Carlos Eduardo: "Não conversei, nem converso sobre 2008. E desafio quem diga o contrário"

O prefeito de Natal, Carlos Eduardo, mantém-se firme na posição de não tratar de temas políticos neste ano.

Marcos Alexandre e Fátima Elena Albuquerque,
O prefeito de Natal, Carlos Eduardo, mantém-se firme na posição de não tratar de temas políticos neste ano. A despeito de sua sucessão já movimentar diversos atores políticos, ele garante que não estimula, nem participa dessas articulações. "E desafio qualquer pessoa que diga que eu converso sobre a eleição de 2008". Carlos Eduardo garante ainda que sua relação política com a governadora Wilma de Faria continua a mesma, embora admita a existência de divergências entre eles. Nesse aspecto, revela que será reeleito para a presidência do PSB em Natal, no próximo mês, descartando os rumores de que vá migrar para outro partido. Nesta entrevista concedida ao NO MINUTO, o prefeito de Natal fala ainda do seu relacionamento com os parentes que integram o PMDB; com o prefeito de Parnamirim, Agnelo Alves, seu pai; e, claro, sobre sua administração. Confira abaixo os principais trechos da entrevista.


Nominuto - Como está hoje sua relação com a governadora Wilma de Faria?
Carlos Eduardo - Eu não tenho nada a acrescentar ao que já tenho dito. Nós estivemos juntos em 2002, em 2004 e em 2006. E digo o seguinte: estamos agora sem campanha, cuidando, cada um, de fazer a sua parte – ela no Governo do Estado e eu na Prefeitura. Tenho me encontrado com a governadora em eventos sociais e em audiências; temos conversado bastante sobre administração; conversamos muito sobre a ponte Forte-Redinha e essa parceria do Governo do Estado e da Prefeitura sobre o Pró-Transporte. Agora, o assunto política realmente não tem permeado a nossa conversa porque, francamente, não há ano eleitoral, nem absolutamente nada de fato novo político. Realmente, a imprensa tem se dedicado muito a esse tema. Leio mais na imprensa do que conversando com a governadora. Não temos conversado política. Quando se exige a parceria Governo e Prefeitura, não há nenhuma dificuldade. Eu acho que tem muita gente interessada nessa briga, que fica plantando na imprensa, imagino eu, porque é uma coisa reiterada. É como se eu e a governadora tivéssemos a obrigação de estar sentados, conversando política toda hora.


NM - Mas não houve um esfriamento na relação? No episódio da eleição da Femurn, por exemplo, o senhor foi bem categórico ao dizer que não tinha gostado da participação de pessoas ligadas à governadora.
CE - Em todos os episódios, houve divergências, houve posições diferentes. Isso é público e notório, mas converge-se e se diverge. Houve o episódio da Femurn, houve a demissão de uma secretária ligada a ela (Marilene Dantas). Tudo isso é verdade, mas acontece que eu continuo presidente municipal do PSB e a governadora continua presidente do PSB estadual. Não tenho conhecimento de que a governadora esteja se metendo ou conversando política. Não tenho notícia de articulação dela. E eu acho que quando houver necessidade de se conversar política, não terá nenhuma dificuldade de a gente conversar. Agora, eu mesmo estou evitando o tema.


NM - O senhor já chegou a ser sondado ou mesmo procurado pela governadora para uma conversa política?
CE - Não, porque não há um fato novo, nem há nada que leve a isso.


NM - Hoje, o senhor diria que a relação política com a governadora Wilma de Faria é diferente, por exemplo, de 2004 e de 2006?
CE - Não. Em 2003, o ano todo, o partido teve divergências grandes comigo e em 2004 foi tudo superado. Ganhei a eleição, mantendo o meu estilo de governar, meu estilo de político. Não mudei nada. Encontrei muitas incompreensões, mas eles terminaram vendo que eu estava certo porque, na realidade, ganhamos a eleição.


NM - Mas o senhor não acha que houve um desgaste nessa relação com a governadora?
CE - Não. Eu acho que a governadora tem as posições políticas dela e eu também tenho as minhas posições. Muitas vezes, essas posições coincidem. Em outras, não coincidem. O fato é que isso não é incomum na vida de um partido.


NM - E por falar em partido, a próxima convenção do PSB será em julho. O senhor será reconduzido à presidência?
CE - Eu já tive o convite de vários setores e vou continuar na presidência.


NM - Isso encerra as especulações de que o senhor sairá do PSB?
CE - Sim, porque eu continuo presidente. Vou me reeleger. Será uma convenção cartorial, como todas as outras.


