Felipe Maia admite hipótese de disputar Prefeitura de Natal em 2008

O deputado federal do DEM afirma que não tem esse projeto, mas que “não teria como negar” uma convocação do seu partido com esse objetivo.

Marcos Alexandre,
Vlademir Alexandre
Felipe Maia: hipótese de ser candidato a prefeito está descartada. "Mas não é trabalhada"
Deputado federal em primeiro mandato, Felipe Maia volta e meia tem o nome lembrado para disputar a Prefeitura de Natal pelo Democratas, em 2008. Ele garante que isso não faz parte dos seus planos. Mas admite que pode vir a fazer, desde que receba essa convocação do seu partido.

“Se o Democratas decidir que é importante que eu seja candidato, eu não teria como negar este desejo e este anseio do meu partido”, condiciona ele, que também aponta a senadora Rosalba Ciarlini como alternativa da sua legenda para a sucessão na capital. Inclusive como fator agregador entre o DEM e o PMDB.

Nesta entrevista, o deputado Felipe Maia também fala da possibilidade de reaproximação do DEM com o PSB, da Operação Impacto e faz um balanço dos seus primeiros seis meses na Câmara Federal. “Acho que ninguém se esforçou tanto para desempenhar bem o mandato como eu neste primeiro semestre”. Confira abaixo os principais trechos da conversa.


Nominuto – Como está, hoje, a aliança do DEM com o PMDB?

Felipe Maia - Está da mesma forma que sempre foi. A aliança do Democratas com o PMDB foi feita no início do segundo turno, na última eleição municipal. Depois, concretizou-se nas eleições de 2006, quando os democratas apoiaram Garibaldi para o governo e Garibaldi apoiou Rosalba para o Senado. Foi uma aliança que deu certo, não foi uma aliança apenas para se ganhar a eleição; foi feita com um projeto de futuro para o Rio Grande do Norte e, no meu ponto de vista, não tem por que não perdurar. Os democratas têm todo o interesse de que a coligação seja mantida em 2008 e nas próximas eleições que se seguirão.

NM - Mas os dois partidos têm uma pré-disposição de lançar candidatura própria em Natal. Isso quer dizer que sairão separados inicialmente, para, numa eventualidade, reunirem-se no segundo turno?

FM - Não necessariamente. Depende dos candidatos que forem apresentados para o pleito municipal em 2008. Se o PMDB ou o Democratas apresentar o candidato que seja aceito pelo partido como o cabeça da chapa e o outro indicar o vice, não tem nenhum problema. Não cabe a mim lançar candidaturas no PMDB. Eu não quero aqui dizer que candidato A, B ou C o Democratas apoiaria e sairia numa chapa única, indicando o vice. Eu acho que cada partido teria que ver quais são os nomes que estão à disposição e lançar as candidaturas. Existem nomes tanto no Democratas quanto no PMDB que tenho certeza que os partidos iriam compor.

NM - Que nomes seriam esses?

FM - Rosalba Ciarlini, por exemplo. Não estou lançando Rosalba, apesar de ser um excelente nome, mas é um nome que tenho certeza que o PMDB teria o maior orgulho de compor uma chapa e iria marchar junto desde o primeiro turno.

NM - Em uma entrevista há cerca de dois meses, o senhor declarou também que, se o candidato fosse o senador Garibaldi Filho, o DEM concordaria em apoiar, indicando o vice. Essa posição se mantém?

FM – Mantém. Quando eu digo que não quero lançar uma candidatura é exatamente para isso. Para que eu não seja mal interpretado quando eu digo que o nome do senador Garibaldi Filho é um bom nome para o pleito municipal. Para que eu não seja entendido de uma forma equivocada, de que eu quero lançar Garibaldi com segunda intenção. Naquele momento, eu disse que o nome de Garibaldi seria um nome muito forte para concorrer às eleições e que o Democratas teria o maior prazer em compor uma chapa desde o primeiro turno. Mas não cabe a mim lançar nomes dentro do PMDB. Ao PMDB, cabe ao presidente do partido, Henrique Eduardo Alves, e ao próprio senador Garibaldi, que é uma grande liderança no partido, colher e definir quem serão os nomes que serão colocados para a análise da população.

NM – Não sendo Garibaldi, nem Rosalba (ambos já disseram que não querem ser candidatos a prefeito de Natal no ano que vem), fica mais difícil manter essa aliança para o primeiro turno? Aumenta a tendência de cada partido lançar o seu candidato?

FM - Não. Acho que seria precipitado fazermos uma avaliação como essa. A palavra vai estar com os líderes dos partidos e, no momento certo, vamos sentar. No momento correto de se definir, os líderes partidários de ambos os partidos, assim como de outros partidos que compõem a coligação. Neste momento, nós teremos que sentar a uma mesa e definir quem será o nome indicado pelos dois partidos. Se há possibilidade de se convergir desde que se unam todos numa chapa única. Eu acredito que o anseio de ambos os partidos é marchar juntos no primeiro turno. Mas os dois partidos têm nomes fortes e, se os cenários políticos forem mantidos até 2008, pode ser que exista a possibilidade de cada um lançar a sua chapa própria e, no segundo turno, se encontrar. Ou pode ser que haja a possibilidade de, desde o primeiro turno, marcharmos juntos. Depende dos nomes que forem apresentados. Eu digo que é muito cedo para se falar em nomes, até porque só existem especulações. Não existe nada de concreto ainda sobre quem serão os reais candidatos para 2008.

