Lixão perto de aeroporto aumenta risco de colisão

Cenipa contabiliza mais de 10 mil registros no espaço aéreo brasileiro.

Da redação,

Os municípios brasileiros precisam adotar medidas para acabar com os riscos provocados pelos lixões próximos aos aeroportos. Em nota recente, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) alertou para o aumento do risco do bird strike, termo usado para colisão de um pássaro com uma aeronave.

A entidade lembrou que o acúmulo de lixo perto dessas áreas aumenta o problema.

Dados do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) apontam cerca de 10 mil colisões registradas no espaço aéreo brasileiro entre 1996 e 2012.

Para reduzir eventuais acidentes, foi criada a lei 12.725/2012, que delimita em 20 quilômetros o espaço ao redor do aeródromo a ser protegido.

Shailon Ian, engenheiro aeronáutico formado pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e presidente da Vinci Aeronáutica, lembra que a história da aviação tem diversos registros com acidentes fatais provocados por choques de aeronaves com pássaros.

“As colisões com aves podem ser ainda mais trágicas quando envolvem aeronaves menores e helicópteros. Em muitos casos, o piloto sequer tem tempo de adotar qualquer procedimento”, explica o especialista.

O destarte irregular do lixo é um problema que precisa ser enfrentado pelas prefeituras. Apenas 40,2% (2.239 localidades) dos 5.570 municípios brasileiros são atendidos por aterro sanitário e 59,8% (3.331 cidades) ainda têm condições inadequadas, destinando esse material para aterros controlados (31,8%) e lixões (28%).

O engenheiro Luiz Pladevall, presidente da Apecs (Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente) e vice-presidente da Abes (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental), defende a ajuda do governo federal por meio da oferta de assistência técnica às cidades, que poderão contratar serviços especializados para acabar com o problema.

“Os municípios brasileiros precisam se unir para criar consórcios e ratear os custos de um aterro sanitário que atendam às novas regras”, aponta o dirigente.

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