Maior concorrência no setor aéreo vai estimular turismo, diz ministro

Marcelo Álvaro Antônio também destaca melhoria da infraestrutura.

Da redação,
Ampliação da concorrência no setor aéreo, com entrada das chamadas low cost (empresas de baixo custo) e também com a chegada de novas empresas para fazer as rotas nacionais acirrando as disputas e diminuindo os preços das passagens para que o brasileiro viaje mais. Isso sem deixar de lado a melhoria da infraestrutura de transportes e também dos pequenos municípios, que conseguem gerar emprego mais rápido por meio do turismo. Esses são os objetivos do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, o ministro falou também sobre o Mapa do Turismo, cadastro nacional com informações atualizadas de mais de 2,6 mil municípios e 333 roteiros regionais no país, e sobre o Dia Mundial do Turismo, que é comemorado nesta sexta-feira (27) e que em 2020 contará com uma celebração no Brasil.

Agência Brasil: Ministro, neste dia 27 de setembro é comemorado o Dia Mundial do Turismo. O que o governo já fez no setor neste ano?

Marcelo Álvaro Antônio:
O Dia Mundial do Turismo é muito emblemático. Eu olho para essa comemoração porque todo o nosso potencial turístico brasileiro precisa ser divulgado para o mundo. Inclusive, sobre o Dia Mundial do Turismo, a gente teve uma importante conquista na Rússia, em São Petesburgo, quando conseguimos trazer para o Brasil a comemoração desse dia em 2020. Isso é inédito, histórico para o Brasil. O mundo inteiro, todos os países, virão para o Brasil para comemorar aqui. Isso certamente vai trazer uma visibilidade internacional muito grande para o nosso país, mostrando todo o nosso potencial e as maravilhas para o mundo inteiro.  

Agência Brasil: O governo brasileiro isentou em junho visitantes dos Estados Unidos, do Canadá, da Austrália e do Japão da necessidade de vistos para entrar no país. Além da isenção de vistos, o que mais a gente pode esperar para impulsionar o setor?

Álvaro Antônio:
Nós olhamos para o turismo e é muito difícil a gente conseguir compreender por que o Brasil tem um potencial tão grande turístico, a gente fala aqui de sol e praia, de gastronomia, de recursos naturais, de turismo de fé, e por que esse potencial ainda não se traduziu em resultados. A gente pega parâmetros no mundo, como Espanha, México, Portugal, Grécia, e a gente entende que o Brasil precisa ainda se desenvolver muito no setor turístico. E certamente o conjunto de fatores é que vai proporcionar esse crescimento do turismo, dentre eles, por exemplo, a infraestrutura. Precisamos realmente entregar produtos turísticos que possam ser divulgados no mundo inteiro. Eu estive no Jalapão (TO) e, você desce no aeroporto de Palmas, são 280 quilômetros até o Jalapão em uma estrada com pedra, buraco, areia e que só é possível chegar de jipe. Então essa estrada é fundamental para que a gente possa entregar o produto Jalapão. Outras questões importantes: o governo do presidente Jair Bolsonaro já está fazendo [ações] como desburocratizar, desregulamentar, aprovou a lei da reforma econômica, [tem ainda] a reforma da Previdência, a reforma tributária, um conjunto de ações da economia que vai proporcionar a atração de investimentos internacionais e nacionais. Ações como a isenção de vistos são fundamentais. Dados já apontam que no mês de julho, um mês após a isenção, os gastos dos estrangeiros no Brasil já crescem mais de 33%. A gente está vivendo um momento de recursos escassos, herdamos um déficit primário de R$ 140 bilhões, mas é nesse conjunto de esforços, na parceria com a iniciativa privada, que nós vamos conseguir colocar o turismo certamente num patamar nunca visto antes no Brasil.

Agência Brasil: No mês de agosto, foi lançado o Mapa do Turismo, com dados de mais de 2,6 mil municípios de todo o país. Qual a importância disso também para a geração de renda?

Álvaro Antônio:
Para que haja investimento do turismo no município, ele precisa compor o Mapa do Turismo no Brasil. Portanto, essa inclusão de novos municípios é fundamental para que lá na ponta esse recurso possa chegar e fazer a estruturação da cidade em relação ao turismo. Então é uma ação importante para que essa capilaridade do turismo possa levar emprego e renda para os municípios que também foram incluídos nesse mapa.

Agência Brasil: Ministro, o senhor esteve na exposição da Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagens), que ocorre em São Paulo e é um evento importante do setor de turismo e hotelaria. Que novidades vão vir dessa feira?

Álvaro Antônio:
A Abav é a maior feira de turismo da América Latina. Os números impressionam. São 26 mil pessoas que vão passar pela feira, são mais de 2 mil expositores, então é um ambiente muito adequado para o debate do turismo, troca de experiências. As aéreas também compõem a Abav. Vou me reunir com as aéreas no sentido de conseguir a redução do preço das passagens porque isso é fundamental para o fomento do turismo. O custo Brasil ainda é muito caro. Então eu acho que cada um dando a sua contribuição a gente vai conseguir reduzir o custo Brasil. Esse é o nosso objetivo. Entregar para a população um custo Brasil menor para que a população tenha mais liberdade para viajar e conhecer as belezas do Brasil.

Agência Brasil: O Brasil agora está com quatro empresas aéreas low cost (custo reduzido) operando no país. A ideia é trazer novas empresas, aumentar a concorrência e diminuir os preços?

Álvaro Antônio: Sem dúvida nenhuma. A Jet Smart já começa a sua operação no país também, é a quarta empresa low cost, mas a gente tem que pensar em atrair empresas para operar o espaço aéreo doméstico. As low cost trazem os turistas de outros países, levam também, mas é importante a gente consolidar algumas empresas aéreas no Brasil como a Air Europa. Já se registrou, de forma histórica, é a primeira empresa estrangeira que se registra como brasileira. Já está com seu plano de negócios praticamente pronto e deve começar sua operação até o final do ano. O que vai produzir a melhoria na qualidade dos serviços ao consumidor e a redução no preço das passagens é exatamente a competitividade, a concorrência entre as empresas. Todo o nosso esforço junto ao Ministério do Turismo é trazer mais empresas aéreas para que a gente consiga entregar para a população melhores serviços e melhor custo.


Tags: Aviação Economia
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