NM – E Felipe Maia, é um bom nome para ser candidato?

FM – Felipe Maia foi eleito deputado federal e tem como papel honrar os votos que recebeu: 124.382 votos. Isso é o que ele tem feito nos seis primeiros meses de mandato e é o que procurará fazer nos outros três anos e meio que restam. Não tem pretensões, nem tem como projeto político ser candidato a prefeito de Natal. Agora, é um nome do Democratas e acredito que o nome tem que ser respeitado pela votação que obteve em Natal. Mas não faz parte do meu projeto nesse momento ser candidato a prefeito de Natal. Mas eu faço parte de um partido, cujo presidente é José Agripino. Se o partido decidir que o nome mais forte ou mais competitivo para as eleições de 2008 é o meu, e que é importante para o meu partido que eu seja candidato, eu não teria como negar este desejo e este anseio do meu partido. Porém, não faz parte do meu projeto. Nem me lanço, nem me lançarei. Essa é apenas uma análise do quadro que faço: que o Democratas tem que ser respeitados e mostraram a sua força em Natal quando obtiveram de um candidato a deputado federal quase 25 mil votos na capital.

NM - De qualquer forma, então, não está descartada essa possibilidade de o senhor ser candidato a prefeito de Natal?

FM – Não está descartada, mas também não é trabalhada essa hipótese. A hipótese que se tem trabalhado e que se tem levado em consideração é a força do nosso partido em Natal, que foi demonstrada nas urnas em 2006. 

Vlademir Alexandre
NM — Como o senhor está vendo a Operação Impacto?

FM — Eu ainda acho muito cedo para se ter alguma conclusão ou fazer alguma análise sobre o que aconteceu e sobre as denúncias que estão sendo feitas contra os vereadores. O caso merece uma investigação apurada e, se houve realmente algum pagamento de propina para que alguns vereadores derrubassem os vetos do prefeito, eu acho que isso é um fato de muita gravidade e que aqueles que se envolveram nesse tipo de ato, devem ser punidos. Mas eu não quero fazer nenhuma análise e nem tirar uma conclusão pelo que eu tenho visto e lido nos jornais. Eu acho que, após serem investigados e analisados todos os pontos, tanto eu quanto toda a classe política podem dar a sua opinião. Não só a nível municipal, mas estadual e, principalmente, no que se diz respeito a mim, que é federal, tem que haver uma moralização na vida pública do nosso país. Não pode continuar do jeito que está. Os políticos estão com a imagem cada vez mais desgastada e existem escândalos após escândalos em que as pessoas estão sendo inocentadas e, muitas vezes, reeleitas, o que é um caso grave, pois eles são reeleitos pelo voto da população. População que é a principal interessada e a principal responsável pela moralização na política do Brasil.

NM — Como o senhor, que está começando agora na vida pública, encara o atual nível de desgaste da classe política? Está sendo difícil? Como deputado, já sofreu algum tipo de hostilidade da população?

FM — Eu tenho sofrido muita pressão em tentar intervir no que está acontecendo no Senado. Apesar de não me dizer respeito, porque nós estamos na Câmara, as pessoas entendem, conseguem visualizar, que Renan (Calheiros) é o presidente do Congresso Nacional e, sendo o presidente do Congresso Nacional, também é o presidente da Câmara. E eu acho que Renan já chegou ao topo de onde ele poderia resistir na cadeira de presidente (do Senado). Eu não quero aqui fazer nenhuma avaliação precipitada sobre a falta de provas ou as denúncias, que Renan diz não saber quais são, mas que todos nós sabemos. Eu acho que se chegou a um momento em que é insustentável a situação dele. E a maior prova que é insustentável foi o fato de ele não presidir a sessão no Congresso em que se votou a LDO. Ali ficou claro que ele perdeu a capacidade de presidir o Congresso Nacional. E quem diz isso não é o deputado Felipe Maia, foram os atos que ele praticou. Se ele fosse uma pessoa que estivesse apto a presidir uma sessão no Congresso, ele teria ido presidir a sessão que aprovou a LDO. E ele não foi.

NM — Mas como está sendo para o senhor, que está ingressando agora na vida política, atravessar o atual momento?