NM - Na semana passada, os jornais divulgaram que o PMDB apoiaria uma candidatura da deputada Fátima Bezerra à Prefeitura de Natal e que o senhor daria o aval a essa articulação...
CE - Não falo sobre 2008. Eu nunca conversei política nem com o PT, muito menos com o PMDB, o qual não é um partido aliado nosso. Não conversei nem com o PSB, que é o meu partido. Sobre 2008 eu só vou tratar em 2008. Sou fiel ao que eu disse. Não tratei com ninguém sobre as eleições do próximo ano. Nada, com ninguém. Aventaram que eu vetava Micarla, que eu apoiava Fátima. Leio isso como especulação dos jornais. Mera especulação. Eu nunca conversei com o meu partido sobre sucessão. Rogério Marinho, por exemplo, esteve comigo. Conversamos política, como companheiros de partido, mas ele sabe que 2008 só em 2008. Fátima Bezerra: nunca recebi o PT aqui para conversar, até este momento. E muito menos com o PMDB. Sobre nada de 2008. Absolutamente nada. Não tratei nada. E que eu teria vetado Micarla: não tenho veto contra A, B, C ou D. Não tenho veto contra ninguém porque não analisei ainda 2008. Então, essas notícias são inteiramente improcedentes. E desafio alguém que tenha dito: “Carlos Eduardo conversou comigo sobre 2008”. Não conversei, não converso. Porque acho muito cedo. Particularmente, não vou ficar me desvalorizando. Eu sou o prefeito e acho que terei o momento de falar. O momento vai chegar e eu falarei.


NM - Como o senhor vê os rumores e acenos favoráveis do PMDB para que o senhor volte a integrar o grupo liderado pelo partido? Garibaldi Alves, Geraldo Neto e o próprio Henrique Eduardo já deram declarações favoráveis nesse sentido.
CE - Olha, quando eu rompi, eu não tinha uma boa relação política com o PMDB e até no lado pessoal ficou uma coisa meio distante. Hoje, no lado pessoal, eu me dou bem com eles, com meus parentes. E também com o resto do PMDB. Me dou muito bem com Hermano (Morais, vereador), me dou muito bem com todo o PMDB. Pessoalmente. Politicamente, nós continuamos adversários. Adversários políticos. Mas não posso deixar de ressaltar que tenho tido o apoio do PMDB a nível federal, como tenho tido apoio, quando precisei, do PFL, atual DEM. Tive o apoio de Nélio Dias, do PP, tive o apoio da deputada Fátima Bezerra. Garibaldi tem me ajudado muito. Henrique tem me ajudado muito, a resolver esses problemas e eu estou satisfeito, porque eu acho que a gente tem que saber separar a política e corresponder, porque de alguma forma eles são co-responsáveis por esse apoio para a cidade. Eles são votados aqui, não é? Então, eu tenho hoje um bom relacionamento com Henrique, com Garibaldi e com os que fazem o PMDB.


NM - O senhor admite, então, que já há uma aproximação maior?
Não. Aproximação política, nenhuma. Mas o convívio pessoal, isso aí... Eu ligo aqui para Henrique, vou com ele ao Ministério, assim como também vou com todos os parlamentares. Não era assim quando eu saí do PMDB, mas agora eu tenho, com toda a bancada federal, toda a abertura. Eu ligo para o senador José Agripino e ele me atende. Não ligo tanto porque ele está numa liderança de oposição, mas eu tenho um bom relacionamento com o senador José Agripino, tenho um bom relacionamento com o senador Garibaldi. Eu fui secretário de Garibaldi no governo dele. Eu tenho muito bom relacionamento com o senador Garibaldi, administrativo e pessoal. E com Henrique.


NM- Mas esse bom relacionamento pessoal já não é meio caminho andado para uma reaproximação política?
CE - Eu acho que na política do Rio Grande do Norte, hoje, não existe inimigos pessoais. Eu não vejo a governadora, por exemplo, inimiga de José Agripino. Conversa com José Agripino, liga para José Agripino. Ela conversa com Garibaldi. Eu estava numa recepção uma vez e Garibaldi sentou numa mesa com Wilma. Li aí nos jornais que Henrique e Wilma conversaram bastante e estão se ajudando lá no plano federal, inclusive na escolha dos cargos aqui, houve um entendimento de Henrique com a governadora. Por que é que eu vou ser inimigo do povo, não é verdade? Eu acho que eu tenho aqui que pensar em fazer o melhor pra cidade. Eu quero a ajuda de todos os partidos, de todos os parlamentares da bancada do Estado.


