MPF entra com ação contra João Paulo Cunha e Marcos Valério

Deputado é acusado de improbidade administrativa quando foi presidente da Câmara. Na ação, estão também Marcos Valério e dirigentes do Banco Rural.

O Ministério Público Federal no Distrito Federal entrou com ação de improbidade administrativa contra o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP), o empresário Marcos Valério e outras dez pessoas acusadas no escândalo do mensalão, esquema que pagava parlamentares em troca de apoio ao governo. 

Eles são acusados de oferecer vantagens ao deputado, então presidente da Câmara, e sua então secretária, Silvana Paz, para que a empresa de publicidade SMP&B fosse beneficiada em uma licitação na Casa para contratação de empresa de publicidade.

Também são citados na ação, protocolada na 9ª Vara da Justiça Federal, em Brasília, três sócios de Valério - Ramon Hollerbach Cardoso, Cristano de Mello Paz e Rogério Lanza Tolentino -, duas funcionárias da SMP&B - Simone Reis Lobo de Vasconcelos e Geiza Dias dos Santos - e os dirigentes do Banco Rural Kátia Rabello, José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório Tôrres de Jesus.

Todos eles, a exceção de Silvana Paz, já constavam da denúncia contra os 40 suspeitos de participar do esquema do mensalão, aceita na semana passada pelo Supremo Tribunal Federal. Clique aqui para ler a versão dos processados pelo STF.

Para os procuradores, que se basearam em elementos do inquérito do STF e na denúncia do procurador-geral da República, houve recebimento ilícito de vantagem econômica com o saque de R$ 50 mil, em dinheiro, realizado pela esposa de João Paulo Cunha numa agência do Banco Rural, em Brasília.

Procurado pelo G1, João Paulo Cunha informou, por meio de sua assessoria, que já esperava a ação do MPF que, segundo disse, "não muda nada". "Estou esperando, com muita serenidade, o momento certo para me defender", disse o deputado, segundo a assessoria.

Campanha eleitoral

A ligação entre o deputado e Marcos Valério, segundo a ação, começou no segundo semestre de 2002 durante a campanha eleitoral para Presidência da República.

Após a vitória da campanha eleitoral coordenada por Cunha, Valério executou gratuitamente a pré-campanha eleitoral do PT no município de Osasco (SP), reduto eleitoral do petista. 

No caso de Silvana Paz, à época secretária do deputado, o Ministério Público diz ter comprovado o recebimento de vantagem indevida, como passagens aéreas de ida e volta para o Rio de Janeiro, além de hospedagem, pagos por Marcos Valério.

A ação pede a condenação dos réus à perda dos bens, ressarcimento integral dos recursos, perda da função pública, além de suspensão dos direitos políticos de 8 a 10 anos. 

Fonte: G1
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