deve ser assinado na próxima terça-feira (18), porém ainda não é certo que a TAM assinará”, afirmou o pai de outra vítima, o advogado Luiz Salcedo. A Agência Brasil procurou a assessoria de imprensa da TAM, mas não conseguiu contato.

Salcedo informou que, neste momento, as indenizações ainda não são o que mais preocupa as famílias. Algumas chegaram a receber adiantamentos para cobrir despesas emergenciais, já que muitas das vítimas eram provedoras das famílias. Segundo o advogado, a orientação dada a todos os familiares é que não fechem acordos indenizatórios sem antes estudar muito bem cada caso. “Os adiantamentos estão sendo feitos para os que estão precisando e solicitando. Menos da metade das famílias se habilitou a receber esse adiantamento.”

Segundo o advogado, os parentes das vítimas esperam que as mortes dos passageiros do vôo 3054 não sejam em vão e que a tragédia sirva de exemplo para que não ocorram no Brasil acidentes semelhantes. “Não queremos que essa tragédia se repita. Queremos que essa tragédia seja um marco no sistema aeroportuário nacional”.

Ele lembrou que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, tem demonstrado interesse em resolver o caos aéreo. “Ele tem se desdobrado para cumprir o compromisso que assumiu de trocar a diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil [Anac]”.


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