NM - Falando como dirigente do PSB, como o senhor ver a possibilidade de uma reaproximação política do seu partido com o DEM? O senhor acha viável, concorda com ela?
CE - Olha, eu não conversei com a governadora sobre isso. Não conversei com o deputado federal Rogério Marinho, nem com o resto do partido sobre isso. Francamente, eu estou na pauta administrativa. Eu não conversei sobre essa aproximação.


NM - Mas, como dirigente partidário, o senhor vê com bons olhos essa reaproximação?
CE - Eu acharia muito se o senador José Agripino quiser colaborar com o Governo do Estado. Eu acho bom, porque, afinal, faz parte da própria função que ele exerce, independente de correligionário ou adversário. Agora, uma coligação política, isso aí, francamente, eu não posso lhe dizer porque não senti, assim, o espírito do partido. O que eu posso dizer é que a governadora exatamente disse que politicamente não há essa aproximação, e que administrativamente ela espera contar sempre com o apoio do senador José Agripino. Eu acho que isso é o limite. Ela está demarcando a posição política. Existe na realidade, uma aproximação, digamos, para quebrar o gelo, no sentido de que o Estado precisa se unir para enfrentar os seus problemas, enfrentar os seus desafios. E eu acho que a governadora está correta, porque quem está no Executivo, realmente sente essa necessidade, a necessidade de apoio.


NM - Qual será o peso da posição do prefeito Agnelo Alves no seu destino político?
CE - Meu pai já disse que está terminando o mandato dele e não é mais candidato a nada. Eu, quando rompi com o PMDB, rompi só. Depois, meu pai me acompanhou na posição. Pelo menos na última eleição, ele apoiou Garibaldi e eu apoiei Wilma. Nós temos uma posição inteiramente independente. Agora, evidentemente que eu converso política com meu pai, quando a gente tem oportunidade. Converso, discuto, como eu converso informalmente com qualquer outro político. Política, para mim, não é uma questão familiar. Se fosse uma questão familiar, eu teria ficado no PMDB. Política para mim é idealismo, espírito público, é você construir, dar a sua colaboração para transformar a sociedade. Política para mim é isso, não uma questão familiar e isso está comprovado por tantas atitudes: em 2002 e 2006. Em 2006, eu apoiei Wilma contra Garibaldi e meu pai. Em 2002, eu rompi, então não é uma questão familiar.


NM - O senhor encerra o mandato na Prefeitura no ano que vem. Como sobreviver politicamente até 2010, sem mandato? O que é que está sendo pensado nesse sentido?
CE - Eu estarei dando uma interrupção a uma carreira de 25 anos e acredito que não vou ser esquecido pelo eleitorado. Porque eu fui um deputado atuante, fui líder de oposição, fui líder de governo. Mais do que isso, eu deixei projetos aprovados na Assembléia Legislativa, que hoje são uma realidade no Rio Grande do Norte, como o projeto de provisionamento do décimo terceiro — e que, depois que cheguei no Município, adotei também. O Fundo de Ciência e Tecnologia, primeiro tratamento institucional à questão da ciência e tecnologia no Estado também foi uma proposta minha. Fui secretário de Estado durante quase cinco anos e sou responsável pela instalação do Procon no Rio Grande do Norte. Também pelas Centrais do Cidadão, que são um grande projeto que transformou o serviço público, antes moroso, ineficiente, excessivamente burocratizado, num serviço, hoje, eficiente, rápido, elogiado pelo contribuinte, que paga o serviço público e não tinha o serviço público. Fiz a primeira reforma do sistema penitenciário do Rio Grande do Norte, saindo da era do "Caldeirão do Diabo" para ter uma estrutura de hospital psiquiátrico nos três regimes de prisão: aberto, semi-aberto e fechado. E, depois, como prefeito. Em seis anos como prefeito, vou sair daqui com um saldo de obras e de investimentos de obras que essa cidade não viu nos últimos 20 anos. Sem nenhum exagero. Não quero dizer que fui melhor do que ninguém. Eu quero dizer apenas que eu tenho o dever de fazer o máximo que se podia fazer, como meu sucessor estará no dever de fazer mais do que eu. Então, eu acho que não vou ser esquecido pelo eleitorado. Eu acho que, em 2010, o povo vai lembrar do deputado atuante, do secretário com serviços prestados, do prefeito que realizou e transformou Natal para melhor. Eu não serei esquecido. Tenho certeza que o eleitorado ficará lembrado.