FM — É uma missão de muita preocupação. É um desafio. Jovens que ingressam na vida pública têm como obrigação moralizar a política no Brasil, porque temos jovens em de várias regiões do nosso país. Eu posso citar Felipe Maia e o próprio Fábio Faria, Efraim Filho na Paraíba, Manoela D’Ávila no Rio Grande do Sul, Rodrigo Maia e Ivo da Costa no Rio de Janeiro, Fernando Coelho em Pernambuco, ACM Neto na Bahia e uma série de pessoas novas no Congresso. A missão desta nova geração é a de tentar moralizar as práticas que eram adotadas no Congresso Nacional. Agora, no momento em que nós chegamos e que temos um escândalo como esse do Senado, é um motivo de preocupação, reflete diretamente na Câmara. Estou em uma legislatura que foi manchada por diversos escândalos: Sanguessugas, Mensalão, inúmeros escândalos envolvendo parlamentares e a antiga legislatura. Então, eu imaginava que, da antiga legislatura, os maus políticos não voltariam à Casa e os que chegassem lá iriam honrar os próximos mandatos que foram concedidos pela população de diversos Estados do país. Mas eu vejo com grande preocupação e eu estou diante de um grande escândalo que alastrou-se por todas as partes do Brasil. Se engana quem acha que o caso de Renan chegou apenas aos grandes centros. Eu lhe digo isso exemplificando: há poucos dias, estava na Governadoria acompanhando um grupo de pescadores e, no meio de 1.000 pescadores, a mulher de um deles estava muito indignada e exaltada com o que vem acontecendo em Brasília. Era a mulher de um pescador de Rio do Fogo. Eu estive no Rio de Janeiro e fui abordado, por estar com um broche da Câmara, quanto ao caso de Renan. Ele não sabia exatamente de qual partido eu era, mas ele veio me perguntar “deputado, como vai ficar lá aquela situação de Renan? Vocês vão ou não botar ele pra fora?”. Aí eu expliquei que o problema era no Senado e que eu era da Câmara. Então, ele insistiu: “mas ele é presidente do Congresso”.

NM — Voltando para o quadro local, há alguma possibilidade de reaproximação política, a médio prazo, com o PSB da governadora Wilma de Faria?

FM — Desde 2006, nunca houve conversa política do Democratas com o PSB, mas houve com outros partidos. Nunca houve uma conversa que pudesse justificar uma aproximação. A governadora nasceu das nossas raízes. Foi secretária de Estado do então governador José Agripino Maia. As nossas bases são muito próximas às do PSB, da governadora. A governadora saiu das bases do governador José Agripino, foi diversas vezes apoiada pelo senador José Agripino. Então, as bases têm afinidade, mas nunca se foi falado ou discutido qualquer reaproximação. Isso é mais especulação do que fato real. Não podemos negar que há uma afinidade entre as bases, mas isso não quer dizer muita coisa.

NM — Que balanço o senhor faz do seu primeiro semestre como deputado federal?

FM — O primeiro semestre de deputado federal, ainda mais um deputado federal de primeiro mandato, é um período de adaptação. È um período em que um deputado chega e se inteira das atividades. Meu primeiro semestre de trabalho foi de muito trabalho e de muita luta. Uma das coisas que marcaram os meus primeiros seis meses foram constantes visitas e constantes permanências nas minhas bases. Todos os fins de semana, eu vim ao Rio Grande do Norte. Não para ficar em casa e, sim, para visitar o interior. Eu não paro. Esse primeiro semestre também foi marcado por uma série de lutas que eu travei em Brasília já começando a apresentar e a exercer o meu mandato como deputado federal. Uma delas é o critério para valorizar o salário mínimo. O governo federal apresentou um projeto de lei que determinava o valor do salário mínimo em 2007 e a forma como ele seria valorizado até 2011 e, até esse momento, eu estou brigando para tentar aprovar a minha emenda. Na Câmara, como tem a grande maioria da base do governo, ela foi rejeitada, mas agora no Senado eles estão tentando aprovar a minha emenda. A emenda, inclusive, recebeu apoio de senadores da base de apoio do governo, como Aloízio Mercadante e Tião Viana, assim como de senadores como Arthur Virgílio. Mas o que me deixou surpreso e feliz foi receber elogio, em plenário, dos senadores Aloízio Mercadante e Tião Viana, que disseram que, apesar deles serem da base de apoio do governo, e de não poderem aprovar uma emenda que gerasse novos gastos ao Executivo, eles precisavam elogiar a minha iniciativa e os estudos que fiz para apresentar aquela proposta. Tive também na bandeira da defesa da área produtiva do setor produtivo do meu Estado, que é dos pescadores de lagosta, junto com a bancada do Rio Grande do Norte. Apresentei ainda uma proposta na área da saúde que irá beneficiar a classe mais necessitada, para que a população de baixa renda possa ser atendida na rede privada hospitalar. Apresentei a proposta de criação da Universidade Federal do Seridó. Apresentei outra para que o estudante do curso de Direito possa começar a estagiar desde o terceiro semestre. Sobre o uso da palavra no plenário da Câmara, eu faço, pelo menos, um pronunciamento por semana. Toda semana eu pego um tema de interesse do Rio Grande do Norte ou do Brasil, em que o Rio Grande do Norte esteja incluído, e faço um pronunciamento na Câmara. Foi um semestre de muito trabalho. Eu acho difícil ter alguém que tenha tido um esforço, uma luta, maior do que eu nesse semestre. Sei que todos trabalharam também, sejam deputados de primeiro mandato ou não, mas acho que nenhum se esforçou tanto para desempenhar bem o mandato como eu.
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