UFC 200: o evento que os ex-campeões brilharam

Artur Dantas,

Talvez não tenhamos em 2016 um evento com tantos exemplares reunidos em uma só edição, mas eles mostram que estão lá: os ex-campeões. No UFC 200, seis deles deram as caras e mostraram que ainda têm chances de lutar, senão novamente pelo título e senão todos, em alto nível. Brock Lesnar, Anderson Silva, José Aldo, Cain Velásquez, TJ Dillashaw e Johny Hendricks.

De todos, quatro mostraram claramente que os reveses sofridos nos últimos combates não devem se repetir com frequência, caso seja concedida a chance de disputar o título novamente. 

Começando pelo card principal. Brock Lesnar foi anunciado como a cereja do bolo que faltava para abrilhantar ainda mais o card recheado especialmente montado para a edição histórica, em Las Vegas. E não decepcionou. 

Oficialmente fora do MMA desde 2011, quando voltou para a antiga casa, a WWE, Lesnar foi menosprezado por vários lutadores e pela crítica quando direcionaram palavras pouco amistosas que incluíram “ele não é um lutador de verdade”, mencionada pelo peso pesado que derrotou Roy Nelson, Derrick Lewis. 

Lesnar não só calou os críticos ao conseguir uma vitória convincente sobre Hunt, como não foi nocauteado rápido como muitos projetaram. 

José Aldo foi outro. Vítima de chacota por ter sucumbido a Conor McGregor em apenas 13 segundos após um dos nocautes mais inesperados de 2015, o brasileiro travou, assim como na primeira vez que se encontraram, em 2013, um combate técnico e tenso contra Frankie Edgar, que lhe valeu o cinturão interino da divisão dos penas. 

Outro destaque foi para Cain Velásquez, que perdeu o cinturão em 2015 para Fabrício Werdum por finalização, no México, e caiu em descrédito pela atuação abaixo do esperado. No UFC 200, ele não tomou conhecimento da envergadura de Travis Browne e reencontrou o caminho das vitórias com uma apresentação em grande estilo e por nocaute.

Outro que mostrou que continuará a dar trabalho foi TJ Dillashaw. Diante de Raphael Assunção, o norte-americano vingou a derrota sofrida por decisão dividida em 2013 para o brasileiro e continuou como top 1 contender dos galos. 

Johny Hendricks e Anderson Silva são um capítulo à parte e devem ser tratados de forma diferenciada pela conjuntura dos combates. 

Anderson não fez uma luta na sua categoria. É bem verdade que aceitou os termos de um combate na divisão de cima, em cima da hora, e não fez feio diante do lutador de nível olímpico de wrestling, Daniel Cormier. Em pé, Anderson mostrou que tem muita lenha para queimar apesar dos 41 anos e das quatro derrotas e um no contest nas últimas cinco apresentações. Vale lembrar que em pé, o Spider não “arregou” para Cormier. Muito pelo contrário. Foi superior na trocação ao americano que, quando se viu em situação desconfortável em cima, decidiu com competência pela queda e luta travada no solo. 

Talvez o único destaque negativo dos ex-campeões fique por conta de Johny Hendricks. Contra Kelvin Gastelum, nome forte da divisão dos meio-médios, ele fez uma apresentação que deve ser dividida em duas partes: uma no primeiro round e a outra nos assaltos dois e três. O lutador de 32 anos encarou uma promessa de 24, menos experiente no MMA, mas também colocou perigo quando conseguiu conectar bons socos no oponente. Ele não pode ser totalmente descartado como um bom nome da divisão. Mas aí entra o impasse.  Talvez tivesse mais futuro na categoria de baixo não fossem os problemas recorrentes em perder peso ou devesse considerar uma lua teste na categoria de cima, nos médios, peso tecnicamente que o favoreceria em função do baixo desgaste, mas que daria a ele um outro problema: lutar contra atletas mais pesados e com maior envergadura. 

A verdade é que desde a derrota para o então campeão da divisão Georges St-Pierre, “Bigg Rigg” não foi mais o mesmo. Coincidência ou não, das 17 lutas no UFC, ele só havia perdido uma antes de GSP para Rick Story, por decisão unânime. As vitórias impressionantes por nocaute sobre Charlie Brenneman, Jon Fitch, Martin Kampmann e por decisão unânime sobre um dos principais nomes da divisão, Carlos Condit, valorizaram o passe de Hendricks que entrou numa montanha-russa após GSP, alternando bons e maus momentos no octógono e não conseguindo acumular dois êxitos seguidos no cartel. Pelo contrário. Com a derrota no UFC 200, pela primeira vez na carreira, Johny teve que lidar com dois resultados negativos seguidos iniciado após ser nocauteado por Stephen Thompson, o Wonderboy, e provável novo desafiante ao cinturão. 


Tags: Anderson Silva Cain Velasquez Daniel Cormier Frankie Edgar Johny Hendricks José Aldo TJ Dillashaw UFC 200
A+ A-