NM - E hoje, passados seis anos, como o senhor avalia a sua administração? Qual a marca que fica de Carlos Eduardo na Prefeitura de Natal? E qual o pior momento vivido?
CE - Uma marca, eu talvez só terei condições de dizer ao final. Mas o que eu posso dizer é que nós temos realmente vários projetos, várias ações que estão realmente mudando a cidade do Natal. Primeiro, as questões ambientais, como a construção do aterro sanitário, a solução do lixo de Natal para os próximos 50 anos. Nós despertamos essa cidade para cuidar das suas questões urbanísticas e ambientais quando brigamos com um hotel da Via Costeira, que desrespeitou a nossa legislação urbanística. O Código de Obras de Natal foi atualizado. O Plano Diretor, que registrou grandes avanços e que ainda está sendo objeto de polêmica, é uma legislação urbanística e ambiental atualizada, moderna, avançada. Aliado a isso, o Parque da Cidade, que nós estamos construindo com um complexo concebido pelo grande gênio da arquitetura mundial, Oscar Niemeyer. Essa obra está em curso e será inaugurada em junho do ano que vem. Temos o resgate da Ribeira, o largo do teatro (Alberto Maranhão). Onde era um pardieiro, que era aquela rodoviária antiga, nós estamos transformando no primeiro museu de cultura popular de Natal. A urbanização da Duque de Caxias, o Mercado do Peixe e a Praça do Pôr-do-Sol; a urbanização das feiras livres de Natal. Agora, a reforma do Cemitério do Alecrim. Na cultura, o "Natal em Natal" é uma grande festa. Há o Festival de Cinema, o Encontro de Escritores, o Auto de Natal e o Festival de Música de Natal, que neste ano vai para o Machadão. Na educação, há uma revolução. Eu vou entregar a essa cidade 30 escolas novas em seis anos. Reformamos e ampliamos 52 escolas. Natal é a primeira cidade do Brasil, dentre as capitais, a acabar este ano com o turno intermediário, que é aquele turno impróprio, de 11 às 14 horas. Além disso, tem o plano de cargos, carreira e salários dos professores. Aí, você tem em Natal o maior projeto de inclusão social da história administrativa da cidade. Você tem a urbanização do Passo da Pátria, que vamos inaugurar agora em agosto, a urbanização da África e também a solução para o Alemão, para o Fio e para o Leningrado. Aí você tem o enfrentamento da Bernardo Vieira, cujas obras estão em curso. No final de agosto, nós estamos entregando aquela obra a Natal.


NM - Esta é uma obra importante, mas que tem gerado muitas críticas. Essa questão das avenidas Bernardo Vieira, da Hermes da Fonseca, por conta de problemas no trânsito, e a população não foi orientada previamente. Como o senhor vê essas críticas?
CE - Olha, tem gente que reage à mudança. Eu divido assim as críticas: primeiro as pessoas reagem à mudança. Vocês vejam a fotografia da Hermes da Fonseca antes da obra e veja a fotografia agora da Hermes da Fonseca. Fizemos a terceira pista. Foram removidas seis árvores, mas, em compensação, já foram plantadas 56 árvores. Além disso, todo um jardim, que não tinha antes. Também todo um tratamento paisagístico, de iluminação. Quer dizer, cadê aqueles críticos da Hermes da Fonseca? Eu é que pergunto por eles: cadê os críticos? Nunca mais falaram. À medida que a obra vai ficando pronta, que a Hermes da Fonseca está jardinada, com 48 árvores a mais do que tinha antes, os críticos desaparecem. Eu queria que eles aparecessem depois da obra pronta. No final de agosto, quando a Bernardo Vieira estiver concluída, eu duvido aparecerem os críticos. Eles não aparecem.


NM - O que o senhor classificaria ou apontaria como o pior momento da administração?
CE - Não houve um pior. Houve alguns momentos que a gente teve enfrentamentos, mas se transformaram depois em bons momentos, quando a gente ganhou.


NM - E a Escola Marise Paiva?
CE - A empresa está sendo processada e um fiscal da Semov também. Quanto às vítimas, demos total assistência. Esse foi um momento ruim, muito ruim. Uma coisa horrível.


NM - Como Carlos Eduardo gostaria de ser lembrado, após encerrar o mandato?
CE - Um prefeito que deu a sua contribuição à cidade e à população.
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